Médica explica procedimento de Bella Longuinho para feminilizar bumbum: ‘Cada vez mais frequente’

Em entrevista à CARAS Brasil, a cirurgiã plástica Heloise Manfrim detalha procedimentos para feminilizar o bumbum após a influenciadora Bella Longuinho revelar o seu

Bella Longuinho passou por transição de gênero recentemente
Bella Longuinho passou por transição de gênero recentemente - Fotos: Reprodução/Instagram

A influenciadora digital Bella Longuinho (23) – que se apresentou recentemente com sua nova identidade após a transição de gênero e cirurgias de feminização – revelou aos seus seguidores, por meio do Instagram, que estava em uma clínica de estética fazendo uma harmonização no bumbum. Ela, que já havia colocado 80 ml de ácido hialurônico nos glúteos, colocou mais 20 ml da substância na região. Em entrevista à CARAS Brasil, a cirurgiã plástica Heloise Manfrim detalha o tema, que atiçou a curiosidade dos internautas.

De acordo com a médica, basicamente existem três opções para a harmonização do bumbum. “O uso da gordura, através da lipoenxertia, que é o uso da gordura do próprio paciente para aumentar o glúteo. E Isso é interessante pelo fato de não haver nenhuma possibilidade de rejeição, porque é a gordura do próprio paciente. A segunda opção é o uso de ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno, que podem dar esse aumento também. E a última, é a prótese glútea, que vai ser muito recomendada, principalmente para os pacientes que não têm quadril. Então, para a feminilização, vai ser bem interessante”, diz.

Entre essas opções de procedimentos, Heloise recomenda as que trabalham com a gordura do próprio paciente. “Como cirurgiões, sempre optaremos pela gordura, porque eu consigo grande quantidade de produto do paciente. Só que o problema é que é uma cirurgia, e é necessário ter um centro cirúrgico, fazer uma lipoaspiração. Mas a gente consegue quantidades grandes de volume, até 1000 ml para cada lado; e eu consigo entregar um resultado melhor. Se a paciente não quiser ir para o centro cirúrgico, ou não quiser ser submetida a uma lipoaspiração, temos a opção do ácido hialurônico”, ressalta.

Segundo a médica, quando se usa o ácido hialurônico, teoricamente, não tem que fazer exames pré-operatórios, porque é um procedimento realizado em consultório. “Se vai fazer com gordura, a gente precisa seguir toda a abordagem que pedimos em cirurgias e realizar os exames que permitem que a paciente seja submetida a um procedimento de médio porte. São os mesmos exames da lipoaspiração. Então, são os exames para cirurgia de pequeno porte que são realizados em centro cirúrgico. Então, são os exames de sangue habituais para avaliação de inflamação, para avaliação de coagulação”, fala.

A RECUPERAÇÃO

Ainda de acordo com Heloise, para a opção de procedimento com ácido hialurônico, praticamente, não tem recuperação, normalmente se pede três dias utilizando alguns moderadores bem simples, além de evitar atividade física. “Quando a gente fala em gordura, tem que fazer drenagem, tem que usar modeladores por pelo menos 60 dias. E sete dias sem academia, sem dirigir”, informa.

“Já a recuperação da prótese glútea é um pouquinho mais demorada, porém são basicamente 15 dias sem poder dirigir, sem poder fazer nenhuma atividade que exija esforço, que aumente a frequência cardíaca. Porém, hoje em dia, não tem necessidade nenhuma da paciente ficar sempre com o bumbum para cima. Então, ela já sai do centro cirúrgico posicionada de barriga para cima, com o bumbum para baixo”, pontua.

CICATRIZ

Heloise Manfrim explica que para a lipoenxertia, as incisões são pequenas, com isso, as cicatrizes são de 5 milímetros, realizadas acima do glúteo e interglúteo. “Após sete dias, o paciente está liberado para trabalhar. E três dias, independente do procedimento, pede-se para que não sente na região que foi operada. Como normalmente a região utilizada para preencher a região trocantérica, ou seja, na região glútea e em supra glúteo, dificilmente o sentar vai atrapalhar, mas a recomendação é importante para evitar uma reabsorção precoce do produto da gordura”, frisa.

“Quando é feito com ácido hialurônico, não, porque são pontinhos como se fosse para a introdução de agulha. Então, fica um furinho como se fosse uma injeção e não fica cicatriz. Como normalmente a região utilizada para preenchimento é na região trocantérica, ou seja, na região glútea e em supraglúteo, dificilmente o sentar vai atrapalhar, mas a recomendação é importante para evitar uma reabsorção precoce do produto da gordura. As cicatrizes da prótese glútea são posicionadas entre os glúteos, então fica completamente escondida quando a paciente está de pé”, emenda a médica.

RISCOS

Os riscos existem como em qualquer procedimento, lembra a cirurgiã plástica. “Quando é cirurgia, a gente fala de gordura, então, a gente pode ter infecção ou reabsorção assimétrica em relação aos lados. Mas quando é procedimento realizado com ácido hialurônico, pode ter uma reabsorção precoce também, se o paciente ficar muito tempo posicionado sobre a região que foi trabalhada e também risco de infecção. Nenhuma das duas tem risco algum de rejeição, porque são todos os produtos, a gordura do próprio paciente e o ácido hialurônico é um produto que já existe no corpo de todo mundo”, informa.

“Então, todo mundo produz, todo mundo tem, não tem risco de rejeição. Em relação à prótese, a gente pode ter rejeição, apesar de ser muito raro, pela normal biocompatibilidade da prótese. A gente tem esse risco, sim, mas é mínimo; diferentemente do que acontece com os outros produtos. Porém, os outros produtos não têm risco de rejeição, mas existe uma reabsorção que, no caso da gordura, normalmente 30% acontece nos primeiros meses e depois o resultado fica para definitivo. E na de hialurônico, ele tem uma durabilidade de 8 a 12 meses. Os da prótese glútea são rejeição, infecção e hematomas. Na verdade, são os riscos de qualquer cirurgia”, acrescenta Heloise.

Questiona da se o resultado é permanente, se precisa de manutenção, ela responde: “Na prótese, o resultado é permanente. A troca da prótese não é obrigatória, como nenhum caso de prótese corporal. No caso de hialurônico, a manutenção tem que ser feita a cada 8 a 12 meses, porque existe uma absorção natural do produto. E da gordura, depois que reabsorveu, o resultado é definitivo. Porém, como é gordura, ela vai oscilar conforme ganho de peso e perda de peso”.

Sobre observar o resultado final, Heloise explica: “Prótese de glúteo, após 6 meses. Lipoaspiração com lipoenxertia, basicamente após 6 meses também. As de hialurônico, o resultado é imediato. Porém, após 2 a 3 semanas, a gente tem uma melhora por intensificação da absorção de água”.

“O que ajuda a manter o resultado, no caso da gordura, por exemplo, é a manutenção de hábitos de vida saudável. Porque sendo uma gordura, ela sempre vai oscilar conforme ganho e perda de peso. As de hialurônico, a manutenção seria somente a cada 8, 9, 10 meses, refazendo o procedimento para não deixar a absorção acontecer com tudo, e o resultado se perder. E na prótese glútea, a avaliação da prótese é a cada 10 anos com o uso da ressonância nuclear magnética, só para avaliação do implante. E caso necessário, tem a necessidade de trocar. Não é sempre, não tem necessidade, não é obrigatório trocar a cada 10 anos, mas a cada ano tem que fazer um ultrassom, e a cada 10 anos uma ressonância para avaliar a viabilidade da prótese”, continua a médica.

OUTRAS PARTES DO CORPO

Bella Longuinho, que passou pela transição de gênero em janeiro, passou por procedimentos de feminização facial em fevereiro. “A minha feminização facial envolveu cinco cirurgias: fiz gogó, queixo, mandíbula, nariz e testa. E tudo envolve osso e cartilagem, então raspou osso pra dar afinada, raspou cartilagem do gogó, raspou osso e cartilagem do nariz. Foi basicamente isso. Cada caso é um caso. No meu foram as cinco, mas tem feminização que é mais ou menos”, explicou.

Ela contou ainda por que decidiu começar as cirurgias pelo rosto. “Dois motivos: primeiro é que a cirurgia de feminização é a que mais demora pra ver resultado final, que é um ano. Então, decidi logo fazer de primeira. E o segundo motivo é que quero ficar com minha estética bem andrógina pra depois eu realmente, pá, uma mulher! Quero fazer do masculino pra uma coisa muito andrógina e depois mulher. Quero primeiro me sentir muito andrógina, feminina, pra depois colocar prótese (nos seios)”, disse a influenciadora.

Ao ser questionada sobre como são realizadas as cirurgias (nariz, testa, entre outras), Heloise Manfrim pontua: “Depende, porque se estivermos falando de cirurgia, é uma coisa, são os procedimentos estéticos que normalmente são feitos para aumentar ou para deixar os resultados mais femininos. Mas no caso dela, provavelmente, eu não sei o que foi feito, mas provavelmente é feita raspagem óssea. Então faz a raspagem óssea tanto da testa, quanto da região da mandíbula, da região do pescoço, para deixar o resultado mais feminino”.

A especialista revela que não é comum as mulheres procurarem por isso no consultório. “Comum não é, mas está mais frequente, porque hoje as pessoas estão mais abertas e se sentem mais livres para poder decidir o que querem da vida delas. Então, elas se sentem menos julgadas e eu acredito que essa tendência vai acontecer e vai aumentar a procura, com certeza”, fala.

“Acho que a partir do momento que a pessoa não está satisfeita com sua aparência, se está infeliz com o que ela é hoje, se está infeliz com o que ela é, tem vontade de mudar e sofreu avaliação psicológica e já entendeu que é isso que ela quer, sofre bullying, é mais importante a gente tentar conversar e entender o que essa pessoa precisa; do que de fato ficar julgando e pensar que aquilo ali está vindo da cabeça dela. Eu sempre estou aberta, estou  aqui para ajudar, e acho que as pessoas têm que ser felizes”, finaliza Heloise.

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Dra. Heloise Manfrim (CRM: 35938) é cirurgiã plástica membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica (BAPS) e da Associação Brasileira de Lipedema (ABL). Graduada em Medicina pela Universidade de Marília (Unimar) com título de especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é embaixadora da Cirurgia Plástica Funcional. Autora dos livros “O Norte” e “Lipedema: uma abordagem além da superfície”, também é CEO da Clínica Dall’Ago & Manfrim, em Maringá (PR), e fundadora e CEO do CELIP (Centro Especializado em Tratamento de Lipedema). @plasticaetal