Cinema / CORRIDA PELO OSCAR 2026

Wagner Moura valoriza artistas brasileiros e defende O Agente Secreto: “O Brasil precisa se olhar”

Cotado ao Oscar 2026, o ator Wagner Moura fala sobre O Agente Secreto e a importância da valorização da cultura brasileira

Wagner Moura
Wagner Moura (Foto:Clayton Felizardo/ Brazilnews)

Em O Agente Secreto, Wagner Moura (49) dá vida a Marcelo, um professor de tecnologia que deixa São Paulo em busca de uma nova vida em Recife, tentando escapar de um passado violento e de um país tomado pelo medo na época da Ditadura Militar em 1977. No centro da corrida internacional pelo Oscar 2026, o ator esteve em São Paulo, nesta terça-feira, 28, para coletiva de imprensa do longa de Kleber Mendonça Filho (56), com participação da CARAS Brasil

Antes da turnê de exibição do filme em diferentes países do mundo, o ator conversou sobre o impacto da história e o quanto O Agente Secreto dialoga com o país que ainda tenta se compreender. O artista começa falando sobre a importância da memória nacional e o peso das feridas que o país insiste em esconder.

“Lei da anistia que foi uma lei que apagou a memória do Brasil. Se a gente não tivesse tido esse apagamento, talvez o presente fosse outro. A memória é algo fundamental, e não apenas a cultura do cinema. O jornalismo, a universidade, a sociedade como um todo — todos nós temos a obrigação de preservar a nossa memória. É assim que crescemos, que nos entendemos, que nos enxergamos”, explica.

O ator destaca o tom de urgência na valorização e da compreensão da cultura e da história brasileira. Para ele, o cinema nacional tem o papel de mostrar para a nova geração os acontecimentos que tornaram o Brasil um país sombrio no passado.

“Que a gente pudesse existir como artistas. E não só isso. Sabe, criadores como atores baianos como eu, o Lázaro Ramos, o Vladimir Brichta de Minas Gerais… que a gente pudesse existir como artistas. Porque um país precisa se ver na sua cultura, precisa se olhar. Um país só existe de fato quando consegue se enxergar”, reflete.

Em meio ao reconhecimento internacional, o ator celebra o olhar estrangeiro sobre o Brasil, mas enfatiza que a maior conquista é a autorreconstrução coletiva. “Quando a gente vai para fora com esse filme, as pessoas veem o Brasil, e isso é um plus, é um ganho a mais, eu acho. Porque lá fora também estão nos vendo, estão vendo a nossa realidade, o nosso jeito, o nosso cabelo, as nossas loucuras. Acho isso maravilhoso. É uma imagem que a gente está levando adiante, mas, acima de tudo, somos nós nos vendo”, afirma.

Wagner fala com afeto sobre a história do cinema nacional, comparando O Agente Secreto ao espírito inquieto das obras que marcaram o Cinema Novo. “Em diferentes totais, a história do cinema brasileiro é quase documentarista. É um cinema que nasce da tentativa de entender que país é esse. O Cinema Novo, por exemplo, é exatamente isso: um cinema que questiona, que reflete, que país é esse? Que limites são esses? Que vida é essa que a gente está vivendo?”, comenta.

“Essa inquietação é uma característica muito forte do nosso cinema. E, às vezes, eu nem lembro mais de onde venho, de que Brasil sou. Mas é justamente esse mergulho que faz o cinema sul-americano ser tão potente. Acho isso incrível”, completa o astro brasileiro.

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Paulo Henrique Lima é repórter de pautas especiais do Grupo Perfil. Tem passagens por diversos veículos de comunicação na web. É apaixonado por entretenimento e realities.