Beth Goulart (65) abriu o coração ao relembrar a perda dos pais, Nicette Bruno (1933-2020) e Paulo Goulart (1933-2014). Durante visita ao Museu da Língua Portuguesa, com a CARAS, em São Paulo, a atriz compartilhou reflexões sobre o luto, a espiritualidade e os ensinamentos que continuam presentes em sua vida.

Ao falar sobre o processo de despedida, Beth destacou que o primeiro ano após uma perda exige tempo e acolhimento.

“O primeiro ano é muito difícil. É um ano importante, inclusive, de você respeitar o luto”, afirmou.

Segundo a atriz, a morte da mãe despertou um sentimento profundo de orfandade e a levou a um processo de autoconhecimento.

“Eu tive que aprender a ser minha própria mãe, a me colocar no colo quando estou triste, a me escutar, a saber que, nesse momento, eu preciso de afeto, de acolhimento”, revelou.

A importância de pedir ajuda

Beth também refletiu sobre a dificuldade que muitas pessoas têm em demonstrar vulnerabilidade durante momentos de dor. Para ela, reconhecer a necessidade do outro faz parte do processo de cura.

“A gente precisa fazer isso… é tão difícil pedir ajuda… porque todo mundo precisa do outro. Nós não somos seres isolados, nós somos seres coletivos. Ninguém é uma ilha”, disse.

A atriz lembrou ainda que, após perder a mãe durante a pandemia de Covid-19, decidiu compartilhar sua própria experiência nas redes sociais para acolher pessoas que viviam situações semelhantes.

“Talvez pelo fato de eu elaborar a minha dor, de não escondê-la, ao contrário, de revelá-la e falar sobre isso, tenha ajudado as pessoas a lidar com a sua própria dor, com a sua própria perda”, afirmou.

 

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O legado de Nicette Bruno e Paulo Goulart

Ao recordar os pais, Beth destacou que herdou muito mais do que o amor pela arte. Segundo ela, Nicette Bruno foi responsável por transmitir valores que continuam guiando sua trajetória.

“A minha alegria, a mãe era uma mulher muito alegre”, contou.

Ela explicou que aprendeu desde cedo a importância da caridade e da espiritualidade, ressaltando que a fé vai além de qualquer religião.

“Fé não necessariamente é uma religião. Fé é um sentimento de conexão. Conexão com aquilo que você acreditar”, disse.

Sobre Paulo Goulart, Beth afirmou que também recebeu exemplos de generosidade e dedicação à arte, características que marcaram toda a família.

“Meu pai também era tão generoso quanto minha mãe, tão caridoso quanto ela”, lembrou.

Hoje, ao lado do filho e da neta, a atriz acredita que esses valores seguem vivos por meio das atitudes do dia a dia, perpetuando o legado construído por Nicette Bruno e Paulo Goulart ao longo de suas vidas.

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