Música / DIONNE BROMFIELD

Herdeira de Amy Winehouse completa 30 anos com retorno à música: ‘Será que ela gostaria disso?’

Aniversariante do dia, cantora celebra nova fase artística ao retomar a carreira de forma independente, quase dez anos após seu último lançamento

Amy Winehouse - Foto: Getty Images
Amy Winehouse - Foto: Getty Images

Dionne Bromfield (30) sempre soube que carregar o legado de Amy Winehouse (1983-2011) não seria simples. A afilhada da cantora britânica — e primeira artista a assinar com a Lioness Records, gravadora criada por Amy — completa 30 anos neste domingo, 1º de fevereiro, vivendo um momento que mistura maturidade, reconstrução e reencontro com a própria voz. Após quase uma década longe dos lançamentos oficiais, Dionne retornou, recentemente, à música de forma independente e consciente, fazendo a pergunta que a acompanha desde a adolescência: “Será que ela gostaria disso?”

A história de Dionne na música começou cedo demais para ser ingênua. Aos 12 anos, assinou contrato com a gravadora da madrinha e lançou, em 2009, o álbum Introducing Dionne Bromfield, composto majoritariamente por releituras soul e R&B. A estreia na televisão britânica aconteceu no Strictly Come Dancing, da BBC One, com direito a backing vocals de Amy Winehouse — um privilégio raríssimo. O sucesso foi rápido, mas veio acompanhado de um peso difícil de medir para uma adolescente.

Dois anos depois, em julho de 2011, Dionne lançou Good for the Soul, seu segundo álbum, agora inteiramente autoral. Uma semana após o lançamento, Amy Winehouse morreu, aos 27 anos. De repente, a jovem artista de 15 anos precisava lidar simultaneamente com luto, exposição midiática e expectativas que não eram só suas. “Eu não era apenas a afilhada da Amy Winehouse. Eu estava começando a formar minha própria identidade”, relembra hoje.

Sem herança material

O vínculo entre as duas sempre foi profundo. Amy não foi apenas madrinha: foi mentora, conselheira criativa e incentivadora obstinada. Foi ela quem insistiu para que Dionne lançasse um disco quando parte da indústria ainda hesitava. Também foi ao lado da afilhada que Amy fez sua última aparição pública, no palco da Roundhouse, em Londres, poucos dias antes de morrer.

Apesar disso, Dionne nunca herdou bens ou dinheiro da cantora. Amy Winehouse morreu sem testamento e, pela lei britânica, sua fortuna ficou integralmente com os pais. A herança de Dionne foi outra — imaterial, porém decisiva: formação artística, estímulo criativo e acesso a um espaço que poucas jovens cantoras teriam.

Após a morte da madrinha, Dionne seguiu trabalhando, apresentou programas de TV infantil no Reino Unido e lançou músicas pontuais, mas o impacto emocional só viria mais tarde. “Eu não me permiti viver o luto na época. Estava tudo acontecendo ao mesmo tempo”, admite. Com o passar dos anos, o silêncio criativo se impôs.

Dionne Bromfield em novembro de 2025 - Foto: Getty Images
Dionne Bromfield em novembro de 2025 – Foto: Getty Images

Amadurecimento

Agora, com 30 anos, Dionne retorna em novos termos. Totalmente independente, fora do sistema das grandes gravadoras, ela lançou recentemente o single “Girl”, produzido pela dupla vencedora do Grammy Blue Lab Beats. A canção, que mistura soul clássico com uma sonoridade contemporânea inspirada na Motown, fala sobre presença emocional e não sobre luxo. “Você me dá presentes, mas eles não são de graça. Eu só quero a sua presença”, canta, em um verso que sintetiza a clareza emocional de quem amadureceu.


Visualmente e artisticamente, a nova fase também marca ruptura. Em ensaio recente para a Revista Paper, Dionne aparece elegante, segura e no controle da própria narrativa. O espírito de Amy, porém, continua presente — não como modelo a ser copiado, mas como uma voz crítica interior. “Ela era um gênio da música. Teria me dito na lata se algo estivesse ruim”, conta. “Com tudo o que faço, ainda penso: ‘Será que ela gostaria disso?’”

A pergunta não é um freio, mas um diálogo íntimo com o passado. Dionne faz questão de deixar claro que não busca reproduzir a obra da madrinha. “A carreira dela é única. Vai sobreviver a todos nós. Ninguém chega perto disso, nem deveria.”

Aos 30 anos, Dionne Bromfield não é mais a promessa lançada por uma lenda, nem apenas a última pessoa a dividir o palco com Amy Winehouse. É uma artista que atravessou o luto, o silêncio e a reinvenção — e que, finalmente, parece responder à própria pergunta com música. E talvez Amy gostasse disso.

Dionne Bromfield ao lado de Amy Winehouse em 2009 - Foto: Getty Images
Dionne Bromfield ao lado de Amy Winehouse em 2009 – Foto: Getty Images