Derrotado pela Globo na Justiça, ator comemora 80 anos com vida discreta nos EUA
Veterano, que foi condenado a pagar mais de R$ 300 mil a Globo em ação movida pela emissora, vive fora do Brasil após aposentadoria

No dia em que completa 80 anos, Ewerton de Castro celebra a data bem distante do Brasil e dos holofotes que marcaram sua trajetória na dramaturgia. Aposentado desde 2011 e morando nos Estados Unidos, o ator — conhecido por personagens intensos e fala direta — teve uma carreira marcada por sucessos e, nos últimos anos, uma disputa judicial envolvendo a TV Globo.
Nascido em São Paulo em 11 de dezembro de 1945, Ewerton de Castro iniciou a carreira no teatro, acumulando mais de 25 filmes e dezenas de peças como ator e diretor. No cinema, venceu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Santos de 1973 pelo filme Anjo Loiro.
Na televisão, estreou em 1967 interpretando o Visconde de Sabugosa na versão da Band de Sítio do Picapau Amarelo. Depois, passou por A Revolta dos Anjos e Vidas Marcadas, consolidando-se como um nome de peso no elenco da teledramaturgia.
Seu grande momento veio em 1975, quando viveu Alexandre, o antagonista da 1ª versão de A Viagem na extinta Tupi. O personagem — um homem condenado por homicídio que tira a própria vida na prisão e volta para se vingar no plano espiritual — tornou-se um dos vilões mais marcantes da TV brasileira.
Confira uma cena de Ewerton de Castro como Alexandre em A Viagem (1975):
Ewerton passou ainda por produções importantes na Globo como Roque Santeiro (1985), Riacho Doce (1990), Fera Ferida (1993) e Os Maias (2001). Após deixar a emissora carioca em 2002, migrou para a Record, onde atuou em novelas como A Escrava Isaura (2004) – atualmente em reprise na TV -, Essas Mulheres (2005), Bicho do Mato (2006), Chamas da Vida (2008) e A História de Ester (2011) — seu último trabalho antes da aposentadoria.

A saída da Globo e o início da disputa judicial
O rompimento de Ewerton com a Globo aconteceu durante a produção da minissérie O Quinto dos Infernos, em 2002. Escalado para interpretar um comerciante, o ator afirmou sentir-se “desrespeitado artisticamente”, alegando que o personagem havia sido reduzido a uma figura quase sem falas e raramente enquadrada pela câmera.
“Não pensei que chamariam a mim, com 34 anos de carreira, para fazer praticamente uma figuração”, declarou ele na época.
Frustrado, Ewerton abandonou a produção — atitude que levou a Globo a processá-lo por quebra de contrato. A emissora afirmou ter sido “surpreendida” pelo desaparecimento do personagem, o que teria obrigado a equipe a reescrever capítulos e reorganizar toda a estrutura da minissérie.
“No processo, a Globo ressaltou que o ator havia sido contratado como coadjuvante e que ‘por mais famoso que seja, um ator não pode interferir nos critérios de direção e produção’.”, respondeu a emissora.

Condenação e bloqueio de bens
A ação se arrastou por duas décadas. Já sem possibilidade de recurso, a Justiça determinou que Ewerton de Castro deveria pagar cerca de R$ 335 mil à Globo — valor que inclui multa contratual, correção monetária, juros e honorários.
Como o montante não foi quitado, em 2023 o juiz Rogério de Camargo Arruda determinou o bloqueio das contas bancárias do ator para garantir a execução da dívida. A sentença, proferida 21 anos após o início do caso, considerou que Ewerton havia recebido o roteiro antes de assinar o contrato e que o abandono se deu por “descontentamento e arrependimento”, não por falha da emissora.
Aposentadoria e vida nos Estados Unidos
Após 2011, Ewerton decidiu se afastar de vez da televisão e se mudar para os Estados Unidos, onde vive discretamente desde então. Ele é pai da atriz Talita Castro (48) e, apesar da ausência em projetos recentes, permanece como um nome lembrado pelo público que acompanhou sua fase de ouro na TV.
Hoje, ao completar 80 anos, o ator segue longe dos palcos, das câmeras e também das polêmicas que marcaram sua trajetória — mas com uma vida tranquila no exterior e um legado artístico que atravessa gerações.
