Ian Bustorff alia formação internacional e técnica no cuidado da coluna
Ortopedista e cirurgião de coluna fala sobre trajetória, endoscopia, ensino médico e a atenção como parte essencial do cuidado ao paciente.

Antes de qualquer exame, existe uma história. Antes de qualquer procedimento, há uma pessoa tentando voltar a dormir melhor, trabalhar sem limitação e se mover sem medo. É a partir desse cuidado que Ian Bustorff Freire constrói sua atuação na cirurgia de coluna. Natural de João Pessoa, na Paraíba, o ortopedista une formação no Brasil e no exterior, dedicação às técnicas minimamente invasivas e uma visão de cuidado que não separa tecnologia de presença humana.
A medicina entrou cedo em sua vida, influenciada pela figura do avô, médico-sanitarista, e por uma família que ajudou a formar sua percepção sobre responsabilidade e serviço. Ainda criança, Ian já demonstrava interesse por atividades manuais. Gostava de desmontar brinquedos, entender como as peças funcionavam e remontar tudo com atenção aos detalhes. Mais tarde, esse olhar encontraria espaço na ortopedia e, depois, na cirurgia da coluna, área em que precisão, planejamento e delicadeza são parte da rotina.
A música também compõe essa trajetória. Guitarra e violão fazem parte de sua vida e, para ele, dialogam com a prática cirúrgica. Tocar um instrumento e operar a coluna exigem concentração, sensibilidade e domínio de movimentos finos.
“A cirurgia de coluna exige percepção delicada, controle dos movimentos e muita responsabilidade. Quando encontrei essa área, percebi que ela reunia técnica, cuidado e uma precisão que sempre fizeram sentido para mim”, relembra.
Ian formou-se em Medicina pela FAMENE, em João Pessoa, e realizou residência médica em Ortopedia e Traumatologia no IMIP/HMA, no Recife. A escolha pela coluna aconteceu ao longo da formação, quando passou a observar a complexidade dessa especialidade dentro da ortopedia. Depois, mudou-se para São Paulo, onde aprofundou sua formação em cirurgia da coluna na Faculdade de Medicina do ABC, ao lado do cirurgião Luciano Miller.
A trajetória ganhou capítulos fora do Brasil. Ian teve experiência acadêmica na Austrália, em 2014, e, em 2023, realizou formação complementar na Coreia do Sul, país reconhecido pelo desenvolvimento de técnicas avançadas em cirurgia minimamente invasiva da coluna. Na viagem, acompanhou serviços voltados à endoscopia e ao tratamento de deformidades, como escoliose e cifose.
O período coreano ampliou sua visão técnica, mas também reforçou a importância do vínculo. Ele encontrou uma cultura médica marcada por disciplina, acompanhamento próximo e atenção ao paciente.
“Na Coreia do Sul, vi uma medicina muito avançada, mas também muito atenta ao vínculo. A tecnologia estava presente, mas havia cuidado, acompanhamento e uma forma muito humana de ensinar e tratar”, comenta.
Tecnologia com indicação precisa
A cirurgia de coluna ainda desperta medo em muitos pacientes. Parte desse receio nasce de histórias antigas, informações incompletas ou da ideia de que qualquer procedimento na coluna representa um risco extremo. Ian reconhece esse tabu e vê na informação clara uma forma de reduzir inseguranças.
Em sua prática, reforça que a cirurgia não deve ser a primeira alternativa. Muitos quadros de dor na coluna, hérnia de disco e alterações degenerativas podem começar com tratamento conservador, que envolve fortalecimento muscular, fisioterapia, controle de peso, melhora postural e mudança de hábitos.
“A cirurgia não deve abrir a conversa. Em muitos casos, o paciente precisa primeiro de orientação, reabilitação e mudança de hábitos. Operar é uma possibilidade importante, mas deve entrar quando há indicação real”, explica.
Entre seus principais focos está a cirurgia endoscópica da coluna, abordagem minimamente invasiva que pode ser indicada, em casos selecionados, para hérnias de disco, estenoses de canal e compressões nervosas. Dentro da endoscopia, há técnicas como a uniportal, feita por um acesso, e a biportal, realizada por dois acessos. A escolha depende do diagnóstico, da localização da compressão, da estabilidade da coluna e das características de cada paciente.
Em casos bem indicados, essas técnicas podem permitir menor agressão aos tecidos, menor sangramento, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Ainda assim, Ian evita transformar tecnologia em promessa.
“A técnica precisa servir ao paciente, e não o contrário. A endoscopia uniportal e a biportal têm indicações próprias. O mais importante é entender qual procedimento oferece mais segurança e benefício para cada caso”, afirma.
Ao voltar da Coreia do Sul, Ian passou a se dedicar também ao ensino de endoscopia da coluna para neurocirurgiões e ortopedistas, tendo contribuído para a formação de mais de 400 especialistas em cirurgia minimamente invasiva. Nesse caminho, desenvolveu o EndoBox, simulador usado em treinamentos de cirurgia endoscópica da coluna. A proposta é permitir que médicos pratiquem etapas técnicas em ambiente de simulação antes de aplicar o conhecimento na rotina cirúrgica.
Para ele, ensinar faz parte da própria medicina. Durante sua formação, percebeu como bons professores podiam mudar a trajetória de um médico. Hoje, procura repetir essa lógica com colegas, residentes e especialistas em aperfeiçoamento.
“Sempre acreditei que o conhecimento precisa circular. Quando um médico ensina outro, o benefício não fica restrito a um grupo específico, ele se multiplica. E, como consequência desse compartilhamento, mais pacientes são beneficiados em todo o país”, reflete.

A dor que precisa ser ouvida
Apesar da atuação em tecnologia e cirurgia, Ian insiste que a dor não pode ser reduzida a um exame de imagem. Muitos pacientes chegam ao consultório depois de meses de limitação, noites mal dormidas, medo de se movimentar e frustração com tratamentos anteriores. A dor crônica pode alterar humor, sono, produtividade, relações familiares e autonomia.
Por isso, sua avaliação considera não apenas onde dói, mas como aquela dor interfere na vida da pessoa. Para ele, humanizar o atendimento não significa abrir mão da técnica. Significa aplicar conhecimento sem esquecer quem está diante do médico.
“A dor na coluna não afeta apenas uma região do corpo. Ela interfere no trabalho, no sono, no humor e na convivência. Por isso, ouvir e entender todo o contexto da história do paciente é tão importante quanto analisar o exame de imagem”, diz.
Esse olhar também aparece no cuidado com deformidades da coluna, como escoliose e cifose. Em crianças e adolescentes, sinais como assimetria nas costas, diferença na altura dos ombros, escápulas desalinhadas ou alteração no espaço entre os braços e o tronco merecem atenção. O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução e indicar medidas como reabilitação, colete ou, em casos específicos, cirurgia.
Na Coreia do Sul, Ian observou ações de triagem e avaliação em ambiente escolar, com testes simples, como o teste de Adams, para rastrear alterações na coluna. Para ele, ampliar esse tipo de cuidado poderia ajudar muitas famílias no Brasil. O impacto das deformidades, lembra, não é apenas físico. Pode afetar autoestima, imagem corporal e convivência social, especialmente na adolescência.
“Em deformidades da coluna, não tratamos apenas uma curva. Tratamos uma pessoa que muitas vezes carrega insegurança, medo e impacto na própria imagem. O cuidado precisa ser técnico, mas também sensível”, afirma.
Informação que protege
A internet mudou a relação entre pacientes e saúde. Muitas pessoas chegam ao consultório depois de pesquisar sintomas, tratamentos e procedimentos. Em alguns casos, isso ajuda; em outros, aumenta medos e expectativas. Ian acredita que o médico precisa ocupar também um papel educativo, com explicações claras sobre prevenção, sinais de alerta e limites de cada tratamento.
Um dos mitos que ele mais combate é a ideia de que dor na coluna exige abandono completo da atividade física. Salvo situações específicas e fases agudas, o movimento orientado costuma ser parte importante do cuidado.
“O corpo precisa de movimento. Na grande maioria dos casos, a reabilitação, o fortalecimento e a atividade física orientada são a chave para proteger a coluna e devolver confiança ao paciente”, orienta.
A prevenção passa por hábitos consistentes: evitar longos períodos sentado, fazer breves pausas durante o trabalho, fortalecer abdômen, glúteos, musculatura dorsal e membros inferiores, controlar o peso e cuidar da postura. O uso prolongado do celular com o pescoço flexionado também merece atenção, pois aumenta a sobrecarga na coluna cervical.
Nem toda dor na coluna indica gravidade, mas alguns sinais exigem avaliação: dor que irradia para braços ou pernas, dormência, formigamento, perda de força, dificuldade para andar, alterações do equilíbrio, febre, perda de peso sem explicação e alterações urinárias ou intestinais. Ian também alerta para a automedicação. O uso frequente de anti-inflamatórios sem orientação pode trazer riscos gástricos e renais, além de mascarar sintomas importantes.
O futuro como compromisso
A rotina de Ian reúne atendimento, cirurgia, ensino e atualização científica. Em São Paulo, concentra sua prática no tratamento de patologias da coluna, com foco em abordagens minimamente invasivas e cuidado individualizado. Fora do consultório e do centro cirúrgico, tenta manter hábitos que também recomenda aos pacientes, como atividade física, alimentação equilibrada e atenção à saúde mental.
Ao falar sobre qualidade de vida, ele recorre a uma ideia concreta: permitir que a pessoa retome movimentos, durma melhor, trabalhe com menos limitações e volte a confiar no próprio corpo. Seus próximos passos seguem ligados à atualização constante, ao ensino e ao desenvolvimento responsável de novas tecnologias. Ele pretende continuar acompanhando centros internacionais, especialmente na Coreia do Sul, e aprofundar o trabalho com deformidades e técnicas menos invasivas.
Sua trajetória, que começa na Paraíba e atravessa centros de formação no Brasil e no exterior, revela um médico que encontrou na coluna uma especialidade feita de equilíbrio. Entre a delicadeza das mãos, a disciplina do estudo e a atenção ao paciente, Ian constrói uma prática em que a tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui o olhar humano.
“Minha missão é trazer o melhor para quem confia no meu trabalho, com menos sofrimento e mais qualidade de vida. A cirurgia é um recurso importante, mas nem sempre é a resposta. Muitas vezes, o paciente precisa de direção, cuidado e acompanhamento bem-feitos.”
CRM: 221441/SP | RQE Nº: 96728
Instagram: @dr.ianbustorff
Site: https://www.drianbustorff.com.br | https://www.endoboxspine.com.br

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