A experiência de ser pai ajudou o ator Patrick Brammall (50) a construir um dos papéis mais intensos de sua carreira. Em Desaparecida, nova série de suspense, ele interpreta Ian, um homem que enfrenta uma busca desesperada pela filha desaparecida.
Em entrevista exclusiva à repórter Cleide Klock, do Hollywood by CARAS, o artista revelou como a própria vida influenciou sua interpretação e comentou os dilemas emocionais explorados pela produção.
Pai de duas meninas, Patrick encontrou na paternidade uma conexão imediata com o personagem. Durante as gravações, sua filha mais velha tinha entre 3 e 4 anos, enquanto a mais nova ainda era bebê.
A proximidade entre a idade das crianças e a da menina envolvida na trama tornou a experiência especialmente significativa para o ator.
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“Eu não sou o tipo de ator que geralmente escolheria coisas da minha vida, memórias específicas ou essas coisas. Mas estava bem ali. Foi muito cru pra mim. Então teria sido bobagem para mim ignorar isso”, afirmou.
Segundo ele, essa identificação pessoal abriu caminho para compreender as motivações de Ian. Ao mesmo tempo, o ator precisou encontrar o equilíbrio para interpretar um homem levado ao extremo pelas circunstâncias que enfrenta.
“Uma grande parte do meu trabalho era apenas ficar aberto ao que estava acontecendo na história e com os outros personagens e deixar que isso me afete. E eu fiz isso”, explicou.
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Ator reflete sobre os desafios emocionais da trama
A intensidade da história também exigiu um envolvimento emocional prolongado. Patrick contou que passou cerca de quatro meses gravando a produção e que permanecer naquele estado emocional durante todo o período foi uma experiência marcante.
Embora tenha recorrido à própria vivência como pai para compreender Ian, o ator explicou que precisou estabelecer limites ao pesquisar histórias reais de crianças desaparecidas.
Para isso, assistiu a documentários e buscou informações sobre casos semelhantes, mas percebeu que aprofundar demais esse contato poderia se tornar emocionalmente desgastante.
“Eu senti que era apenas um peso de chumbo que eu realmente não precisava. É bom para o personagem, mas não é bom para mim como humano estar carregando essa coisa da vida real. Isto é ficção, é ficcional”, declarou.
Para ele, a construção do papel também dependeu da imaginação e do trabalho conjunto com a equipe criativa. A intenção era conferir verdade emocional à história sem perder de vista a natureza ficcional da produção.
Quem é o verdadeiro herói de Desaparecida?
Um dos aspectos mais complexos da série está na maneira como a trama apresenta os personagens. Embora Ian comece a história como um pai que deseja reencontrar a filha, suas atitudes passam a levantar questionamentos sobre suas motivações e as consequências de sua busca.
Patrick destacou que o protagonista não é necessariamente um herói tradicional. A determinação para encontrar a menina também está relacionada à culpa que sente pelo desaparecimento e ao desejo de se redimir como pai e policial.
“Ele não é um herói. E na verdade, Ian e Henry são dois lados da mesma moeda. Acho que é isso que é interessante”, analisou o ator.
A série também apresenta diferentes perspectivas sobre o que aconteceu, fazendo com que os personagens reajam de maneiras distintas diante do desaparecimento.
Enquanto Ian tenta recuperar a filha, outros envolvidos procuram proteger suas próprias famílias ou lidar com segredos que podem mudar o rumo da história.
Essa construção, na avaliação do artista, torna a narrativa mais ambígua e humana, levando o público a questionar o que significa fazer o melhor por uma criança e até que ponto a busca por respostas pode ultrapassar limites.
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Suspense aborda medos reais
Para Patrick, histórias como Desaparecida permitem que o público entre em contato com situações extremas sem precisar vivenciá-las.
O ator acredita que o drama tem a capacidade de provocar reflexões e criar conexões por meio de experiências humanas difíceis. “Eu acho que o propósito do drama é sobre a catarse”, afirmou.
Na visão do artista, abordar temas delicados na ficção exige responsabilidade. Ele ressaltou que a equipe levou a história a sério justamente por trabalhar com um assunto capaz de despertar medo e identificação nos espectadores.
“Há um medo, e trazer esses medos para fora e interpretá-los num mundo fictício com a verdade emocional permite que as pessoas o vejam, vivenciem isso, satisfaçam a curiosidade a respeito sem precisar passar pela experiência pessoalmente”, explicou.
Ao combinar suspense e conflitos familiares, Desaparecida coloca em discussão questões que vão além do mistério central: culpa, proteção, obsessão e os diferentes significados de família.

Texto: Karla Sthefany Lima
Entrevista: Cleide Klock
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