O Dia dos Pais tem um significado diferente para Hendyohara (25). Mãe solo de Dante, de 4 anos, diagnosticado com autismo nível 1, a influenciadora afirma que, além de concentrar sozinha todas as responsabilidades da criação do filho, a data também exige cuidado para lidar com as dúvidas que surgem à medida que a criança cresce e passa a conviver com outras configurações familiares.

Hendy conta que as perguntas sobre a ausência da figura paterna fazem parte da sua rotina, principalmente nas redes sociais. Segundo ela, são centenas de questionamentos diariamente, mas aprendeu a estabelecer limites sobre o assunto. “Recebo milhares de perguntas nas redes sociais, como por exemplo ‘onde está o pai?’ ou ‘quem é o pai?’ e aprendi a levar na brincadeira. Na internet, na maior parte das vezes, eu simplesmente não respondo ou tiro sarro da situação. Já pessoalmente, falo que o genitor abdicou da paternidade e, hoje, nossa família é formada por mim e pelo meu pequeno. Quando percebo que as perguntas começam a ultrapassar esse limite, vou cortando a conversa”, afirma.

As datas comemorativas na escola também passaram a ser motivo de preocupação. A influenciadora revela que, nos últimos dois anos, optou por não levar Dante às atividades relacionadas ao Dia dos Pais para evitar que ele se sentisse desconfortável. “Essa data me traz um sentimento muito triste, pois foi algo que também aconteceu comigo algumas vezes na infância e me dói não saber exatamente o que falar pra ele. Não quero dizer ‘seu pai não quis ser pai’. Então digo que cada família é diferente da outra e a nossa é formada por apenas uma mamãe e uma criança. Na escolinha, opto por não levá-lo no dia dos pais e nos dias de atividade relacionada a isso. Prefiro fazer coisas em casa com ele, dando o dobro de assistência e atenção nessa época”, explica.

A influenciadora Hendyohara ao lado do filho Dante - Foto: Divulgação
A influenciadora Hendyohara ao lado do filho Dante – Foto: Divulgação

Realidade complexa

Para Hendy, um dos maiores equívocos é resumir a maternidade solo à ideia de “fazer papel de mãe e de pai”. Segundo ela, a realidade é muito mais complexa. “Eu concentro sozinha todas responsabilidades que, em muitas famílias, seriam divididas entre duas ou mais pessoas. São decisões, preocupações, rotina, educação, saúde, escola, financeiro, além de toda a carga emocional de criar uma criança”, diz.

Ela destaca que, em datas como o Dia dos Pais, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior: “Não é só sobre mim. Eu preciso pensar em como o meu filho vai receber aquilo, o que ele vai sentir, o que ele vai perguntar e como eu posso protegê-lo sem mentir para ele. Às vezes, enquanto todo mundo está vivendo uma comemoração, para algumas famílias e para mim é uma data que exige muito cuidado emocional e tristeza”.

Ao refletir sobre a realidade das mães solo, Hendy defende que ainda falta empatia da sociedade para compreender que nem toda família segue o mesmo modelo e que a ausência paterna não deve ser atribuída à mãe. “É necessário parar de achar que tudo é culpa da mulher para essa situação estar acontecendo. É importante olhar a realidade do Brasil e parar de tratar as mães solos como se elas tivessem escolhido estar naquela situação ou como se a ausência paterna fosse responsabilidade delas. Existe uma cobrança muito grande em cima da mulher. Se o pai não está presente, perguntam para a mãe onde ele está. Se alguma coisa dá errado com a criança, cobram a mãe. Se ela trabalha muito, questionam. Se ela para de trabalhar para cuidar do filho, também questionam”, expressa.

Por fim, ela afirma que seu maior desejo é que sua família seja vista sem julgamentos. “Estamos em meio a um século cheio de informações, uma era onde tudo pode ser mais facilmente aprendido e disseminado. Eu não quero que olhem para mim e para o meu filho como uma família incompleta. Que me tratem com certo desprezo por eu não ter um marido atualmente. Mãe e filho apenas, e ainda assim nós somos uma família. Uma família muito completa em amor”, finaliza.