Celebrar um quarto de século nos palcos e nas telas é um marco especial. O ator Rodrigo Fagundes (54) vive exatamente esse momento de plena consagração. Atualmente, ele brilha em Quem Ama Cuida na pele do personagem Nicolau. O artista festeja 25 anos de carreira em alta performance. Além da presença marcante na teledramaturgia diária da TV Globo, ele colhe grandes frutos de seu trabalho no teatro carioca.

De acordo com o ator, a sensação de ver sua caminhada celebrada simultaneamente na televisão e nos palcos é a melhor possível. Em entrevista exclusiva à CARAS Brasil, o artista descreve a emoção desse momento em sua trajetória. “A melhor do mundo. De estar ainda remando com força, coragem, garra, determinação, sorte nesse oceano insano que é a profissão do ator no Brasil. E são 25 anos que parecem 50, pois a vontade de ser ator existe desde que eu me entendo por gente”, afirma.

O interesse pelas artes surgiu cedo em sua vida. “Desde quando via as novelas e o Sítio do Picapau Amarelo lá em Juiz de Fora. Conheci o teatro aos 11, 12 anos e ali tive a certeza inconsciente de que meu destino estava conectado à arte!”, relembra o ator.

Reconhecimento nos palcos e conquista no Prêmio de Humor

Paralelamente às gravações da novela, Rodrigo Fagundes se prepara para a nova temporada do espetáculo O Formigueiro, no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro. A montagem trouxe um marco ainda mais especial para o seu ano comemorativo. Afinal, por conta de sua atuação na peça, ele conquistou o prêmio de Melhor Performance no Prêmio de Humor 2026.

O artista faz questão de enaltecer a riqueza da montagem e o trabalho em equipe. “O Formigueiro é uma joia na minha vida. Texto e direção de Thiago Marinho, de 37 anos e de uma capacidade e talento infinito para contar uma história. A peça fala de relações, de família, do Alzheimer, das escolhas, da relação de irmãos cheia de amor, farpas e afeto. Tem sido uma jornada de muito prazer dividir o palco com talentos como Lucas Drummond (que também produz a peça), Roberta Brisson e Diego de Abreu”, destaca.

Além disso, o ator reforça a importância da união nos bastidores. “Nossa coxia é sagrada e isso talvez seja o segredo do sucesso também”, pontua. Sobre a mistura de tom da obra, ele explica a dinâmica do espetáculo: “A capacidade de unir a comédia e o drama em ‘O Formigueiro’ é um triunfo, pois acredito sempre que o riso pode vir das situações mais trágicas e vice-versa”.

Das memórias de ‘Surto’ ao sucesso na teledramaturgia

A caminhada no teatro também se conecta diretamente aos grandes sucessos da carreira do ator. Afinal, a peça Surto, que estreou em 2003 e ficou 12 anos em cartaz, foi o divisor de águas que projetou seu trabalho para a televisão e onde conheceu seu marido, o ator e roteirista Wendell Bendelack, que integra a equipe de autores de Quem Ama Cuida.

Sobre a montagem que revelou o personagem Patrick, Fagundes compartilha o orgulho que sente. “Tenho muito orgulho do SURTO e de tudo que colhemos com essa peça. Fui parar na TV com um personagem do teatro. Fiquei 9 anos no Zorra Total e aprendi muito. Fiz muito sucesso, ganhei prêmio, dinheiro, carinho gigante do público e ganhei maturidade e musculatura para aguentar a parte negativa da profissão, afinal existem as dores e as delícias de qualquer profissão”, avalia.

Por outro lado, o humorista reflete sobre os preconceitos do mercado. “Durante muito tempo sofri preconceito sim por ter vindo do humor, ainda sofro um pouco, mas tive oportunidades incríveis no teatro e na teledramaturgia de mostrar meu trabalho e tenho até hoje”, analisa o artista.

Bastidores da TV e busca por novos projetos

Mesmo com o marido integrando a equipe de roteiristas de Quem Ama Cuida, o ator garante que a rotina em casa preza pela leveza e pela total separação entre o profissional e o pessoal. “A última coisa que falamos aqui em casa é sobre a novela!”, revela.

Acumulando produções na TV aberta, no teatro e no streaming — com atuações em Impuros, Tudo Bem no Natal Que Vem e Pablo e Luizão —, Rodrigo detalha seus critérios para aceitar novos convites. “Busco saber que tipo de personagem vão me oferecer, o que ele tem a acrescentar para quem vai ver, o que significa para mim dar vida a ele, saber quem está envolvido é algo que especulo também pois é importante estar com pessoas talentosas mas que saibam agregar, não segregar, estimular o outro”, explica.

Apesar da trajetória vitoriosa, o artista mantém a vontade de alcançar novos espaços artisticamente. “Sinto uma tristeza imensa por nunca ter feito cinema. Nem para testes me chamam. E olha que corro atrás! Aprendi a me produzir no teatro e caço minhas oportunidades. Odeio quando dizem que sou sortudo. Até sou, mas a sorte sempre me encontrou trabalhando!”, conclui.

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