Nesta quarta-feira, dia 9 de setembro, a TV Globo celebra os 30 anos da estreia de Anjo de Mim. A novela ocupou a faixa das 18h entre 1996 e 1997 e teve 173 capítulos. A história foi escrita por Walther Negrão, com colaboração de Elizabeth Jhin, Ângela Carneiro e Vinícius Vianna, e teve direção geral de Ricardo Waddington.
A produção apostou no espiritismo e na reencarnação como elementos centrais da trama. Mesmo com Tony Ramos como protagonista, Anjo de Mim registrou média de aproximadamente 28,6 pontos no Ibope, segundo levantamentos especializados, ficando abaixo dos 30 pontos esperados para uma novela das seis. A obra nunca foi reprisada na televisão aberta.
O mistério central: quem era a reencarnação de Valentina?
A narrativa acompanhava o escultor Floriano Ferraz, interpretado por Tony Ramos. O personagem sofria com fortes dores no ombro e tinha visões recorrentes de uma tragédia que não conseguia compreender. Incentivado por seu amigo Mestre Quirino, vivido por Milton Gonçalves, ele decidiu buscar ajuda do psiquiatra Ulisses, papel de Odilon Wagner.
Durante as sessões de regressão, Floriano descobriu uma existência anterior. Ele teria sido Belmiro Castanho, um tenente que viveu em 1880.
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Naquela época, Belmiro se apaixonou por Valentina, personagem de Carolina Kasting, que era casada com José Balbino. Os dois tentaram fugir juntos, mas Valentina acabou gravemente ferida. Após receber um golpe de espada, ela caiu do terceiro andar de um palacete e morreu.
A partir daí, surgiu o principal mistério da novela: qual mulher do presente seria a reencarnação de Valentina? Três personagens despertavam as suspeitas de Floriano:
- Joana (Helena Ranaldi): uma mulher elegante que vivia um casamento infeliz com Bianor, personagem de José Wilker.
- Lavínia (Vivianne Pasmanter): uma jovem de origem muito humilde que fazia parte da família formada por Floriano, Mestre Quirino e Canequinha.
- Maria Elvira (Paloma Duarte): filha de Marco Monterey, interpretado por Herson Capri, e Renata, personagem de Eva Wilma.
No decorrer da história, Floriano descobriu que Lavínia era a reencarnação de Valentina.
Walther Negrão buscou referências em estudos sobre regressão
O espiritismo esteve no centro da criação de Anjo de Mim. Walther Negrão, que estudava a doutrina kardecista havia anos, buscou referências para desenvolver a trama sobre vidas passadas e regressão.
O autor conversou durante bastante tempo com o psiquiatra e escritor norte-americano Brian Weiss, conhecido por seus estudos e livros sobre regressão a vidas passadas. Negrão também ouviu psicoterapeutas brasileiros durante o processo de pesquisa.
Dessa maneira, a novela incorporou conceitos relacionados à regressão e à reencarnação dentro de uma história de ficção, misturando espiritualidade, romance e elementos sobrenaturais.
Produção de Anjo de Mim exigiu duas cidades cenográficas
A produção de Anjo de Mim teve uma estrutura considerada grandiosa para representar os diferentes períodos da história. Como a trama alternava entre o século XIX e a atualidade, a equipe construiu duas cidades cenográficas no Projac, além de aproximadamente 150 ambientes em estúdio.
Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, também teve importância na ambientação da novela. A equipe realizou pesquisas no município e consultou o acervo do Museu Imperial para reproduzir elementos históricos utilizados na trama.
Os atores também passaram por preparações específicas para seus personagens:
- Tony Ramos: contou com a orientação da escultora Jaqueline Cavalcanti para aprender a manusear ferramentas utilizadas por escultores.
- Carolina Kasting: estreou na televisão em Anjo de Mim.
- Milton Gonçalves: contou com a colaboração dos artistas Jessé e Carlinhos para a preparação das esculturas de pedra-sabão e madeira.
- Elias Gleizer: buscou inspiração em Dona Olympia, personagem conhecida de Ouro Preto, para construir Canequinha.
Trilha sonora reuniu grandes nomes da música
A música de abertura, “Anjo de Mim”, ganhou uma interpretação de Simone e Sérgio Mendes. A trilha sonora nacional também contou com nomes importantes da música brasileira, como Roupa Nova, Barão Vermelho e Gal Costa.
Entre as canções internacionais, a novela apresentou músicas de artistas que estavam em evidência na década de 1990, como Alanis Morissette, Enrique Iglesias e Toni Braxton.
Por que Anjo de Mim nunca foi reprisada na TV aberta?
Anjo de Mim terminou sua exibição original em março de 1997 com uma média de aproximadamente 28,6 pontos no Ibope, resultado considerado abaixo dos 30 pontos esperados para uma novela das seis.
Apesar de ter permanecido fora do Vale a Pena Ver de Novo, não é possível afirmar que a audiência tenha sido oficialmente apontada pela Globo como o motivo para a ausência de uma reprise. O que se sabe é que a novela nunca ganhou uma nova exibição na televisão aberta brasileira.
O desempenho de Anjo de Mim também contrasta com o sucesso de outras produções que trabalharam com a temática da reencarnação. Em 2005, por exemplo, “Alma Gêmea”, de Walcyr Carrasco, tornou-se um dos grandes sucessos da faixa das 18h e posteriormente ganhou reprises na Globo.
Ao longo dos anos, Anjo de Mim também foi exibida em outros países, ampliando a circulação internacional da novela que marcou a década de 1990 ao levar espiritismo, regressão e reencarnação para o centro de uma história protagonizada por Tony Ramos.
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