ANA BOTAFOGO

Bailarina encantou Matthew Mcconaughey com sua arte

Primeira bailarina do Theatro Municipal há 28 anos, Ana Botafogo (52) comoveu até astros internacionais, como o ator Matthew McConaughey (39), com a mulher, a brasileira Camila Alves (25), ao encenar trechos de O Lago dos Cines em plena Sapucaí. Destaque da Vila Isabel com Francisco Timbó (45), também primeiro bailarino do Municipal, cujo centenário inspirou o enredo, ela mostrou leveza e versatilidade na avenida. “No início, foi complicado. Mas, diante do carinho do público, fui me soltando. É vital popularizar a arte e fazer com que todos conheçam o Municipal”, ressaltou ela, que ajudou a Vila a conquistar a quarta colocação. A paixão pela carreira, que completa 31 anos, e por difundir a dança é tanta, que ela ainda não sabe a data exata em que deixará os palcos. Mas confessa que esse dia pode estar próximo. Viúva duas vezes, do bailarino inglês Graham Bart e do advogado Fabiano Marcozzi, Ana, que está solteira, contou na Ilha de CARAS que sente falta de um namorado. Mas logo ressaltou que isso não a impede de ser uma mulher feliz.

– Imaginava ainda ser a primeira bailarina do Municipal no centenário do teatro?
– Nunca pensei que chegaria a tanto. É muita felicidade.

– E a aposentadoria?
– Não tem nada definido. Mas já penso em parar, sim. E isso não me incomoda. E não vou ficar triste. A gente vai passando por etapas. Hoje, já sei bem o que quero e o que não quero. E tenho buscado outras maneiras de me expressar, como teatro, TV. Estou me preparando para esse momento.

– Como quer sair de cena?
– Não quero me aposentar no dia em que não puder mais dançar. Quero parar tendo cumprido bem mais uma etapa da vida. Mas vou sempre ter vínculos com o balé e com o Municipal. Tive uma vida lá. Então, gostaria de estar ligada a eles para sempre ou sendo ensaiadora ou só acompanhando.

– Você se considera realizada?
– Me sinto feliz com a carreira que fiz e estou fazendo. Mas sempre tem um desafio, como um balé novo a criar. Seria ótimo se pudesse fazer por exemplo A Dama das Camélias, nunca fiz. Acabei de criar o espetáculo Sweet Floral, um balé mais contemporâneo, com um pouco de clássico, mas com coreografias mais livres para esse meu momento.

– Como vê o passar dos anos?
– Quando cheguei aos 50, estava superbem. No auge, balé dá muito vigor. Mas se me perguntarem se gostaria de ter um pouco menos, lógico que sim. Quando se fala o número 50, assusta um pouco. Mas não me sinto com a idade.

– Já fez cirurgia plástica?
– Não fiz nada ainda. Penso um pouco quando me vejo na TV, que talvez seja necessário. Mas não sei se a minha vaidade vai a tanto. Falta coragem. Óbvio que adoraria estar sempre linda. A bailarina, no palco, sempre parece mais jovem. Mas a realidade é outra (risos).

– Não ter tido filhos frustra?
– Me deixa um pouco triste, sim. Mas não aconteceu por circunstâncias da vida, fiquei viúva duas vezes. Por causa da profissão, também acabei deixando para mais tarde. E, de repente, não deu tempo. Mas gostaria muito de ter sido mãe.

– Adotar seria uma maneira de realizar esse sonho?
– Isso nunca passou pela minha cabeça. Adoção já é complicado. E estando sozinha, sem um parceiro, acho mais complicado ainda. Fico triste em não ter tido filhos, mas não é algo que pare a vida.

– Estar solteira é opção?
– Estou trabalhando muito. E faço faculdade de licenciatura em Dança na UniverCidade. Então, não tenho muito tempo.

– Mas não sente falta de uma companhia?
– Sinto. Mas tem que vir naturalmente. Eu não sei procurar.

– O fato de ser a maior bailarina do Brasil atrapalha?
– Quando a mulher faz sucesso é um pouco complicado. Às vezes, as pessoas imaginam mais do que a gente realmente é e ficam com medo de chegar. Sou uma mulher normal. Mas acho que essa coisa de título, de primeira bailarina, assusta mais do que é na realidade, porque é mais simples.

– Você gosta de ‘ficar’ ou prefere namoro mesmo?
– Não acredito muito em ficar. Não é da minha época. Tive dois casamentos. Com Graham, foram dois anos e com o Fabiano durou dez. Então, acho complicado ficar. Não entendo muito disso.