O ESTETA DOS SAPATOS, CHRISTIAN LOUBOUTIN

Designer francês fascina cinderelas do mundo todo com modelos de sola vermelha

O que Angelina Jolie (33), Katie Holmes (30), Victoria Bekham (34) e Carla Bruni (41) têm em comum? Além de serem ícones de beleza e elegância, elas compartilham o fascínio por Christian Louboutin (45), o francês que expressa sua paixão pelo universo feminino desenhando belos sapatos de solado vermelho- -sangue e saltos altíssimos. “Um bom par faz você olhar para a dama e pensar: nossa, que mulher sexy e poderosa”, diz o designer, cuja lista de cinderelas da realeza incluiu a princesa Diana (1961-1997). Criado por sua mãe e três irmãs, Christian se tornou um profundo conhecedor dos segredos da alma feminina e se encantou pelos calçados na pré-adolescência, quando viu em um museu a gravura de um scarpin vermelho de salto agulha. Aos 15, já desenhava protótipos, inspirado pelas dançarinas do mítico clube noturno parisiense The Palace. “Não tinha nada a ver com moda, tinha a ver com show girls. Eu adorava assistir a musicais, queria trabalhar com esse universo e acabou sendo por meio dos sapatos”, conta o designer, que chegou a criar para as grifes Christian Dior, Chanel e Yves Saint Laurent e largou tudo para se dedicar à jardinagem antes de fundar marca própria em Paris. Quando finalmente abriu a primeira loja, caiu nas graças de ninguém menos que princesa Caroline de Mônaco (52). Então, começou a estampar editoriais de moda internacionais e virou objeto de desejo. “O resto é história”, pontua o dono de império presente em 46 países, entre pontos-de-venda e 17 lojas próprias. Em passagem recente pela capital paulista, onde foi aberta filial em março, a 1a da América Latina, Louboutin falou à CARAS durante passeio pelo Parque do Ibirapuera, em que admirou a arquitetura do auditório homônimo e conheceu o Museu de Arte Moderna, MAM.

– Qual foi sua 1a inspiração?
– Assisti a um musical em que uma dançarina representava uma ave-do-paraíso. Ela estava basicamente nua, só com plumas e de sapatos. Isso povoava a mente dos homens, era extremamente sexy. O sapato acrescenta muito à mulher, dá porte, traz sensualidade, movimento. É um acessório feminino, faz parte do jeito de andar e dançar. Me inspiro nas mulheres, a única coisa não inspiradora para mim é a moda. Nunca penso em termos de roupas e de suas possíveis combinações.

– O solado vermelho hoje faz parte do imaginário feminino, como ele foi desenvolvido?
– Eu estava fazendo coleção inspirada na pop art, muito colorida. Quando veio o primeiro protótipo, parecia faltar algo, mesmo sendo fiel ao desenho. Percebi que no papel tudo era colorido, inclusive o solado, e no sapato real era uma grande massa preta. Graças a Deus uma moça que trabalhava comigo, Sara, estava pintando as unhas de vermelho. Imediatamente peguei o esmalte dela e pintei a sola toda. O que faltava era cor! Pensei em mudar o tom a cada coleção, e isso fazia sentido, pois eram os anos 1990, as mulheres usavam muito preto. Então percebi que o vermelho estava acima das outras cores, pois mesmo as que preferem looks monocromáticos têm elementos desse tom em seus lábios e unhas.

– Como especialista, de que modo você define um bom sapato?
– Um bom sapato é o que foi bem desenhado e fica bonito no pé. É um embelezador para as mulheres. Definitivamente um bom sapato faz você olhar primeiro para a mulher e depois para ele, que talvez nem seja notado. É a mulher que vai ser admirada, porque se sente bem com ele, confiante, a postura fica linda. Quando uma mulher está experimentando um sapato, a primeira coisa que faz não é olhar para os pés, e sim para ela, se aprovar, se achar bonita, só então repara no acessório que vai escolher

– Você comprou algum sapato durante sua estada no Brasil?
– Comprei 184 pares de Havaianas. Tenho um barco no Egito e a tripulação está sempre de chinelos. Escolhi de todas as cores e separei algumas para mim.

– Por que São Paulo para a primeira loja na América Latina?
– Há mais de um ano, em venda especial na loja de Miami, ouvi cerca de 50 brasileiras dizendo que sentiam falta de meus sapatos no país. Além de São Paulo ser uma metrópole, é importante ter uma loja em um lugar como o Shopping Iguatemi, onde uma garota que gosta de moda possa ir e olhar meus sapatos, o que não necessariamente significa comprar. Se penso em uma mulher andando, as primeiras que me vêm à mente são as brasileiras. Os homens e mulheres daqui têm um jeito muito suave de caminhar, com um quê de dança, eles desfilam. Tanto que sua música mais famosa é Garota de Ipanema, sobre um homem que contempla uma mulher caminhando. A Gisele Bündchen, por exemplo, é maravilhosa, tem um rosto lindo, um corpo incrível, mas não teria chegado onde chegou se não fosse seu modo de caminhar, algo que é extremamente brasileiro.

– Você ainda consegue praticar jardinagem?
– Infelizmente, não, então fico feliz quando posso estar num lugar como o Parque do Ibirapuera. A natureza brasileira em si já é espetacular e aqui os paisagistas, como Burle Marx, e os arquitetos são fabulosos. O Brasil é um dos melhores lugares do mundo para apreciadores de arquitetura e paisagismo.