Psicóloga explica efeitos do vício enfrentado por famosos: ‘Toda compulsão esconde uma falta’
Psicóloga explica à CARAS Brasil os impactos e estratégias para superar o vício enfrentado por famosos como Fernando Scherer, Britney Spears e Terry Crews

Um desafio que começou nas redes sociais há mais de uma década tem ganhado cada vez mais espaço fora da internet: o ‘No Fap September‘. A proposta é simples, mas polêmica: passar um mês inteiro sem masturbação e sem consumir pornografia.
O movimento, que surgiu como uma forma de estimular o autocontrole e discutir os efeitos do excesso desses hábitos, já foi tema até entre celebridades. Nomes como Fernando Scherer (Xuxa), Erasmo Viana, Gustavo Tubarão, Carmo Dalla Vecchia, Terry Crews, Enzo Romani, Cara Delevingne, Britney Spears e Pyong Lee já falaram publicamente sobre suas experiências e sobre como lidaram com os vícios em pornografia.
Para entender melhor o assunto, a CARAS Brasil conversou com a psicóloga Letícia de Oliveira, que analisou os impactos da prática e os gatilhos que levam tantas pessoas a enfrentar essa compulsão.
O vício em pornografia e a ansiedade
Segundo a especialista, o comportamento compulsivo está diretamente ligado à falta de controle diante da ansiedade.
“Toda compulsão esconde uma falta, um excesso de ansiedade. Podemos fazer uma correlação com o excesso de ansiedade ao qual as pessoas famosas são expostas. Existe uma conexão com a vaidade, com o físico, com estímulos rápidos de prazer. Quando falamos de pornografia, relacionamos à recompensa imediata que vem com a dopamina, esse hormônio ligado ao prazer instantâneo.”
Ela explica que, assim como ocorre com drogas e álcool, o consumo excessivo de pornografia também pode ser caracterizado como vício.
“Da mesma forma que temos pessoas com vícios em drogas e em bebida, também temos pessoas com vícios em pornografia. E esses vícios podem até estar associados, não necessariamente um exclui o outro.”
As consequências do vício
Ainda que muitos acreditem que assistir pornografia não traz grandes prejuízos, a psicóloga alerta que os efeitos no cérebro são reais.
“O que isso impacta? De uma forma geral, pode parecer que não traz prejuízo, já que não envolve um gasto financeiro direto. Mas o cérebro vai ficando cada vez mais condicionado a esse boom de dopamina, e passa a comparar com outras relações. Assim, a pessoa acaba idealizando e se frustrando quando vive relações reais.”
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Esse ciclo, segundo ela, pode afastar as pessoas de conexões verdadeiras.
“É muito comum vermos pessoas se distanciando de relações comuns à medida que ficam mais viciadas em pornografia. E isso acaba trazendo sentimentos de culpa, arrependimento, uma sensação de sujeira ou de promiscuidade. Muitas carregam esse mal-estar, típico de um quadro de abuso. É parecido com o que alguém sente após o uso excessivo de bebida ou drogas: o mesmo ocorre depois do consumo da pornografia.”
Como quebrar o ciclo?
Para Letícia, o caminho envolve ressignificar o vazio que leva à busca por prazer imediato.
“O que precisa mudar é a compreensão desse quadro, desse vazio que é preenchido pela dopamina. É necessário avaliar as relações de profundidade e condicionar a pessoa a desenvolver maior capacidade de resiliência e enfrentamento.”
Ela acrescenta que muitas vezes o consumo de pornografia surge como uma fuga: “Muita gente usa a pornografia como uma fuga: se frustra com alguma questão e recorre a esse vício para ter um prazer imediato e um alívio instantâneo.”
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