ETIMOLOGIA

Genealógico vem do grego genealogikós, adjetivo que qualifica o estudo que rastreia a origem de alguém ou de uma família. Muitos têm essa curiosidade. Erico Verissimo, por exemplo, revelou em suas memórias que quis descobrir o ramo, do latim ramus, ao qual pertencia.

Ambicioso: do latim ambitiosus, cobiçoso, ávido, desejoso, sedento. Ambicioso é do mesmo étimo de ambulare, caminhar, e ambire, andar em volta, rodear, com o fim de arrebatar bens que deseja, designando também o candidato que na Roma antiga assediava o eleitor em busca de votos. As narrativas do folclore brasileiro buscam punição simbólica para os ambiciosos, já que na vida real eles costumam se dar bem. Uma dessas narrativas começou em Portugal, no Minho, e continuou no Brasil. Um rapaz de família pobre, mas de pais ambiciosos, vem para cá e aqui enriquece. Voltando à terra natal para visitar os pais, encontra-os já velhos. Não se dá a conhecer e pede pousada, com o fim de fazer uma surpresa no dia seguinte. Assim que dorme, tem a mala revistada. Está cheia de dinheiro. O casal mata e enterra o rapaz sem saber que é seu filho. Dias depois descobre que o assassinado era o filho que um dia partiu. A mãe enlouquece e o pai se entrega à Justiça. O filósofo e teólogo alemão Ferdinand Gregorovius (1821-1891) encontrou a narrativa original desse tema em histórias medievais.

Genealógico: do grego genealogikós, genealógico, adjetivo que qualifica o estudo que busca rastrear a origem de um indivíduo ou de uma família. Quase todos têm a curiosidade de saber quem foram seus ancestrais. Também o escritor gaúcho Erico Verissimo (1905-1975), autor de um verdadeiro monumento literário como O Tempo e O Vento e de uma obra que inclui muitos outros títulos memoráveis, que só não lhe deram o Prêmio Nobel por escassa atenção dos julgadores a obras insuficientemente conhecidas em línguas como inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, revela em Solo de Clarineta: Memórias I que um dia quis saber a origem da família Veríssimo.

Mendigo: do latim mendicus, mendigo, em que o étimo mend procede de mendum, defeito físico. Isto porque os primeiros mendigos não podiam trabalhar por serem deficientes físicos de nascença ou mutilados de guerra ou de acidentes de trabalho e precisavam recorrer à misericórdia alheia para obter os bens essenciais à sobrevivência. Teófilo Braga (1843-1924), que foi presidente de Portugal entre 1910 e 1915, narra a história de um príncipe que se apaixonou pela filha de um mendigo e este exigiu que o pretendente pedisse esmolas durante um ano. O fidalgo apreciou tanto a profissão que continou pedinte, abandonando a moça e a realeza.

Pedinte: de pedir, do latim vulgar petire, pedir, cercar, requerer, solicitar, radicado no latim clássico petere, atacar para obter alguma coisa. Temos a inclinação de achar que, à semelhança das prostitutas, que também estão nas ruas, aquele destino foi imposto a umas e outros, mas há pedintes e prostitutas que escolheram os respectivos ofícios voluntariamente, como há quem prefira viver nas ruas, embora a maioria tenha sido ali jogada pela má sorte e por muitos outros fatores, entre os quais avulta a injustiça econômica, política e social.

Ramo: do latim ramus, ramo, galho, ligado à árvore, mas tendo o mesmo cognato de raiz, radix. Erico Verissimo confidencia em suas memórias que procurou saber qual era a raiz de sua árvore genealógica e o ramo ao qual pertencia: “Senti um dia a curiosidade de descobrir a origem dos Veríssimo. Graças a um amigo dado a pesquisas genealógicas, fiquei sabendo que o ramo brasileiro da família de nome superlativo começou no Brasil com o português Manoel Veríssimo da Fonseca, natural da freguesia do Ervedal, na Beira Alta. Tendo emigrado de Portugal em 1810, casou-se com a moça Quitéria da Conceição, natural de Ouro Preto”.

Solo: do latim solum, só, tendo também o sentido de abandonado, pelo italiano solo, solo, designando na música trecho executado por uma só voz ou um só instrumento. Aparece na mídia designando integrante de dupla ou grupo que abandona os outros para seguir carreira solo. Semelha também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (63) e suas relações com o PT, partido por ele fundado e do qual é presidente honorário, pois está seguindo carreira solo. Erico Verissimo deu o título de Solo de Clarineta aos dois volumes de suas memórias. O segundo saiu com a ajuda da família, em especial do filho, o escritor Luis Fernando Verissimo (72), e do crítico de literatura e professor universitário Flávio Gianetti Loureiro Chaves (64). Chama-se solo também o bailado executado por um só dançarino. E ainda o primeiro voo feito pelo aprendiz de pilotagem sem a companhia do instrutor.