Condomínio Península Três Marias cria novo padrão de luxo com 5 aeronaves para uso dos proprietários
Integração entre aviação executiva e moradia transforma o Península Três Marias em um novo paradigma no mercado imobiliário brasileiro

O condomínio Península Três Marias, desenvolvido pela Elemental Construtora, comprou uma frota aérea própria e dedicada aos seus moradores, em parceria com a empresa de avião executiva Flapper. O empreendimento, localizado às margens da represa de Três Marias, no noroeste de Minas Gerais, nasce com a ambição de se tornar um novo ícone do luxo no país e com um projeto que integra os serviços de alto padrão, arquitetura sofisticada e infraestrutura completa de lazer.
O Península Três Marias, com uma área de mais de 6 milhões de metros quadrados, inaugura um novo modelo de “private aviation living” no Brasil. Na prática, o empreendimento passa a oferecer aos seus proprietários uma experiência comparável à de um “private aviation club”, eliminando fricções típicas da aviação tradicional e transformando a logística de deslocamento em um serviço integrado ao próprio estilo de vida. Os pousos e decolagens serão feitos na pista do aeroporto municipal de Três Marias.
A frota anunciada inclui cinco aeronaves: um jato executivo para até oito passageiros, uma aeronave anfíbia, capaz de operar tanto na água quanto em pistas convencionais, e outras três aeronaves também configuradas para oito ocupantes. Os voos partirão de aeroportos estratégicos, como o Campo de Marte, em São Paulo, Pampulha, em Belo Horizonte, Aeroporto Internacional de Brasília e Aeroporto Internacional de Goiânia.
“O que estamos criando não é apenas um empreendimento imobiliário, mas um ecossistema completo de experiências. A parceria com a Flapper permite que o morador saia de São Paulo e esteja aqui em uma hora, com total conforto, previsibilidade e privacidade”, afirma Thiago Castilho, idealizador do projeto. A cada voo, o morador terá que arcar apenas com o custo operacional calculado por assento, como gastos com combustível e manutenção da aeronave.
Do lado da operação aérea, a iniciativa também é vista como um marco. “Esse modelo representa a evolução da aviação executiva no Brasil. Em vez de um serviço sob demanda isolado, passamos a integrar a mobilidade ao próprio conceito de moradia. É uma solução que otimiza ativos, reduz ociosidade e entrega uma experiência muito mais fluida ao cliente final”, diz Paul Malicki, fundador da Flapper.


Casas de luxo e estrutura do empreendimento
O empreendimento, que prevê investimento de R$ 400 milhões e VGV estimado em R$ 2 bilhões, combina arquitetura sofisticada e natureza preservada. As “casas suspensas” chegam a 800 m² e foram concebidas para se integrar à paisagem do cerrado, com uso de materiais naturais e mão de obra local. O valor do metro quadrado parte de R$ 15 mil no lançamento e deve chegar a R$ 34 mil nas etapas seguintes.
Segundo Thiago Castilho, fundador da Elemental Construtora, o projeto foi criado em torno da ideia de formar um grupo de pessoas com aspirações semelhantes em relação à arte, à cultura, à gastronomia e ao modo de viver. “Organizaremos encontros em São Paulo antes mesmo da entrega das unidades para estreitar o relacionamento entre os futuros moradores”, explica o empresário.
Para atrair famílias em busca de conforto e contato direto com a natureza, Castilho queria um projeto arquitetônico plenamente integrado ao ambiente. Para isso, convidou Delphine Araxi, que desenvolveu, em parceria com o renomado arquiteto Philippe Starck, a curadoria conceitual e artística do hotel Rosewood, em São Paulo. “O conceito arquitetônico parte da paisagem para chegar à forma. Volumes baixos e alongados acompanham a topografia do terreno. Pedra do cerrado, madeira clara, argila e fibras trançadas dialogam com a vegetação local. As edificações não se impõem à paisagem: integram-se a ela”, explica a arquiteta, que priorizou materiais e artesãos locais para compor o projeto.
O Península Três Marias possui infraestrutura completa: marina para embarcações de grande porte, spa, haras e restaurantes, além de espaços culturais e de convivência entre os moradores. A curadoria em hospitalidade e gastronomia será feita por Carla Bolla, uma das sócias do empreendimento. A empresária, que há 12 anos está a frente do La Tambouille, ícone paulistano com 54 anos de tradição, cresceu entre a clientela do restaurante fundado pelo pai, Giancarlo Bolla. Agora, vai usar toda a sua expertise para trazer experiências diferenciadas para os proprietários do empreendimento.
Impacto na economia local
O impacto econômico do empreendimento sobre o município de Três Marias deve ser expressivo, sem comprometer o meio ambiente e a cultura local. Três Marias registrou receita bruta total de R$ 246,6 milhões em 2024, segundo o IBGE. Um empreendimento dessa envergadura, com 195 unidades ao longo das cinco fases e preço médio estimado em R$ 3,9 milhões por apartamento, representaria um acervo imobiliário privado de aproximadamente R$ 760 milhões em valor de mercado ao término do projeto.
Considerando uma alíquota de IPTU estimada entre 1% e 1,5% sobre o valor venal dos imóveis, que costuma representar entre 50% e 70% do valor de mercado, a arrecadação direta do município com o imposto predial pode chegar a entre R$ 3,8 milhões e R$ 7,9 milhões anuais, quando todas as fases estiverem concluídas e habitadas. Esse intervalo representa entre 1,5% e 3,2% da receita atual da prefeitura, o que, em termos municipais, é uma adição relevante.
O efeito indireto tende a ser ainda maior. A chegada de centenas de famílias de alta renda a uma cidade com menos de 30 mil habitantes e IDH de 0,752 cria demanda por serviços que a infraestrutura local ainda não oferece em escala. Restaurantes, mercados, academias, clínicas médicas, postos de combustível, serviços de manutenção e reforma, comércio de artigos náuticos e de lazer e hospedagem para visitantes devem se movimentar com a chegada desse novo contingente de consumidores. Estudos indicam que o efeito multiplicador sobre o consumo local pode variar entre duas e três vezes o valor arrecadado diretamente em impostos.
Além do consumo corrente, a construção do empreendimento deve movimentar o setor de serviços e a mão de obra local durante os anos de obras. A Elemental Construtora prevê o início da primeira fase ainda em 2026, com geração de empregos em um município onde a remuneração média formal está em R$ 2,6 mil mensais, abaixo da média estadual, e onde setores como alimentação e limpeza ainda concentram o maior número de postos formais.