Cinema / Luto

Morre Claudia Cardinale, aclamada atriz do cinema europeu, aos 87 anos

A atriz Claudia Cardinale, que brilhou no cinema italiano, faleceu aos 87 anos de idade na França. Relembre uma entrevista exclusiva feita no Castelo de CARAS

Claudia Cardinale - Foto: Getty Images
Claudia Cardinale - Foto: Getty Images

A atriz Claudia Cardinale morreu aos 87 anos de idade. De acordo com a imprensa internacional, a morte dela aconteceu na França, enquanto estava rodeada pelos filhos. A causa do falecimento ainda não foi revelada publicamente.

Cardinale foi uma estrela aclamada do cinema italiano. Ela atuou em mais de 100 filmes e obras para a televisão. Ela conquistou fama mundial ao atuar em ‘8 e meio’, de Federico Fellini, em 1963, também em O Leopardo, de Luchino Visconti, e Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone.

A atriz nasceu na Tunísia, filha de sicilianos, e iniciou sua carreira artística aos 17 anos ao vencer um concurso de beleza. Ela chamou a atenção ao surgir no Festival de Cinema de Veneza e entrou para a indústria cinematográfica italiana. Em sua trajetória, ela chegou a ser comparada com Brigitte Bardot.

Ao longo de sua carreira, ela era escalada para interpretar mulheres de sangue quente por causa de seus grandes olhos e voz grave. Inclusive, ela recusou um contrato com o cinema de Hollywood porque eles queriam exclusividade, mas ela não quis abandonar o cinema europeu.

Claudia Cardinale deixou dois filhos.

Claudia Cardinale já esteve no Castelo de CARAS

Na primeira edição do Castelo de CARAS na Itália, a atriz Claudia Cardinale concedeu uma entrevista exclusiva à Revista CARAS. Na época, ela estava com 69 anos e relembrou sua trajetória no cinema. “Lembro que meu primeiro teste para o cinema foi um desastre. Fiquei muda, olhando a comissão julgadora. Eles me aceitaram por conta do meu forte temperamento e me deram uma bolsa de estudos na Cinecittà (local onde se concentravam os estúdios do cinema italiano). Depois de dois meses de curso, fui embora, batendo a porta. Não queria filmar. Cinema é como um homem, você deve rejeitá-lo para ser desejada“, afirmou.

Relembre a entrevista:

– Foi bom retornar à Itália?
– Sempre me senti italiana. Meu pai nunca se naturalizou na Tunísia. Estou sempre conectada com este país. Aqui no Castelo, tive a companhia de pessoas muito amáveis. A propriedade medieval e a paisagem de olivas e vinhas fizeram com que eu voltasse no tempo. Entre os obras que vi aqui, me impressionou o quadro de São Jorge, do Fábio Balen (artista plástico gaúcho). É interessante como os brasileiros adoram este santo, que tem uma energia maravilhosa. Ele usou cores incríveis.

– Como consegue conciliar a carreira com a família?
– Consigo separar minha vida pessoal do meu trabalho. Quero ser comentada por minhas interpretações. Sempre tive os paparazzi à volta, mas eles me respeitam. As pessoas gostam muito de mim, talvez porque eu seja normal (risos). Existem artistas que se acham divas e saem sempre com guardacostas. Eu, não. Nos meus filmes, nunca usei dublês e na vida real sempre me defendi sozinha.

– Como se transformou na musa de Federico Fellini?
– Fellini vinha todos os dias à minha casa. Eu ficava totalmente muda. E ele falava, falava… Dizia que eu lhe dava inspiração. Fellini me via como uma aparição.

– E o seu trabalho nos estúdios de Hollywood?
– Depois que assinei um contrato com a Universal, me deram o camarim que fora de Marilyn Monroe. Quando abri a gaveta, encontrei todas suas coisas, maquiagem, fotos, bilhetes, foi muito emocionante. Lá na Universal realizei meu sonho de conhecer Alfred Hitchcock.

– Consegue separar a Claudia Cardinale atriz da mãe, mulher e militante?
– Para as câmeras, sou Claudia. Atrás delas, sou Claude (Claude Josephine Rose Cardinale), que é o meu verdadeiro nome. Separo muito bem quando vivo um personagem e quando sou eu mesma. Interpretei, de princesa a prostituta, quase todos os papéis da literatura italiana. Normalmente, se vive uma vida só, mas eu vivi 130 vidas, pois foram 130 filmes. Atuar serviu para abrir minha mente. O importante é ter força interior porque, se você é frágil, perde a essência.

– Como é ser embaixadora da UNESCO?
– É um enorme orgulho. Trabalhei a favor das mulheres islâmicas e também pela liberdade de homens e mulheres. Ultimamente, venho me empenhando pela preservação da ecologia. Lutei muito por Amina Lawal, a nigeriana condenada a apedrejamento, em 2002, por adultério. Fiz um abaixo-assinado para salvá-la.

– Quais são seus truques para se manter bonita?
– Eu não sou bonita. Minha juventude está na mente, me sinto com 20 anos. Nunca fiz lifting porque é um sinal de fragilidade. Me cuido bastante com cremes, mas tenho rugas. Cada idade tem sua beleza. Me incomoda as mulheres todas refeitas, de bocas com silicone, são todas iguais, uns robôs. O que tenho é o rosto fotogênico, com as maçãs altas e o olhar sempre penetrante. Beleza não tem importância. O que vale é o que se consegue transmitir. Não exterior, e sim, interior.

Priscilla Comoti é editora de conteúdo do site CARAS. Ela é formada em jornalismo e em audiovisual, já passou pelos sites Contigo!, Minha Novela, TiTiTi, Mais Novela e Portal Márcia Piovesan. Escreve sobre celebridades, notícias sobre a família real britânica, TV, reality show e novelas.