As atrizes Maya e Maíra Aniceto viveram uma experiência inédita em suas vidas ao atuarem na novela vertical ‘O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas’, que estreia nesta terça-feira, 21 de julho, no Globoplay. As duas são gêmeas idênticas na vida real e tiveram a oportunidade de interpretarem gêmeas no novo microdrama do streaming. Em entrevista exclusiva para a CARAS Brasil, elas contam os bastidores das gravações, a relação das irmãs na ficção e na vida real e também se teriam coragem de trocar de vidas na realidade.

Maya e Maíra interpretam as protagonistas Berenice e Beatriz na história escrita por Gustavo Reiz e dirigida por Roberta Richard. Na trama, as gêmeas levam vidas completamente opostas até que uma reviravolta dramática provoca uma inesperada troca de identidades. A partir daí, o público passará a acompanhar um jogo de aparências e segredos que culminará em um acerto de contas definitivo entre as duas.

Entrevista exclusiva com Maya e Maíra Aniceto

– Como surgiu o convite para protagonizar ‘O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas’ e qual foi a primeira reação de vocês ao conhecerem a história?

Maya: Durante as gravações do primeiro microdrama, eu enfatizava algumas vezes, em tom de brincadeira para a equipe, que eu tinha uma irmã gêmea, que também atuava, para pensarem em algo pra nós duas juntas, hahahaha. E então, quando surgiu o projeto, eles lembraram e logo nos contataram. Mas tivemos que fazer testes e concorrer com outras gêmeas do mercado. Após enviar o teste, tivemos muitos feedbacks positivos, como “me surpreenderam”, vindo do produtor de elenco, ou “a segunda cena está emocionante, super iria nelas, um golaço…”, vindo do próprio autor Gustavo Reiz, entre outros. E aí nos escolheram. Quando recebemos a história completa, ficamos empolgadas, porque ela é bem original, cheia de reviravoltas e com um tom humorado. Então, ficamos MUITO animadas.

Maíra: O convite veio através da minha irmã, Maya, que já havia protagonizado uma vertical no Globoplay. A agência dela entrou em contato quando soube que éramos gêmeas, fizemos teste e deu no que deu haha, passamos! A primeira reação foi de muita empolgação, a ideia de duas irmãs gêmeas de verdade vivendo irmãs gêmeas na ficção tem algo poético, quase inevitável. Quando lemos e encenamos parte do roteiro durante os testes era divertidíssimo…Desde o início de antes do teste, eles já tinham definido quem seria cada personagem, então não tivemos que escolher e fluiu super bem, já estávamos nos sentindo em casa.

– O que foi mais legal e o mais difícil durante as gravações?

Maya: O mais legal foi fazer parte de um elenco animadíssimo, mas principalmente contracenar com nomes que eu sempre admirei, como Giulia Gam e Guilherme Leme, não só trocamos em cena como nos backstages em tempos vagos, eu e Giulia dávamos ótimas risadas e conversamos muito. Ela me deu conselhos que levarei pra vida toda. Agora, a parte difícil pra mim é lidar com a rapidez que o formato vertical exige. A galera interpreta como algo mais fácil de se realizar, mas é o contrário, pelo menos, para o ator que precisa entregar verdade, e precisão a cada cena onde os acontecimentos aparecem quase que sem espaço, um atrás do outro, é bem mais trabalhoso…Se tendo tempo de tela o suficiente já é difícil construir a beleza e a densidade de uma cena dramática, imagina se você não tem esse tempo…É, a gente se desafiou bastante haha, eu amo.

Maíra: O mais legal foi poder contracenar com a Maya, definitivamente é divertido e tem uma certa familiaridade da vida toda. O mais difícil foi entregar muita expressão sem parecer algo escrachado, honestamente esse é um formato diferente do que estamos acostumadas, preza muito pelo drama em excesso, então trabalhar isso sem que pareça um dramalhão foi difícil, espero ter conseguido, aliás haha.

Maíra Aniceto - Foto: Ricardo Bufolin
Maíra Aniceto – Foto: Ricardo Bufolin
Maya Aniceto - Foto: Ricardo Bufolin
Maya Aniceto – Foto: Ricardo Bufolin

– Berenice e Beatriz têm personalidades completamente diferentes. Como cada uma construiu sua personagem?

Maya: Eu e a Maíra, propriamente, já temos personalidades muito diferentes uma da outra, então, por esse lado, foi fácil olhar pra situação e enxergar uma verdade. Mas eu, Maya, para construir Berenice, fui atrás de todas referências possíveis para tentar fazer algo diferente do que o público já conhece, e para, principalmente, tentar entender como que eu ia construir a faceta de alguém “x” que se passa por outra personagem “y” dentro da mesma trama. É bem complicado…Eu precisava fazer isso sem deixar de lado a personalidade original da minha gêmea, a Berenice, mesmo me passando pela irmã, a Beatriz.No final, decidimos não conversar, para uma não incentivar a personalidade da outra: “Já que as personagens não se conheciam a vida toda, por que nós deveríamos?”. Enfim… Ainda sim, a minha maior pergunta era: “Como fazer uma protagonista que é quase uma vilã, e não ser odiada pelo público?”. Bom, vamos ver se tudo isso deu certo…

Maíra: Eu vivo a Beatriz, que desperta de um coma e entra numa rivalidade de gêmeas com a personagem da Maya, Berenice. Para construir a Beatriz, eu trouxe uma carga mais leve, e no subconsciente carregava muito a falta, a falta de algo que ela mesma sabia que não conhecia, isso a deixava com uma personalidade de quem sempre quer estar no controle de tudo, já que em algum momento da vida, ela não teve controle sobre quem ela era, sobre a história que ela não conhecia! Eu construí essa personagem para ser direta e reta, a Beatriz sabe exatamente o que ela quer, sempre soube, ela controla, ela é cirúrgica até demais… E honestamente, tudo que ela queria era ser alguém, e quando ela descobre mais sobre a sua vida, ela se transforma e fica leve. Foi o que eu criei e entendi dela!

– Sendo irmãs e também colegas de profissão, como conseguem separar a relação familiar do trabalho no set? Como é trabalhar tão próxima de sua irmã gêmea?

Maya: Às vezes a gente não consegue não, tá? Hahahaha. De vez em quando sai uma faísca ou outra, mas isso acaba sendo irrelevante. Enxergo nossa situação como um plus maravilhoso. Quase ninguém tem essa oportunidade na vida: “Se somos gêmeas, e trabalhamos com a mesma coisa, por que não aproveitar isso?”. É o que eu sempre pensei. Trabalho muito bem sozinha, mas estar com ela é como estar em casa.

Maíra: Sendo honesta não é nada fácil, mas dá certo. hahaha A gente até tenta deixar a irmã no camarim e colocar a personagem pra entrar em cena, mas muitas vezes levamos o trabalho pra casa também, e honestamente? Isso é bem útil, não é sempre que trabalhamos juntas e não é sempre que temos o par para ensaiar na própria casa. Nós soubemos aproveitar bem isso. Trabalhar tão próxima da minha própria irmã é igual sentar no nosso sofá e comer pipoca em um dia nublado, a gente vê filme e comenta até alguém mandar a gente ficar quieta. kkkk Ou seja, muito divertido e natural!

– Existe alguma característica de Maya que está presente em Maíra e vice-versa? Essa conexão influenciou a interpretação das personagens?

Maya: Bom, em termos de personalidade somos diferentes sim, mas fomos criadas juntas, quase que 100% do tempo. Então, sim, principalmente nossa sensibilidade: somos duas pessoas muito emocionais, e na vida sempre cuidamos uma da outra. Por tempos tivemos só nós duas, então esse elo é forte. Coincidentemente, Berenice e Beatriz, apesar de não se conhecerem durante a vida, tiveram esse momento também; elas precisaram descobrir esse lado mais puro e construir esse elo, para que algo se resolvesse na trama… (Mas eu não posso explicar o porquê ainda, sem spoilers, hahaha).

Maíra: Nós somos gêmeas, então, naturalmente, sim; porém, somos muito distintas uma da outra. É como irmãos que crescem juntos: inevitavelmente eles terão similaridades, mas cada uma tem uma personalidade e, às vezes, bem opostas, graças a Deus, kkkkkkkk.

– Existe alguma cena que foi especialmente emocionante ou divertida de gravar e que ficou marcada para vocês?

Maya: Acho que a cena final foi a mais emocionante. Foi uma das que fizemos no teste (a mesma que recebemos o elogio do roteirista antes de gravar). É uma cena linda e me tocou de verdade. Porque, de resto, foi só risada atrás da outra com todos. Tem uma cena na piscina, inclusive, e estava muito calor no dia, tudo que eu precisava era me divertir na piscina, hahaha. Ali, o universo foi bom comigo e com o Gabriel (o ator que interpretou meu par romântico).

Maíra: Sim, teve uma cena em especial que foi a melhor, no dia estava chovendo, tínhamos poucas oportunidades de take, e brigar de forma fakeada FOI TUDOOOOO! A cena foi de briga mas foi muito engraçada fazê-la.

– Se pudessem trocar de lugar uma com a outra por um dia, como acontece na trama, fariam isso? O que gostariam de experimentar?

Maya: Óbvio que gostaria, ahhahah. Como não? Eu ia era zoar com a cara dela, fazer coisas que eu não tenho coragem de fazer na vida, etc. Só pra depois acharem que foi ela. Mas isso, tecnicamente, já dá pra eu fazer, né? É só eu botar a culpa nela depois. Então, a gente só não faz porque se ama mesmo, kkkkkkkkkk. Enfim, tirando isso, acho que não. O máximo que já fizemos foi trocar de sala na época de escola para ela fazer uma prova de “desenho geométrico” para mim, caso contrário eu reprovaria… Deu certo!

Maíra: Neeeem por nada nessa vida hahahahah. Mas às vezes a gente brinca de confundir as pessoas e isso basta, amo brincar com a sanidade das pessoas que conheço e até as que não conhecemos. kkk

– O formato de microdrama vertical vem conquistando espaço no streaming. Como foi atuar em uma produção pensada especificamente para ser assistida no celular?

Maya: É minha segunda com Globoplay, então não foi tanta novidade. Ainda temos os mesmos desafios com o tempo curto de gravação e as emoções que precisam ser sempre intensas e precisas, mas fora isso é algo rápido e divertido de se fazer. E é a mesma coisa pra quem vai assistir, é leve e rápido de se ver. Espero que o público se identifique, aprenda algo e se divirta com tudo que fizemos. Pois é muito gratificante pensar que estamos lidando pela primeira vez com um novo formato de dramaturgia e saber que eu estou fazendo parte disso tudo!

Maíra: Eu AMO atuar, ponto! Foi só mais um dia gostoso de trabalho, e tenho muitas histórias boas com esse formato, não foi o primeiro nem o último projeto vertical. Esse formato veio pra ficar e foi leve, esse formato é leve!

– O que este trabalho representa na vida e na carreira de vocês?

Maya: Pra mim, isso é um gostinho das grandes novelas que eu cresci assistindo e sonhando em fazer parte. O vertical não é só inovador pro Brasil, mas pra minha carreira também. Me deu a oportunidade de viver duas personagens protagonistas dentro de um streaming gigante que é o Globoplay. Que, sinceramente, tão cedo eu não esperava conquistar, apesar de saber que daria conta. Sempre soube que na vida a gente vai subindo degrauzinho por degrauzinho. Está sendo assim… E viver isso do lado de uma pessoa que eu amo muito, que é a minha irmã, é mais especial ainda.

Maíra: Representa tudo, a Globo/Globoplay sempre foi uma meta, digo por mim, além de ter sido mais um trabalho gostoso pra conta. Foi um sonho realizado de anos!

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