Filipe Arruda encontra na escuta o gesto mais preciso da medicina

Médico cearense e cirurgião da coluna faz da escuta uma parte essencial do cuidado com pacientes que convivem com dor

Em uma área da medicina marcada por medo, dor e desinformação, Filipe Arruda constrói sua trajetória a partir de um princípio simples: nenhum tratamento faz sentido se o paciente for reduzido ao exame. Cirurgião da coluna, o médico cearense desenvolve uma prática guiada por formação sólida, atualização constante e atenção ao impacto que a dor provoca na vida de quem chega ao consultório.

Natural de Fortaleza, cresceu em um ambiente em que a medicina já ocupava lugar central. Do pai, médico, herdou a disciplina e o rigor com a formação. De sua mãe, ligada ao turismo, absorveu a comunicação fácil e a proximidade com as pessoas. Essa combinação ajuda a explicar a marca que imprime ao trabalho: precisão técnica sem abrir mão da escuta.

“A pessoa não chega ao consultório trazendo apenas uma queixa física. Muitas vezes, ela já vem esgotada, sem dormir bem, sem conseguir trabalhar com tranquilidade e sem saber mais em quem confiar. Quando o médico entende que aquela dor já atravessou a rotina, a consulta deixa de ser só técnica e passa a ser também um espaço de acolhimento e clareza.”

Formação e escolha pela cirurgia da coluna

A escolha pela medicina surge cedo, mas o caminho até a especialidade passa por discernimento. Após se formar no Ceará, Filipe segue para a residência em Ortopedia na Universidade Federal do Ceará. Em seguida, aprofunda a formação em cirurgia da coluna em serviços de referência, como o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, onde adquire experiência importante em deformidades e escoliose pediátrica, e também na UFMG, em Minas Gerais, onde amplia a vivência em casos de coluna em adultos.

Sua trajetória inclui ainda passagens por hospitais de trauma e uma rotina permanente de cursos e treinamentos.

Para ele, se atualizar não é um diferencial, mas parte da responsabilidade da especialidade. Em cirurgia da coluna, explica, cada decisão interfere diretamente no movimento, na autonomia e na qualidade de vida.

“A cirurgia da coluna exige preparo contínuo. Cada conduta tem consequência concreta sobre a dor, a funcionalidade e a perspectiva de vida do paciente. Por isso, manter-se em formação permanente não é um acréscimo ao trabalho; é parte do compromisso ético que essa área exige.”

Apesar da influência do pai, neurocirurgião, percebe ainda na graduação que não seguiria exatamente a mesma trilha. Na coluna, encontra um campo em que ortopedia e neurocirurgia dialogam, mas onde também vê uma possibilidade que o mobiliza de forma mais direta: devolver movimento e independência a quem chega limitado pela dor.

“Sempre enxerguei a coluna como um campo em que a medicina consegue interferir de forma muito clara na vida real das pessoas. Quando a conduta é bem indicada, o paciente volta a caminhar melhor, a dormir melhor, a trabalhar e a recuperar a confiança no próprio corpo. Isso muda muito.”

O paciente além do exame

Ao longo da carreira, Filipe reforça uma convicção: imagem e diagnóstico são essenciais, mas não bastam. A dor, em sua visão, precisa ser compreendida também como experiência. Ela afeta o sono, o humor, o trabalho, a renda, a vida doméstica e a forma como a pessoa passa a se perceber.

Esse olhar se torna ainda mais evidente ao falar dos pacientes que chegam ao consultório após uma longa peregrinação. São pessoas que já passaram por emergências, medicações, exames repetidos e tentativas frustradas. Muitas chegam descrentes, já convencidas de que conviver com dor será um fardo que carregarão para sempre.

“A dor não atinge só a coluna. Ela interfere no descanso, no convívio familiar, no rendimento profissional e na autoestima. Se o médico olha apenas para o exame, ele até identifica a doença, mas não alcança o que aquela condição já desorganizou na vida do paciente.”

Por isso, sua ideia de atendimento humanizado passa por explicar com clareza, alinhar expectativas e evitar respostas automáticas. Em uma área ainda cercada por receios, especialmente em torno da cirurgia, esse vínculo se torna parte importante do cuidado.

“O paciente não guarda apenas a técnica usada. Ele guarda a forma como foi ouvido, a serenidade com que recebeu a verdade e a segurança que sentiu quando estava mais vulnerável. Esse vínculo participa do tratamento.”

Dor, desinformação e o momento certo de tratar

Na prática, Filipe convive com um cenário recorrente: pacientes que chegam tardiamente ao especialista por medo, automedicação, dificuldade de acesso ou excesso de desinformação. Isso se reflete em quadros como hérnia de disco, escoliose, dores crônicas e doenças degenerativas mais complexas.

Ao abordar esses temas, ele insiste em um ponto central: a conduta precisa ser individualizada. Nem toda dor exige cirurgia, nem todo quadro melhora apenas com medicação e nem toda tecnologia substitui uma boa indicação. O desafio está em reconhecer quando insistir no tratamento conservador e quando agir para evitar perda funcional.

“Hoje temos mais recursos, mais precisão diagnóstica e técnicas menos invasivas, mas o centro da decisão continua sendo o paciente. Há situações que respondem bem à fisioterapia, medicação e procedimentos intervencionistas, e outras em que a cirurgia precisa ser realizada no momento correto para preservar função e qualidade de vida. Não existe uma resposta única para todos.”

Ele também reconhece o peso do estigma que ainda cerca a cirurgia da coluna. Muitos pacientes chegam com receios antigos, ligados à ideia de sequelas inevitáveis ou de uma recuperação sempre difícil. Em vez de minimizar esse medo, prefere enfrentá-lo com informação clara.

“A cirurgia da coluna evoluiu muito em precisão, segurança e recuperação, especialmente em casos bem indicados. Mas a boa cirurgia não começa no centro cirúrgico. Ela começa na escolha correta do momento, na definição precisa da indicação e no alinhamento honesto do que pode ser esperado.”

O cuidado que continua e o legado que deseja deixar

Para Filipe, o cuidado não termina na consulta nem na decisão terapêutica. Ele se estende ao pré-operatório, ao pós-operatório e à forma como o paciente atravessa todo o processo. Explicar exames, orientar familiares e manter presença nos momentos de maior insegurança fazem parte da medicina que o médico visa aplicar em seu dia a dia.

“Uma explicação dada com calma ou uma ligação no momento certo pode mudar a forma como o paciente vive aquele processo. Em uma área cercada por medo, presença e clareza também são instrumentos de cuidado.”

Embora fale da profissão com entusiasmo, ele não a idealiza. Reconhece o desgaste emocional, o peso da burocracia e a intensidade de lidar diariamente com sofrimento e expectativa. Ainda assim, deseja seguir na área com mais estrutura, menos sobrecarga e a mesma convicção que orienta sua trajetória desde o início.

“Quero continuar exercendo uma medicina em que a técnica seja indispensável, mas nunca maior do que a pessoa que precisa dela. Antes da doença, existe alguém com medo, com história e com esperança. Se eu conseguir seguir cuidando sem perder essa consciência, já estarei preservando o que considero mais valioso no meu trabalho. A medicina mais avançada, para mim, sempre será aquela que não perde a humanidade.”

CRM: 12409/CE | RQE nº: 9254

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Site: https://drfilipearruda.com.br

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