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Jayme Periard ressignifica a maturidade e prioriza a paz: ‘Viver bem é o que busco’

Prestes a estrear nos cinemas em 2026, o ator Jayme Periard abre o jogo sobre seu novo vilão corrupto no filme Rede Paralela e reflete sobre maturidade em entrevista inédita à CARAS

Jayme Periard - Foto: Divulgação

A maturidade trouxe para Jayme Periard algo que vai muito além da experiência profissional: um novo olhar sobre a vida. Com mais de 40 anos de carreira, o ator que marcou gerações na TV hoje valoriza, acima de tudo, a paz longe dos holofotes. Se na juventude o rótulo de galã dominava as manchetes, hoje é a serenidade que dita seu ritmo.

Em conversa exclusiva com a CARAS Brasil, Jayme confessa que seu objetivo pessoal é o oposto do caos que costuma interpretar na ficção. “Viver bem cada fase da minha trajetória é o que busco”, afirma o ator, ressaltando que a passagem do tempo lhe trouxe um “olhar mais abrangente e calmo” sobre quem é.

Para ele, o segredo da longevidade na arte e na vida é manter o frescor de quem encara cada dia como um recomeço. “Me sinto privilegiado e grato, por ter vivido uma época áurea na televisão e estar em atividade acompanhando todas as transformações que a televisão passou nas últimas décadas”, avalia.

Equilíbrio à prova

Mas essa tranquilidade pessoal será colocada à prova nas telonas. Jayme é um dos protagonistas do thriller Rede Paralela, filme dirigido por Igor Moreira – diretor de Família é Tudo (2024) – com estreia marcada para o primeiro semestre de 2026.

Na trama, ele mergulha no submundo das apostas digitais (bets) e da manipulação da fé ao lado de Alexandra Richter. Enquanto na vida real Jayme busca leveza, seu personagem, Dante Vasconcelos, carrega o peso da violência física e moral. Dante é um ex-pastor que se tornou o braço executor de um esquema corrupto liderado por sua esposa, a política Elisa (Richter).

Sobre a densidade desse “vilão” e se existe humanidade nele, Jayme é direto: “Dante, como qualquer ser humano, tem seus pontos fracos e não segue uma linha reta em sua trajetória. Mas, depois de ultrapassar certos limites, sabe que não há mais retorno ao homem correto que foi no passado.”

Química de poder e bastidores

A parceria com Alexandra Richter é descrita pelo ator como um dos pontos altos do projeto. Na ficção, ela é o cérebro; ele, o executor. “Nenhum projeto autoritário é solitário, e no filme, sem dúvida, quem manda é Elisa”, explica Jayme, revelando a dinâmica do casal criminoso.

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Mas como não levar essa energia pesada para dentro de casa? O ator revela que desenvolveu um “botão de liga e desliga” para proteger sua saúde mental e sua família da carga de personagens tão brutais.

“Tenho um processo muito particular, que me faz ligar e desligar a cada cena gravada. Não levo coisas particulares para o trabalho e nunca carrego os personagens para casa. Faço isso também no teatro. Tudo fica no palco. E tem funcionado muito bem para mim.”

Saiba mais sobre o filme Rede Paralela

Sob a direção e roteiro de Igor Moreira (Família é Tudo), o filme Rede Paralela expõe as perigosas consequências da mistura entre fé e poder. Previsto para o primeiro semestre de 2026, o longa acompanha a trajetória de Elisa Ribeiro Santoro (Alexandra Richter), uma estrategista fria que utiliza a religiosidade como escudo moral para mascarar um projeto de controle autoritário.

Ao seu lado está Dante Vasconcelos (Jayme Periard), um ex-pastor corrupto que atua nos bastidores gerenciando esquemas de apostas digitais, suborno e lavagem de dinheiro. Enquanto Elisa é a mente que justifica os sacrifícios em nome da ordem, Dante é o braço executor que carrega o peso da violência. A trama atinge seu clímax quando a verdade rompe a fachada de santidade do casal, conduzindo-os a uma queda inevitável.

CONFIRA A ENTREVISTA COM JAYME PERIARD

CARAS Brasil: Jayme, como você descreve o Dante Vasconcelos? Ele é apenas um executor corrupto ou existe alguma fragilidade nele?

Jayme Periard: Dante, como qualquer ser humano, tem seus pontos fracos e não segue uma linha reta em sua trajetória. Mas, depois de ultrapassar certos limites, sabe que não há mais retorno ao homem correto que foi no passado e vai cada vez mais fundo no seu projeto de poder com sua esposa Elisa.

CARAS Brasil: Seu personagem manipula a fé das pessoas e se envolve com apostas ilegais. Você se inspirou em figuras reais do noticiário para compor o Dante ou preferiu ficar só no roteiro?

Jayme Periard: Como todo trabalho que realizo, meu maior desafio e objetivo é dar veracidade e humanidade aos personagens, sem críticas ou julgamentos. Para isso, construo meus personagens baseado no que o roteiro me traz. Tudo que precisava para compor o Dante está no roteiro instigante e desafiador que Igor Moreira, autor e diretor de Rede Paralela me confiou.

CARAS Brasil: No filme, a personagem da Alexandra pensa e o seu executa. Como vocês construíram essa química de poder? Quem realmente manda nessa relação fictícia?

Jayme Periard: Nenhum projeto autoritário é solitário, e no filme, sem dúvida, quem manda é Elisa. Dante a ama e age nas sombras para que ela brilhe. Ter Alexandra como parceira é um grande privilégio. Temos uma relação de carinho, confiança e muita admiração.

CARAS Brasil: Você tem feito muitos vilões e figuras de autoridade ultimamente. O que te atrai mais nesses personagens ‘maus’? É mais divertido do que ser o herói?

Jayme Periard: Casualmente tenho feito muitos personagens terríveis. Interpretar o herói é sempre muito bom, mas os vilões nos oferecem uma gama maior de emoções e contradições. E minha “diversão” tem sido ser absolutamente diferente a cada papel. Mas o que importa, realmente, é um bom personagem e uma boa história.

CARAS Brasil: O Dante carrega o peso da violência física. Como foi a sua preparação corporal para aguentar o ritmo dessas cenas de ação e tensão?

Jayme Periard: Sempre atuo com intensidade e total entrega. Em cenas de maior exigência física, uso algumas técnicas e truques que aprendi durante esses anos de atividade, e o que aprendi com grande atriz Denise Stoklos, minha professora de mímica na Escola de Teatro Martins Pena. Apenas alguns músculos precisam estar em ação, os outros devem estar relaxados. E sempre algum humor entre uma cena e outra.

CARAS Brasil: Você tem uma carreira longa e sólida na TV. Olhando para trás, você sente que está num momento de colheita? O Jayme de hoje se sente mais realizado do que o galã do início da carreira?

Jayme Periard: Me sinto privilegiado e grato, por ter vivido uma época áurea na televisão e estar em atividade acompanhando todas as transformações que a televisão passou nas últimas décadas. Tenho sido muito feliz em minha jornada como ator, mas sei que cada novo trabalho é um recomeço e meu olhar e interesse é pelo que estou realizando agora, e principalmente pelos novos desafios que ainda vem pela frente. Recebi muito carinho e reconhecimento de toda a equipe de Rede Paralela e fiquei muito feliz. Não há melhor colheita que essa.

CARAS Brasil: Interpretar um homem tão corrompido e denso exige muito emocionalmente. Como você faz para se ‘limpar’ dessa energia pesada do Dante e de outros personagens quando chega em casa?

Jayme Periard: Tenho um processo muito particular, que me faz ligar e desligar a cada cena gravada. Não levo coisas particulares para o trabalho e nunca carrego os personagens para casa. Faço isso também no teatro. Tudo fica no palco. E tem funcionado muito bem para mim.

CARAS Brasil: Apesar da brutalidade dos seus papéis, você parece estar num momento de muita conexão com a sensibilidade. Como esse seu lado mais tranquilo ajuda a equilibrar a intensidade da ficção?

Jayme Periard: Sempre fui assim, mas acho que a maturidade nos traz esse olhar mais abrangente e calmo sobre quem somos na vida e em nossa atividade profissional. Viver bem cada fase da minha trajetória é o que busco e me fortalece.

CARAS Brasil: Estamos em um ano pré-eleitoral. Você acha que Rede Paralela vai gerar polêmica ou debate entre o público? Você está pronto para a reação das pessoas?

Jayme Periard: Rede Paralela, nos faz refletir, mas antes de tudo é uma obra de ficção.

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GABRIELA CUNHA é jornalista graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Especialista em entretenimento, atua na cobertura editorial de televisão, celebridades e comportamento, com foco em notícias e análises