A cantora Laís Bianchessi é uma das grandes revelações do pagode feminino nos últimos tempos. Porém, o que pouca gente sabe é que ela é formada em Arquitetura e Urbanismo e já teve outros trabalhos antes de se dedicar à música.
A estrela canta desde criança, mas só na vida adulta decidiu mergulhar de cabeça no mundo das artes e se tornou um sucesso. Natural de Curitiba, ela já tem mais de 145 milhões de reproduções nas plataformas digitais e dividiu o palco com grandes nomes, como Thiago Martins, Grupo Revelação, Jeito Moleque e Vitão, além de ter participado do projeto Ivete Clareou.
Em entrevista exclusiva para a CARAS Brasil, Laís Bianchessi relembra a decisão de se tornar cantora profissional, revela como é o seu processo de composição das músicas autorais, os dois lados da carreira e o que espera do futuro.
A trajetória de sucesso de Laís Bianchessi
-Como você descobriu que queria ser cantora? Você já pensou em ter outra profissão?
-Eu canto desde criança. Venho de uma família muito musical e a música sempre esteve presente dentro de casa. Comecei cantando na igreja, participei de festivais, tive banda e, aos poucos, fui entendendo que cantar era a forma mais natural que eu tinha de me expressar. Ainda assim, também construí uma trajetória fora da música. Sou formada em Arquitetura e Urbanismo e trabalhei em outras áreas ao longo da vida, mas a música sempre me puxava de volta. Hoje, entendo que ela nunca foi apenas um hobby ou uma paixão, mas algo que faz parte de quem eu sou.
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-Como foi o início da sua carreira como cantora profissional?
-Minha história com a música começou cedo: aos sete anos, comecei a tocar violão na igreja, local onde tive os primeiros contatos com composição, criando melodias e colocando sentimentos em forma de música. Eu conciliava minha paixão com os estudos e com a vida profissional. Depois de me formar em Arquitetura e Urbanismo, participei do X Factor Brasil, em 2016. Acho que aquele foi o primeiro momento em que eu realmente enxerguei a música como profissão e percebi que queria dedicar minha vida a ela. A partir de então, comecei a construir minha presença digital, gravando vídeos para o YouTube e criando conteúdo. Entendia que precisava criar uma conexão com as pessoas para que elas também conhecessem as histórias por trás das minhas composições. Aos poucos, fui construindo uma comunidade muito especial de pessoas que se identificavam não apenas com a minha música, mas também com a minha trajetória. Hoje olho para trás com muita gratidão por cada etapa, porque todas elas me trouxeram até aqui.
-Quando olha para o início da carreira, qual foi o maior desafio que precisou superar?
-Acho que foi continuar acreditando em mim mesmo quando ainda não enxergava os resultados. Muitas vezes as pessoas olham apenas o palco, mas existe muito trabalho, renúncia, dúvidas e decisões importantes acontecendo nos bastidores.
Aprendi que construir uma carreira é um exercício de constância. Nem sempre as coisas acontecem no tempo que a gente gostaria, mas seguir em frente mesmo assim faz toda a diferença.
-Você sempre quis cantar pagode ou já se aventurou em outros ritmos?
-Eu cresci ouvindo muitos estilos musicais diferentes. A MPB, o pop, o samba e vários outros gêneros influenciaram a minha forma de cantar e compor. Costumo brincar que o samba e o pagode cresceram dentro de mim. Quando morei no Rio de Janeiro, comecei a conviver mais de perto com esse universo e me apaixonei por ele. O que eu mais amo no pagode é que ele une as pessoas. É um som contagiante, que traz alegria e que também fala de sentimentos profundos. Acho que encontrei nele um equilíbrio muito bonito entre a minha versão mais extrovertida e a minha versão mais sentimental. É um gênero que fala de amor, amizade, saudade e felicidade de uma forma muito verdadeira, e isso tem tudo a ver com quem eu sou.
O processo de composição na vida da artista
-Você começou a fazer sucesso como intérprete e lançou o primeiro EP autoral recentemente. Como foi o processo para se tornar compositora das suas próprias canções?
-Na verdade, eu sempre escrevi minhas próprias músicas. Desde o início da minha trajetória lancei trabalhos autorais. Embora também tenha feito muitos covers e versões ao longo do caminho, sempre acreditei que as músicas autorais são onde o artista consegue se mostrar de forma mais completa. É onde você transforma suas experiências, suas crenças, seus sentimentos e sua visão de mundo em letra e melodia. Esse EP foi especial porque é o meu primeiro projeto 100% autoral. São músicas muito verdadeiras para mim e que representam momentos importantes da minha vida. O mais bonito é perceber que histórias que nasceram de experiências pessoais começam a fazer parte da vida de outras pessoas também. Essa é uma das maiores recompensas que a música pode dar.
-Como é o seu processo de composição? Você tem algum ritual para compor ou faz música em qualquer lugar?
-Minhas músicas costumam vir de sentimentos e experiências muito intensas. Não tenho um ritual específico para compor. Muitas vezes uma frase, uma ideia ou uma melodia surgem no meio do dia, no carro, em uma conversa ou até observando algo que alguém próximo está vivendo. Costumo anotar tudo, mas a composição acontece muito antes de eu sentar para escrever, acontece enquanto estou vivendo. As minhas músicas vêm dessa busca por transformar experiências reais em algo que possa conectar com outras pessoas. Para mim, a verdade é sempre o ponto de partida.

-Qual é a sua composição mais especial até hoje? Qual é a história por trás dela?
-É difícil escolher apenas uma, porque cada música representa uma fase da minha vida. Mas “Gratidão” ocupa um lugar muito especial no meu coração. Ela nasceu de forma muito rápida, durante um período bastante difícil emocionalmente e foi como uma lembrança de que mesmo nos momentos mais escuros ainda existem motivos para agradecer. E o mais bonito é que ela deixou de ser apenas a minha história. Ao longo do tempo, muitas pessoas passaram a me contar como essa música as ajudou a atravessar momentos delicados, a encontrar força em situações difíceis e a enxergar a vida de uma forma diferente. Teve gente que tatuou frases da música na pele, e isso é algo que ainda me emociona muito. Hoje, “Gratidão” já não pertence só a mim. Ela pertence a todas as pessoas que encontraram nela algum tipo de acolhimento ou esperança.
-Você já contou que todas as faixas nasceram de sentimentos reais. Houve alguma música que foi especialmente difícil de escrever?
-Na verdade, eu não diria que houve músicas difíceis de escrever. Acho que cada música tem o seu próprio tempo de amadurecimento. Algumas nascem quase prontas, outras vão sendo construídas aos poucos, conforme a vida acontece, conforme o meu olhar muda e eu vou vivendo novas experiências. Muitas vezes eu escrevo uma ideia, uma frase ou um refrão e deixo aquilo guardado por meses ou até anos, até sentir que a música encontrou a sua forma final. Um exemplo é “Me Amarro Nela”. Eu comecei a escrever essa música anos antes de lançá-la. Ela foi ganhando novos significados ao longo do tempo e só ficou pronta quando eu senti que tinha dito exatamente o que precisava dizer. A composição, para mim, funciona assim. Não é uma questão de dificuldade, mas de maturação. Cada música tem seu próprio processo e o seu momento certo de nascer. Acho que a arte também ensina a gente a respeitar o tempo das coisas.
O presente e o futuro
-O que você mais gosta em ser cantora? E o que menos gosta?
-O que mais gosto é a conexão com as pessoas. Não existe sensação melhor do que ouvir alguém dizer que uma música sua marcou uma fase da vida, ajudou em um momento difícil ou serviu de trilha sonora para uma lembrança especial. O que eu menos gosto é a exposição. Fazer arte é algo muito bonito, mas também significa lidar com julgamentos, opiniões e expectativas o tempo todo. Ainda assim, faz parte do caminho e dos aprendizados da profissão.
-Você já soma mais de 145 milhões de reproduções nas plataformas digitais. Em que momento percebeu que sua carreira estava alcançando um novo patamar?
-É algo que fui percebendo aos poucos. Quando comecei a receber mensagens de pessoas de lugares que eu nunca tinha visitado, quando vi minhas músicas chegando cada vez mais longe e quando percebi que as pessoas não se conectavam apenas com o que eu cantava, mas também com quem eu sou, entendi que algo diferente estava acontecendo. Hoje acredito que esses números representam muito mais do que reproduções. Eles refletem uma conexão construída ao longo dos anos entre a artista e o público. As pessoas não consomem apenas a música; elas querem entender quem está por trás dela, quais histórias inspiram aquelas canções e quais valores aquela pessoa carrega. Isso é muito especial para mim.
-O que você comprou de mais especial com o dinheiro do seu sucesso na música?
-Sem dúvida, o mais especial foi conquistar independência e poder investir nos meus sonhos. Também é muito gratificante poder proporcionar mais conforto e tranquilidade para a minha família.
-Como você define a sua vida hoje em dia?
-Como uma fase de construção e amadurecimento. São muitos aprendizados, estou me redescobrindo constantemente, entendendo melhor quem eu sou como mulher, artista e empreendedora. Existem desafios, claro, mas também existe muita gratidão por tudo o que já vivi e pela oportunidade de continuar construindo novos capítulos da minha história fazendo o que eu amo.
-Quais sonhos você ainda quer realizar na carreira? E na vida pessoal?
-Quero continuar levando minha música para cada vez mais pessoas e gravar muitos projetos, deixando minha visão de mundo musicalizada para quem se conectar com ela. Na vida pessoal, sonho em construir minha família, ter filhos e viver com equilíbrio fazendo o que amo.

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