Conheça as vantagens de comprar itens de decoração via internet
A loja física está longe de acabar, mas cada vez mais gente transita entre os mundos real e virtual para comprar móveis e objetos de arte. A seguir, especialistas apontam vantagens
Estamos diante de uma nova era que está mexendo com as relações humanas. E, mais precisamente, na forma como compramos. O princípio básico continua o mesmo: uns querem comprar, outros querem vender, todos se encontram e fecham negócio. Mas em meio à atual revolução digital, apertos de mão que selavam transações estão sendo substituídos por e-mails de confirmação. Cada vez mais, pelo menos parte desse processo é virtual. E essa feira on-line só cresce. De livros, remédios e eletrônicos, agora encontramos joias, mesas de centro, lustres de cristal, sofás e até obras de arte. A cena atual mostra que a jornada de compra, geralmente, começa num smartphone e vai além. Segundo pesquisa da Cisco, multinacional especializada em tecnologia, oito em cada dez consumidores americanos fazem pesquisa, confiam primeiramente em resenhas e rankings on-line e compram regularmente pela internet. Trata-se de um caminho sem volta. E um caminho que leva a lugares bem distantes, o que anima muitos empresários. “Nossa ideia era levar arte acessível a mais pessoas”, conta Bruno Rampazzo, sócio da galeria on-line DemocrArt. “E a internet ultrapassa os limites do eixo Rio-São Paulo”, diz. Para completar, no caso específico do mercado de arte, muita gente que fica intimidada de entrar numa galeria, não tem medo ou vergonha nenhuma de acessar um site. Para Bruno, a estabilidade da economia brasileira abriu espaço para negócios como o dele. Para ser mais acessível, a DemocrArt, há dois anos e meio, começou a vender edições limitadas. “Com curadoria de artistas renomados, mas não eram originais assinados”, explica. A frase é no passado porque, hoje, além desses originais, fotografias e esculturas estão entre as cerca de 1300 peças à venda.
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Esse imenso estoque é outra vantagem das lojas on-line. Perguntado por que alguém compraria um quadro num site e não numa galeria, Michael Bruno, fundador do site de compras 1stdibs, é direto. “Por que você iria a uma loja que tem apenas duas ou três opções de sofás, se pode acessar o nosso site, pesquisar exatamente o que quer, estilo, cor e preço, e encontrar centenas de modelos?”. Hoje, o 1stdibs tem quase dois mil vendedores em 11 países, mais de US$ 650 milhões em mercadorias vendidas e uma lista de espera com centenas de lojas que querem se tornar membros.
O crescente interesse pela compra on-line de móveis e peças de decoração tem seus motivos. Nunca antes tanta gente quis – ou precisou – trabalhar em casa e deixar esses espaços confortáveis. Programas de televisão, blogs e sites popularizaram ainda mais a decoração. E nem todo mundo tem dinheiro ou vontade de ter sua casa decorada por um profissional. Apesar de homens e mulheres comprarem on-line, elas estão ligeiramente na frente. E se compra de tudo. De almofadas e abajures a sofás e quadros de R$ 30 mil. “Pode até ser um paradoxo, mas talvez seja mais fácil comprar uma peça mais cara, de um artista renomado, que você já tem informação a respeito e sabe o que esperar”, diz Beto Cocenza, idealizador do BOOMSPDESIGN, Fórum Internacional de Arquitetura, Design e Arte. “Também é cada vez mais comum a pessoa entrar numa loja, acessar a internet no tablet e comprar on-line na hora porque é mais barato”, acrescenta.
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Mas adquirir uma cadeira não é a mesma coisa que comprar um livro. Há a questão do tamanho, do conforto, do toque. Em busca de uma experiência de compra virtual o mais próxima possível da real, surgem soluções criativas. A gigante sueca Ikea lançou um aplicativo de realidade aumentada onde você pode “experimentar” um móvel na sua casa antes de comprá-lo. No Brasil, a Tok&Stok criou o “Tok3D”, que permite montar um projeto de decoração 3D com mais de 5 mil produtos. E a OPPA inaugurou dois showrooms em São Paulo e Campinas e pretende abrir mais em outros estados. “A pessoa não sai com a peça de lá, mas pode experimentar, ver amostras dos tecidos e contar com o apoio de vendedores”, diz Ana Carparelli, diretora de expansão da marca. O fato é que a sinergia entre os canais on-line e off-line é grande. Não se trata de concorrência, mas de complementaridade. De acordo com a pesquisa da Cisco, o número de consumidores que pesquisam no computador e compram em lojas físicas cresceu de 57% em 2011 para 65% no ano passado. E a porcentagem de pessoas que pesquisam nas lojas físicas e compram on-line pulou de 38% para 40% no mesmo período. Para Nilo Signorini, diretor comercial da Tok&Stok, o site é uma plataforma de impulso das vendas tradicionais. “A experiência de compra física jamais será substituída”, acredita. Ao que tudo indica, por enquanto, a loja continuará sendo o lugar onde a maioria das compras termina.