Giselle Rodrigues mostra como a dor crônica pode ser compreendida: ‘sentir dor todos os dias não é normal’

Sentir dor todos os dias não é normal. A frase guia a prática clínica de Giselle Rodrigues, especialista em Clínica Médica com atuação em Medicina da Dor. Sua história começou longe dos grandes centros urbanos, em Natividade, interior do Rio de Janeiro, e ganhou corpo quando a vocação pelo cuidado a aproximou do sofrimento humano antes mesmo do jaleco branco.
Em seguida, ela cursou enfermagem na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), experiência que moldou o modo de ver o paciente e a condução das consultas. “A enfermagem me coloca perto de quem sofre, com a mão que acolhe e o olhar que observa”, recorda. A seguir, já na Medicina, ela mostrou a mesma disposição de ouvir, examinar e traduzir o complexo em linguagem clara.
Medicina da dor
A base em Clínica Médica antecedeu a dedicação à dor crônica e deu a chave para um cuidado abrangente. “Eu preciso compreender as individualidades da pessoa à minha frente, para tratar a sua dor”, explica.
O método é simples e exigente: história bem colhida, exame físico cuidadoso e, quando necessário, exames complementares. “O atendimento de quinze minutos não me cabe. Eu preciso estudar a vida daquela pessoa antes de propor qualquer plano terapêutico”, afirma.
A vivência prévia em emergência, terapia intensiva e coordenação médica afiou o senso clínico e evidenciou um incômodo. “Eu via gente morrendo com dor e gente vivendo com dor. Encontrei o meu propósito de vida aliviando a dor”, diz.
O encontro com a medicina da dor aconteceu nesse ponto de virada. “O que me move é devolver qualidade de vida quando a dor tenta tomar tudo”, resume. A consulta, para ela, não se limita em receita e guia de exames. “Eu não trato a doença, eu vejo o indivíduo que sente dor”, enfatiza.
Ética e acolhimento
O relato de uma paciente que chegou decidida a tirar a própria vida traduz o alcance de uma conversa honesta. Após acolhimento firme, seguimento e redirecionamento de rotas, a mesma mulher retornou meses depois, no dia do aniversário, com os filhos e um presente feito à mão. “Eu não me considero especial. Eu acolho, escuto e estou presente. Exerço a medicina com ética, responsabilidade e muito amor”, relata.
No consultório, predominam fibromialgia, cefaleias, neuralgias como a pós-herpética, dores miofasciais e quadros articulares degenerativos. “O mecanismo de dor é complexo e envolve fatores como o sono, alimentação, atividade física, relações interpessoais e humor. O tratamento é multidisciplinar com médicos, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico e psicólogo. O meu papel é integrar e guiar a linha de cuidado”, explica.
A fibromialgia exige precisão e paciência clínica. “É uma síndrome dolorosa causada por alteração na percepção da dor. É necessário excluir outras doenças e seguir os critérios diagnósticos da síndrome. Os exames podem vir normais, mas há impacto real no sono, no humor, na memória e na energia”, esclarece. A recente legislação sobre o tema acende discussões e reforça a necessidade de informação confiável e avaliação clínica individualizada.
Há também os limites emocionais de quem cuida, como o paciente oncológico que sonhava rever o filho e morreu pouco antes do encontro. “Eu chorei. O meu desafio é proteger o coração sem perder a racionalidade clínica”, reflete.
A honestidade permanece como critério. “A dor crônica muitas vezes não tem cura simples ou definitiva, mas tem tratamento. O alinhamento de expectativas, a clareza nas informações e a sinceridade fazem parte do cuidado”, completa.

Protocolos e segurança do paciente
Na prática de Giselle, a triagem inicial define prioridades e metas realistas. “Eu evito rótulos que aprisionam. Você não é a doença, você tem uma condição. Vamos combinar objetivos e retomar o que faz sentido na sua vida”, conta.
Na dor miofascial, a médica identifica pontos-gatilho e trabalha liberação tecidual associada à reabilitação ativa. Em cefaleias crônicas, ela avalia gatilhos ambientais, higiene do sono, infiltrações e opções farmacológicas quando indicado. “Educação em dor e hábitos consistentes são parte do tratamento”, diz.
O caso de uma mulher com síndrome dolorosa pós-mastectomia após tratamento de câncer de mama ilustra o raciocínio. “Começamos com infiltrações guiadas no local da cicatriz, desfazendo as aderências e fibroses, tratamento das tendinopatias do ombro e liberação miofascial. A cada retorno, o sorriso voltava, junto com a alegria de viver. Quem curou sua dor foi ela mesma. Eu só apontei caminhos”, lembra.
Em neuralgias, como a pós-herpética, a médica utiliza combinações terapêuticas e acompanha de perto a resposta. “É preciso ajustar, dar tempo e manter o vínculo”, diz. Quando o caso pede intervenção, a regra é a precisão. “Infiltrar às cegas não faz sentido. A tecnologia ajuda a colocar a agulha onde ela precisa estar, com menor risco e mais eficácia”, explica. Na prática, ela utiliza infiltrações guiadas por ultrassom no consultório e, quando indicado, procedimentos mais complexos em centro cirúrgico, sempre orientados por imagem.
Em dores musculares crônicas e alguns quadros neuropáticos, Giselle considera toxina botulínica com protocolo individualizado. “Cada plano é personalizado e único, baseado na resposta e na funcionalidade”, afirma.
A terapia por ondas de choque integra o arsenal não invasivo. “As ondas acústicas de alta energia promovem microtraumas que promovem analgesia e estímulo de regeneração. Em tendinites, bursites, fascite plantar e liberação miofascial tem evidências científicas bem consistentes.”
Em cefaleias refratárias, a médica acompanha o avanço de anticorpos monoclonais como opção em casos criteriosos. “Indicação segura e expectativa realista são indispensáveis”, reforça.
Projetos que saem do consultório
A educação permanente e a busca por conhecimento técnico-científico não cessam e incluem a humildade de aprender com quem já percorreu o caminho. Um médico, amigo e mentor se tornou referência técnica e humana, especialmente no manejo de dores complexas como a neuralgia do trigêmeo, abrindo as portas de sua clínica para compartilhar manejos terapêuticos.
“Eu recebo convites para acompanhar colegas, observar, treinar e ensinar. Exercer a medicina com excelência é minha obrigação. Proporcionar ao paciente uma experiência única, com atendimento humanizado, completo e integral, focando não nos sintomas da doença, mas na causa do problema é meu objetivo”, ressalta.
Fora do consultório, Giselle escreve um livro com histórias de pacientes e de cuidado. “Escrever me emociona. São capítulos sobre superação e cuidado. A dor compartilhada também é aliviada”, compartilha.
Além disso, ela também integra o Projeto Voluntários da Dor, grupo sem fins lucrativos idealizado pelo médico, professor e amigo Charles Amaral de Oliveira, que busca levar tecnologia de ponta a pacientes que vivem com dor crônica e não têm acesso a tratamentos modernos por causa dos custos e da ausência de cobertura no sistema público. “Estamos organizando mais uma edição para que seja possível realizá-lo na cidade de Niterói e quem sabe, até na minha cidade natal”, revela.
No médio prazo, a médica projeta um espaço próprio que reflita sua filosofia de atendimento. “Eu quero um lugar em que o acolhimento comece na recepção e continue depois da consulta, com seguimento ativo e equipe alinhada. Quero que o meu paciente tenha sempre um atendimento excepcional e saiba que pode contar comigo”, diz.
Nas redes, sua proposta é educar em saúde. “A falta de informação aumenta o medo. Quando a pessoa entende que a dor tem caminhos de cuidado, a esperança retorna”, explica. “A decisão terapêutica é individual”, ressalta.
“Proporcionar atendimento humanizado é um compromisso que tenho em minha prática médica. Em vida, pude aliviar a dor crônica que meu pai, Altair, tinha devido à artrose avançada em joelhos e tenho absoluta certeza de que ele está me abençoando lá de cima. Sou muito grata a todos os professores, mestres e amigos que caminham comigo nesta jornada em aliviar a dor e devolver qualidade de vida aos pacientes que confiam no meu trabalho”, diz.
“Viver com dor não é normal. Existe tratamento. O passo mais importante é procurar um profissional capacitado e construir, juntos, um plano possível”, finaliza a médica.
CRM: 52-93583-2
RQE: 43.490
Instagram: @dragisellerodrigues.dor

O conteúdo dessa publicação é de responsabilidade da TV Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News