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Matthieu Blazy reinventa legado da Chanel

Estilista leva para a passarela a essência da maison francesa de criar roupas que acompanhem o cotidiano feminino

Foto: Getty Images
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A primeira incursão do designer francês Matthieu Blazy (41) na alta-costura da Chanel revela um criador mais interessado na continuidade inteligente e cuidadosamente reinventada, do que na ruptura sem sentido. Em um território frequentemente associado ao excepcional e ao cerimonial, Blazy escolhe reposicionar a couture como parte da vida real, retomando um dos princípios fundamentais de Gabrielle Chanel (1883-1971), que é o de criar roupas que acompanhem o cotidiano feminino e que libertem a silhueta, ainda que executadas com o mais alto nível de excelência artesanal.

Essa decisão confere à coleção uma proximidade com a vida real, fazendo com que o virtuosismo técnico se manifeste sem alarde, quase como um segredo compartilhado apenas a olhos atentos. A coleção se construiu a partir da atmosfera calma e suspensa, que dialogava com o cenário exuberante montado no Grand Palais. Cogumelos cenográficos e árvores em tons suaves criavam um ambiente onírico, mas foi na observação atenta das roupas que a coleção se revelou por completo. Bordados minuciosos, aplicações etéreas e superfícies transparentes demonstraram impressionante leveza, tanto visual quanto física.

O clássico tailleur da Chanel surgiu reinterpretado com transparência, suavidade e estruturas repensadas para favorecer os movimentos. Os pássaros surgiram como ornamento e inspiração em bordados, texturas e detalhes quase escondidos, sugerindo liberdade e, em especial, autonomia. Essa simbologia se alinhou à maneira como Blazy tratou o corpo feminino, com roupas que não se impõem, mas acompanham, e que oferecem conforto sem abdicar de rigor técnico. Aqui, os símbolos tradicionais da Chanel não foram protagonistas e isso foi intencional. Ele procurou manter a essência da maison por meio de novos símbolos, mas que ainda demonstram todo o universo Chanel.