Cantora Majur reforça importância da fé e celebra a vida em nova fase: ‘O amanhã sempre vai chegar’
Majur celebra 30 anos nesta terça-feira, 21; em entrevista à CARAS Brasil, a cantora fala sobre esta nova fase, faz um balanço da trajetória artística e vibra pelo amanhã

“Eu queria muito algumas respostas e, de repente, me vi com todas elas”, é assim que Majur declara sobre a chegada dos seus 30 anos. A cantora completa três décadas nesta terça-feira, 21, com muito orgulho de sua trajetória. Com apenas seis anos de carreira, ela acumula feitos históricos e tem ganhado cada vez mais espaço na indústria musical, onde consagrou como a primeira mulher trans brasileira a cantar no Palco Mundo do Rock in Rio.
Em entrevista à CARAS Brasil, Majur abre a intimidade ao falar da expectativa com a chegada dos 30 anos, reflete sobre trajetória artística, representatividade e vibra com a nova fase. Durante sua participação no Rock in Rio, no ano de 2024, a cantora emocionou ao dizer é preciso ter fé em dias melhores. Agora, ela reforça.
“Quando eu disse que ‘o amanhã sempre vai chegar’, foi porque percebo que muitas pessoas perdem a esperança baseadas no presente. Às vezes, o hoje não é um bom dia, mas isso não significa que o amanhã também será ruim. É preciso ter fé e acreditar. Eu acreditei muito que, ao chegar aos 30 anos, eu seria uma mulher bem-sucedida, com uma carreira sólida e é isso que eu sou hoje. Batalhei por isso. E, para conseguir, tive que ter fé. Essa é a base para começar qualquer sonho”, confessa.

O melhor momento é este e agora!
Da Bahia para o mundo, a artista quer compartilhar com o público sua música e sua filosofia de vida. Ao refletir sobre a nova fase, ela aponta: “Eu queria muito algumas respostas e, de repente, me vi com todas elas”, revela. Realizada, Majur celebra a trajetória na arte e entrega próximos sonhos.
“Agora sinto que preciso respirar e assimilar. Cheguei onde eu queria: realizei o desejo de ser eu mesma e bem-sucedida. Eu nasci e fui construindo minhas partes, mas agora estou inteira. Agora quero uma casa, um carro, uma casa para minha mãe [risos]. Tenho muito a dizer, e muitas músicas vêm para falar por mim. Aguardem!”, revela.
Abaixo, confira trechos editados da conversa de Majur à CARAS Brasil.
Como define a Majur que acabou de completar 30 anos?
– Eu sou uma Ialorixá, uma mãe de santo, uma pessoa que indica um caminho. Não o ‘melhor’ caminho, nem o ‘maior’, mas o caminho para quem o procura. Com meu novo álbum, ‘Gira Mundo’, meu intuito é exatamente esse: oferecer caminhos, através da cultura e das religiões de matriz africana, para quem precisa. É sobre isso.
Na sociedade brasileira, a realidade para uma mulher trans é desafiadora, como se sente sendo uma artística reconhecida e que inspira tantas pessoas?
– Estou viva, sou ouvida, compreendida. Sou referência para milhares de pessoas no Brasil e no mundo, e ajudo muitas delas por meio da minha voz. Aos 30 anos, estou exatamente onde deveria estar. E agora tem muito mais: mais maturidade, mais segurança.
O que diria para as pessoas que te tem como inspiração?
– Me vejam, mas queiram ser vocês mesmas, autênticas, felizes, radiantes, cheias de brilho. Queiram brilhar com sua própria luz. A maior potência está em ser o máximo de si mesma. A vida é um sopro, um tempo que não está sob nosso controle e que está nas mãos de Deus. Então, enquanto estiver viva, viva intensamente. Seja feliz, siga seus sonhos, seus desejos, cresça. É isso que eu espero que as pessoas sintam quando me veem.
Cinco meses após o lançamento de ‘Gira Mundo’, seu terceiro álbum de estúdio, quais reflexões faz sobre esta obra?
– Um mergulho profundo nas raízes das matrizes africanas e na cultura afro-brasileira. É uma missão para mim e para quem esperava e encontrou esse álbum. Estamos com quase 3 milhões de streams totais em 5 meses, em um álbum de axé, todo em yorubá. Isso é muito grande, e estou feliz. Percebo que não é um álbum para estar em festivais, no meio das bebidas da festa carnal. É um trabalho de muito respeito, feito para ser ouvido em casa, no fone de ouvido. A pessoa e a experiência.
Tem algum projeto pensando em Gira Mundo?
– Queria muito poder fazer uma turnê gigante, mas entendo a complexidade e a sensibilidade do álbum, que, no nosso país, é uma expressão religiosa, e nem todos estão abertos a isso.
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