O CINEMA BRASILEIRO EM NOITE DE GLAMOUR
Grande prêmio Vivo reúne a classe e elege os destaques da sétima arte em 2008
Nomes que reforçam a fase produtiva da sétima arte no país, como o ator Tony Ramos (60), que já levou quase seis milhões de espectadores às salas de projeções pelo fi lme Se Eu Fosse Você 2, marcaram presença na noite de gala do Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro, na casa de espetáculos Vivo Rio. A festa, patrocinada pela operadora de telefonia celular, laureou profissionais que se destacaram no ano passado, em 25 categorias, e homenageou o pai do Cinema Novo, o diretor Nelson Pereira dos Santos (80).
De smoking preto e na companhia da mulher, Lidiane (56), Tony ressaltou a importância da premiação. “É essencial pelos reencontros que proporciona. Muitos projetos nascem nessas noites”, disse o Opash de Caminho das Índias, que comemora 45 anos de carreira e não se considera uma estrela. “Nun ca me deslumbrei com a fama nem com elogios. Nosso trabalho é árduo. Não tento manter meus pés no chão, já os tenho em terra fi rme”, explicou o ator, que anunciou o prêmio de Melhor Atriz para Leandra Leal (26), a Camila do longa Nome Próprio. Ela não compareceu à festa por estar em São Paulo e foi representada pela mãe, Ângela Leal (62).
Assim como Tony, Rodrigo Santoro (33) tenta evitar que o sucesso interfira na sua vida. “Não deixo de fazer minhas coisas. Surfo, compro em supermercado. Só não vou muito a banco porque acho chato”, contou Rodrigo, que prefere não falar sobre os rumores de que teria uma affaire com a atriz americana Natalie Portman (27). “Não tenho nada a declarar sobre ela, porque tudo vira polêmica”, continuou ele, que estará na série Som e Fúria, da Globo, com estreia em 8 de julho. Rodrigo entregou o Troféu Grande Otelo de Ator Coad juvante a Babu Santana (29), por Estômago, de Marcos Jorge. O filme recebeu 14 indicações e venceu ainda nas categorias de Melhor Longa Ficção, Direção, Roteiro Original e Longa Na cional pelo Voto Popular.
Mestres-de-cerimônia na sétima edição da premiação, o diretor Daniel Filho (71) e a atriz Marília Pêra (66) não paravam de trocar elogios. “Apresentar um prêmio como este é muita responsabilidade. E estar ao lado de Daniel Filho é de tremer na base. Me sinto honrada”, declarou Marília sobre o diretor de Se Eu Fosse Você 2. “Entre nossas grandes atrizes, está Marília Pêra. E apresentar com ela é um prazer, um encontro de amor com uma companheira de tanto tempo de trabalho. E o mais gostoso é que estamos aqui oferecendo prêmios aos nossos colegas”, retribuiu Daniel na noite que premiou o fi lme Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles (53), nas categorias de Direção de Fotografi a, Direção de Arte, Maquiagem e Efeito Visual.
Com um longo preto da Osklen, Grazi Massafera (26) arrancou suspiros do amado, Cauã Reymond (28). “Compramos o vestido juntos. Grazi tem costas lindas e a peça valoriza seu corpo. Ela também tem muitos fãs, mas sou o número um”, admitiu o ator. Juntos há quase dois anos, o casal planeja passar temporada nos EUA para aprender inglês e não cogita mais casar. “Moramos praticamente juntos Deixei de ter o sonho de entrar na igreja. Quero ser feliz e estar ao lado de quem amo”, simplificou a atriz.
Durante a festa, Selton Mello (36) foi laureado como Melhor Ator pela atuação em Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lima (41), o mais premiado da noite, com seis troféus. “A gente acha que não vai ficar nervoso, mas fica. É louco ser o melhor ator, há muitos extraordinários. Estou feliz. Foi difícil viver um personagem como João Estrela, com quem pude conviver no set”, desabafou ele, brincando sobre seu estado civil. “Estou solteiríssimo. Sou um caso perdido”, divertiu- se. Colega de elenco de Selton, Julia Lemmertz (46) foi escolhida Atriz Coadjuvante, mas não participou do evento. A produtora Mariza Leão recebeu o troféu no seu lugar. O longa venceu ainda nas categorias Trilha Sonora Original, Som, Roteiro Adaptado e Montagem de Ficção.
Único cineasta a fazer parte da Academia Brasileira de Letras, o homenageado da noite, Nelson Pereira dos Santos, foi aplaudido de pé pelos 1200 convidados. “Estou ficando viciado em homenagens. Recebi várias pelos 80 anos. Agora, vou esperar chegar aos 100”, disse ele, que está finalizando um documentário sobre o maestro Tom Jobim (1927-1994). “Vai ficar pronto no segundo semestre. Chama Antônio Carlos Jobim, O Homem Ilu minado”, resumiu Nelson, recebendo o carinho de Roberto Farias (77), presidente da Academia Brasileira de Cinema. “Nelson é um batalhador, um ícone do cinema brasileiro”, disse Roberto ao lado de Lúcia Rocha (90), mãe do cineasta Glauber Rocha (1939-1981).
O evento também premiou os filmes O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Hollanda (38) e Carolina Jabor (35), sobre a Velha Guarda da Portela, por Longa Documentário e Montagem de Documentário; Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen (73), por Longa Estrangeiro, tanto no voto popular como da academia de cinema; Os Desafinados, de Walter Lima Jr. (70), por Trilha Sonora; Chega de Saudade, de Laís Bodanzky (39), Figurino; O Garoto Cósmico, de Alê Abreu, por Longa Anima ção; Pequenas Histórias, de Helvécio Ratton (59), por Longa Infantil; Café com Leite, de Daniel Ribeiro, por Curta-Metragem de Fic ção; Dreznica, de Anna Azevedo (39), por Curta-Me tragem de Documentário, com a impressão de deficientes visuais sobre o mundo; Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral, por Curta-Metragem de Animação; e Bárbara, de Maurício Bezerra, por Filme Para Celular.