Cinema / Entrevista

Em visita ao Brasil, Max Burkholder destaca influência pessoal em personagem de ‘Ted’

O ator Max Burkholder falou sobre a caracterização do seu papel em ‘Ted’, série original Universal +, e deu detalhes exclusivos sobre sua carreira

Max Burkholder - Foto: Getty Images
Max Burkholder - Foto: Getty Images

Max Burkholder, de 27 anos, é um ator norte-americano que iniciou sua carreira ainda criança e rapidamente se destacou por atuações emocionantes. O escorpiano nascido em novembro de 1997 em Los Angeles, símbolo da indústria cinematográfica americana, ganhou projeção internacional ao interpretar Max Braverman em “Parenthood”, personagem este que rendeu a ele indicações a prêmios e reconhecimento, por sua autenticidade e sensibilidade ao representar um jovem com síndrome de Asperger.

O ator também já atuou nos filmes “Daddy Day Care” (2003) e ‘The Purge’ (2013); além de suas participações nas famosas séries ‘CSI: NY’ (2004) e ‘Grey’s Anatomy’ (2005).

Em visita ao Brasil junto à Universal+, o ator falou sobre seu papel na série ‘Ted’, original da plataforma. Burkholder dá vida ao protagonista humano da produção, John Bennett, um adolescente comum que vive com seus pais e tem o urso de pelúcia ‘Ted’ — que ganhou vida graças a um desejo de infância de John — como melhor amigo.

Max também deu detalhes exclusivos sobre sua carreira no mundo cinematográfico e diretores que o inspira. Leia na íntegra:

– Você está na série Ted agora — como foi entrar em um personagem que os fãs já meio que conhecem, mas colocando o seu próprio toque?

A coisa com a qual eu queria ter muito cuidado, especialmente entrando na 1ª temporada, foi não fazer uma imitação do Mark Wahlberg. Obviamente é um personagem que ele fez, ele interpretou a versão mais velha, mas… é o mesmo cara em um momento de vida muito diferente. Mas com certeza eu queria ter certeza de que eu não estava fazendo uma imitação dele.

Acho que a maior parte disso realmente vem da escrita. Ele foi escrito como um personagem bem diferente do dos filmes. Mas o senso de humor ainda é o mesmo, as piadas, o timing ainda são muito parecidos, mas por conta do fato de que ele é um perdedor no ensino médio, eu não tive que me esforçar tanto (“do that much heavy lifting”) para trazer isso para ele.

– Quão estranho foi atuar com um urso de pelúcia que na verdade não estava lá? Teve algum momento engraçado ou totalmente constrangedor no set?

Foi difícil pra mim por umas duas semanas, eu diria, antes de começarmos a filmar. Você consegue encontrar fotos minhas na internet — os produtores mandaram para todo o elenco bonecos do Ted em tamanho real, pra gente se acostumar com o tamanho dele. Eu colocava ele no banco do passageiro do meu carro enquanto dirigia, conversava com ele como se fosse uma pessoa.

Mas ainda levou um tempinho para me adaptar de verdade no set. Depois de algumas semanas, você meio que aprende a escolher um ponto, olhar pra ele e imaginar onde o Ted estaria. Especialmente agora, depois de fazer isso por tanto tempo, eu consigo olhar pra qualquer lugar do ambiente e dizer: “ah, é ali que ele estaria”, “é mais ou menos dessa altura”.

– Quando você interpretou Max Braverman, que tinha Asperger — o que esse papel significou para você pessoalmente? Mudou algo em você?

Essa é uma ótima pergunta também. Quero dizer… quantos anos eu tinha quando comecei? Acho que tinha uns 10 quando filmamos o piloto de Parenthood. Então, naquele momento, eu nem entendia totalmente o que estava fazendo até mais tarde, com uns 15 ou 16 anos, algo assim.

Esse papel significa muito pra mim. Eu fiquei naquela série por muito tempo, tipo 7 ou 8 anos. Mas o que mais significa pra mim é o que esse personagem representou para outras pessoas. Até hoje eu recebo mensagens de pessoas online ou pessoalmente dizendo que aquele papel foi muito importante pra elas ou pra alguém da família. E eu meio que tomo esse retorno como o verdadeiro significado do papel pra mim. Aquilo foi há uns 10 anos, e ainda hoje as pessoas encontram maneiras de se conectar com o personagem. Isso foi realmente muito significativo.

– Você ainda era uma criança quando fez Uma Noite de Crime (The Purge), que tem uma energia intensa — teve alguma cena que ficou marcada pra você?

Nada disso foi difícil nesse sentido, mesmo sendo um filme de terror. Quero dizer, você sabe tudo o que vai acontecer — esse é o trabalho: você tem que vender a cena e demonstrar medo mesmo sabendo exatamente o que vai acontecer. Mas… o jeito que fizeram meu cabelo naquele filme… aquilo foi complicado, foi horrível. Eu sinto que eu parecia uma versão bem ruim da Dora Aventureira, com o cabelo curto, liso, tipo um chanelzinho. E acho que nunca falei isso em uma entrevista antes, mas tem uma coisa que me incomoda MUITO quando assisto ao filme: tem um momento em que eu estou usando uma quantidade diferente de roupa de uma cena pra outra. É um erro enorme de continuidade! Eu fui falar com o diretor e os produtores dizendo “a gente devia mudar isso”, e eles disseram “ninguém vai perceber”. E eles tinham razão, ninguém percebeu. Mas ainda assim, toda vez que eu assisto, eu fico tipo: “ah, pelo amor de Deus…”

– Existe algum escritor, diretor ou ator que te inspira hoje em dia?

Como atores, eu sempre amei o Sean Penn, o Tom Hanks… o Kieran Culkin é outro que me faz pensar “meu Deus, o que esse cara está fazendo, eu quero conseguir fazer também”. Alguém de quem eu sou fã há muito tempo — sempre que vejo ele aparecendo em alguma coisa — é o Jimmy Simpson. Ele é fantástico. Diretores… trabalhar com o Seth Macfarlane foi muito interessante e incrível, ele tem um estilo de direção muito diferente das outras pessoas. E aí fica difícil, porque todo diretor com quem eu digo que adoraria trabalhar é meio óbvio, tipo: “sim, eu amaria trabalhar com o Tarantino, com o Martin Scorsese”… mas isso já entra na categoria “sonho bem distante”, com certeza.

– O que você aprendeu com os personagens que interpretou e que levou para a sua vida pessoal?

Outra boa pergunta. Não sei… eu tendo a interpretar uns esquisitinhos, uns “freaks”, então espero não ter levado tanto assim deles pra minha vida (risos). Mas sempre tem um pouquinho de cada personagem em você, sabe? Você precisa encontrar uma parte de si mesmo que já estava ali e trazer isso pra forma do personagem. Nada que tenha mudado minha vida completamente, mas acho que com Ted, em particular, foi um bom lembrete: interpretar alguém como o John me fez pensar “cara, você não precisa levar tudo tão a sério o tempo todo, você pode relaxar e curtir”. Acho que eu diria isso.

– Que conselho você daria para crianças ou adolescentes que estão começando a atuar, assim como você começou?

Se você está começando jovem… eu tive muita sorte com meus pais. Eles já estavam na indústria há muito tempo antes de eu começar, então eu tinha muita gente cuidando de mim e consegui evitar coisas ruins que a gente vê acontecer com crianças que crescem nesse meio. Então: encontre pessoas em quem você confia. Se proteja 100%. E um conselho prático: esteja sempre em uma boa aula de atuação. Mesmo que você ache que não precisa, é muito importante.

Entrevista por Laura Celis