Cantor de 83 anos mudou de vida após pedido a presidente da Ditadura: “Um maluco”
Artista começou a se interessar pelo meio musical no primeiro ano de academia militar

No auge do sucesso nos anos 70, o cantor Cyro Aguiar (83) destacou-se como um dos principais nomes ligados ao movimento da Jovem Guarda no país. Ele lançou canções como “Do You Like Samba” e “Crítica”, que lhe deram fama imediata. Portanto, uma curiosidade que o famoso carrega em sua trajetória é que ele quase não se tornou cantor.
Em entrevista ao Antenados, da Band, ele explicou que fez concurso para a escola militar, indo estudar primeiro em Fortaleza e depois em Porto Alegre. Ao terminar o curso no Sul, ele foi para a Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN), focado em uma carreira no exército, e no primeiro ano da academia, já começou a se interessar muito por música.

Largou a vida militar para ser cantor
Cyro contou ainda que pediu ao presidente da época da Ditadura, Emílio Garrastazu Médici (1905-1985), para largar a vida militar e se tornar artista musical. “Meu primo montou um conjunto de rock e no final de semana eu ia e cantava com o conjunto. Começou a virar minha cabeça e acabei saindo da escola militar para ser cantor de rock. Pode? Acharam que eu era um maluco (risos)”, relembrou o músico, no bate-papo.
“Quando eu resolvi falei para o meu capitão que estava querendo me desligar. Ele falou: ‘Não posso resolver, você vai falar lá com o comandante’. Sabe quem era o comandante? Emílio Médici. Fui falar com ele, ele me recebeu e perguntou o porquê eu queria sair. Falei que queria me dedicar à música. Eu falei: ‘General, quero dar prioridade à minha carreira artística’. Ele falou: ‘Vou te dar 15 dias para você pensar’”, revelou Cyro. O dono do hit “Igual a uma boneca” contou ainda que não se arrependeu de trocar de profissão, e que inclusive fez grandes amigos no exército e os manteve.

Amizades da Jovem Guarda
Conhecido pela versatilidade artística, Aguiar construiu uma carreira marcada pela experimentação sonora, incorporando influências diversas e combinando o rock com o samba em suas interpretações. O cantor também destacou, na entrevista, o ambiente de amizade entre os integrantes da Jovem Guarda, recordando que o grupo mantinha relações próximas mesmo no período da ditadura militar.
Na época, segundo relatava, houve críticas que os rotulavam como “alienados, entreguistas e americanistas”, embora a recepção popular fosse bastante positiva. Para o artista, a Jovem Guarda representou não apenas um fenômeno musical, mas também um movimento social de grande relevância.