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Aos 54, estilista britânica se inspira no legado do pai, Paul McCartney, em nova coleção

Destaque na coluna Moda, de Paula Martins, Stella McCartney apresenta a coleção Come Together, inspirada pelo pai e o icônico grupo The Beatles

Foto: Getty Images
Coleção de Stella McCartney é destaque na coluna Moda, de Paula Martins | Foto: Getty Images

No desfile de Stella McCartney (54) para a temporada Spring 26, a mensagem veio antes mesmo das roupas, mas sem recorrer a artifícios vazios. A ideia do come together funcionou como ponto de partida conceitual para uma coleção que trata de conciliação, seja entre opostos estéticos, entre moda e responsabilidade ou entre pragmatismo e desejo.

Em um momento de fragmentação, a estilista opta por afirmar a coexistência, sem ingenuidade e sem dramatização excessiva, e essa proposta se materializou em um guardaroupa que reafirma códigos já consolidados da marca, mas com ajustes sutis e inteligentes.

A alfaiataria de ombros marcados e formas esculturais que já é tão presente no repertório da designer apareceu mais flexível, com recortes laterais que aliviavam a rigidez e ampliavam a mobilidade do corpo. Camisas de corte peplum surgiram combinadas a calças utilitárias amplas, criando um equilíbrio preciso entre estrutura e fluidez.

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Nos vestidos de noite, a aposta é nos drapeados suaves contrastados por corpetes mais anatômicos, uma tensão visual que reforça a dualidade central da coleção. Os jeans tiveram papel de destaque e foram apresentados de maneira relaxada e cool, como uma nuance urbana bem-vinda ao tom mais sofisticado das criações.

O uso de materiais com impacto ambiental reduzido reafirma o compromisso histórico da estilista com processos mais responsáveis, característica que também pôde ser vista no uso de alternativas vegetais às penas, que surgiram com leveza e sem comprometer o apelo visual. McCartney entrega uma coleção coerente com seu discurso e com sua prática. Ao reconhecer tensões do presente e manifestá-las, ela não abdica da moda como espaço de criação, mas a posiciona como um campo possível de diálogo, equilíbrio e beleza.

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