STÊNIO GARCIA E MARILENE: NOVA DIREÇÃO

Após 11 anos juntos, os atores planejam casar e adotar uma criança

Quando existe amor, a diferença de idade é um mero detalhe que não interfere na felicidade do casal. É o que pensam os atores Marilene Saade (40) e Stênio Garcia (76), que convivem muito bem com o fato de ele ter quase o dobro de tempo de vida dela. Apesar de já se considerarem casados, os atores decidiram oficializar a relação de 11 anos com uma cerimônia religiosa ainda sem data prevista. “O casamento vai selar todo ciclo de amor que vivemos”, ressalta ele. A ótima fase de Stênio se estende também ao campo profissional. Atualmente, faz sucesso como o psiquiatra Dr. Castanho, em Caminho das Índias. “Nunca tinha recebido um personagem tão completo”, festeja. “Glória Perez sempre faz uma abordagem que contribui com a sociedade. Agora, decidiu falar sobre a reabilitação do doente mental. Fico feliz de defender um papel com essa utilidade”, acrescenta ele, que este ano vai dirigir a mulher na peça Pamonha e Panaca. “Stênio quer que eu faça um personagem masculino como desafio profissional”, conta Marilene, feliz com a ousada proposta.

– O que mantém o amor?
Stênio– Temos algo que surpreende, a diferença de idade…
Marilene-Mas ele é a criança e eu sou a velha!
Stênio– Precisa ver a nossa convivência. É uma troca diária de ensinamentos. Isso estabelece a estrutura e a segurança para que possa dizer: “ela é a minha mulher, sim, e eu sou o homem dela”. Marilene– E mais do que isso, ele é meu cúmplice, comparsa, amigo, namorado, o meu tudo. Mas não temos um segredo, porque não é uma receita de bolo. Não é só sexo ou troca no campo da arte que nos mantém juntos. É sexo, amor, namoro, mas é também amizade. Tipo, ele cai, eu levanto. Em 2003, eu tive um câncer de mama e ele um aneurisma na aorta abdominal. Nessas horas difíceis, um segura a mão do outro e lutamos juntos.

– Além da cumplicidade do casal, qual é o segredo para manter o sexo em dia com uma mulher tão mais nova?
Stênio– Dá trabalho… (risos), mas acompanho bem. Relação é troca, cada um cede em um ponto. É lógico que se um dia eu gravar 40 cenas, vou chegar em casa com menos disposição. A compreensão de respeitar a necessidade do outro é essencial. Por exemplo, eu não gosto, mas, às vezes, me obrigo a ver vitrines com ela (risos).

– Sexo, então, está na cabeça?
Stênio– É o organismo todo atuando. Quando você é saudável, as células trabalham melhor. Busco sempre me alimentar com algo mais natural, o que é importante para conseguir correr 20 km. E quando você faz isso, tenho a impressão de que topa melhor uma maratona na cama (risos). E costumo citar uma frase do filósofo Schopenhauer: ‘depois dos 60, o homem busca principalmente não sentir dor. E o grande caminho para isso é a qualidade de vida, cuidar da saúde em todos os níveis’. Por isso, não bebo, parei de fumar há 25 anos, me exercito regularmente e me alimento com produtos orgânicos.
Marilene– Ele não conhece nem precisa de Viagra!
Stênio– Não é necessário (risos), porque estimulante é o convívio, o cheiro, a pele, tudo.
Marilene– Ele tem uma criança presente dentro dele. Por isso eu o apelidei de ‘Pequeno’. Brincamos o tempo todo, não só de Stênio e Mari, como de vários personagens. E conversamos com Vitório, o bicho de pelúcia que dorme na nossa cama. É uma troca maravilhosa.

– A Marilene o tornou um homem mais vaidoso?
Stênio– Não só a Marilene, mas as minhas duas filhas. Sou bem matuto, porque venho do interior. De repente, há uns dois anos, ela me deu um brinco de brilhante. Ficou dois meses na gaveta, até que decidi furar a orelha. Era só um brinco, então, pus na direita. Mas, quando cheguei em casa, descobri que dizem que este é o lado gay. Não me importei (risos), me garanto. Continuo usando o brinco, é uma atitude de amor.

– E como estão os planos de adotar uma criança?
Stênio– Tivemos o problema da burocracia e, com sensatez, decidimos também esperar um pouco. Queremos reformar a casa após a novela para criar condições de receber uma criança. E a Marilene precisa desenvolver mais seu processo de trabalho. Quer dizer, temos a vontade. Ela não pode ter filho, então, por que não adotar?
Marilene– Quem tem câncer de mama pode ter filho. Mas o meu foi por um problema hormonal, um envelhecimento celular precoce. Também vieram miomas no útero que me brecaram. Mas vai ser uma alegria adotar. Acho que não passa de 2010.