Wagner Moura reflete sobre seu engajamento político: “Nem todo mundo”
Indicado ao Oscar, Wagner Moura cometa o impacto da desinformação e explica por que não pretende abrir mão de se posicionar

Wagner Moura vive um dos períodos mais marcantes da carreira com o sucesso de O Agente Secreto em festivais internacionais e a forte repercussão da estreia nacional. A produção já acumula prêmios em Cannes, Chicago e em dezenas de outros festivais, além de representar o Brasil no Oscar 2026.
Ambientado no Recife de 1977, o longa acompanha Marcelo, vivido por Moura, um professor universitário que tenta reconstruir a vida em meio às tensões da ditadura militar. “Esse filme é um produto cultural do Brasil, que nos representa lá fora e mostra aqui dentro outras partes do país”, afirmou o ator à GQ.
Ele também fez um paralelo entre o momento político e a criação artística: “O mais interessante é observar como a cultura e a democracia andam juntas. O Brasil voltou a ser uma nação de tendências democráticas e, automaticamente, começou a ter filmes bons de novo, bombando nos festivais. É isso: quem gosta de democracia gosta de cultura.”
Wagner Moura reflete sobre posicionamento político
Fora das telas, o ator mantém forte envolvimento político. Na peça Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo, sua primeira fala provoca reflexão imediata: “A verdade acabou. Isso é o que mais me assusta. Não existem mais fatos. Só versões.” O pensamento se reflete na forma como ele enxerga o cenário atual. “É a maior inimiga da democracia. Quem tem opiniões diferentes das suas vira, automaticamente, um inimigo. Isso acontece dos dois lados”, afirmou ao analisar os efeitos da polarização e da desinformação.
Moura também comentou sobre sua presença em manifestações em setembro. Ele participou de uma passeata em Salvador e discursou em um trio elétrico. “Não julgo quem prefere ficar calado, porque quem se posiciona precisa aguentar as consequências. Nem todo mundo está pronto para isso. Uma vez que você fala, não dá para voltar atrás”, disse.
Aos 49 anos, o ator mantém a postura firme que marcou sua trajetória pública, reforçando que o engajamento político segue sendo parte inseparável da forma como entende a arte, a democracia e o próprio país.
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