Durante mais de quatro décadas de estrada, o cantor e violeiro Pardinho fez história ao lado de Tião Carreiro, consolidando uma das duplas mais importantes da música raiz no Brasil. Longe dos palcos e do ritmo agitado das turnês, era na tranquilidade do município de Piedade, no interior de São Paulo, que o artista encontrava o seu verdadeiro porto seguro. O sítio da família, mantido até hoje exatamente como ele deixou, é um refúgio repleto de simplicidade, afeto e muita tradição caipira.
A propriedade funciona como o ponto de encontro preferido da viúva, Dona Lucília, além de seus dois filhos e netas, que mantêm vivo o hábito de se reunir nos fins de semana. Mais do que um espaço de descanso, o local preserva a essência rústica do campo, o estalar do fogo e o som inconfundível da viola ressoando sob a sombra das árvores.
O antigo galpão de cebolas que virou o coração da casa
O canto mais disputado do sítio é um antigo galpão rústico. Quando o imóvel foi adquirido, o espaço era utilizado para armazenar sacos de cebola e guardar tratores. Em vez de demolir a estrutura para erguer uma construção moderna, Pardinho fez questão de preservar o estilo caipira original. O espaço foi adaptado para abrigar um tradicional fogão a lenha e uma churrasqueira, tornando-se a área principal de convivência da família.
É ali que parentes e amigos se acomodam logo ao chegar, quase sem precisar entrar na casa principal. O ambiente rústico convida a longas conversas e modas de viola que atravessam a tarde. Cada detalhe da construção exala a autenticidade de um modo de viver simples e a paixão do artista pelas coisas da terra.
Mais lidas
Acervo com 63 discos e memórias de uma trajetória brilhante
Na sala da residência, as paredes e prateleiras contam a história da música sertaneja. Dona Lucília guarda com carinho o acervo completo do marido, incluindo o seu primeiro LP gravado quando tinha apenas 21 anos. O acervo reúne raridades da época em que Pardinho formou duplas com Pardal e João Mulato, além dos 63 discos gravados na lendária parceria com Tião Carreiro.
Muitas lembranças curiosas completam a decoração, como cartazes de shows antigos, fotos de época e até o chapéu de palha que o cantor não tirava da cabeça durante os dias de folga no campo. O amor pela música caipira também atravessou gerações: seu filho Carlos Henrique, conhecido como Pardinho Filho, segue os passos do pai na estrada da música.


Um legado de afeto eternizado na terra de Piedade
O sítio guarda ainda um significado profundo para a família por ter sido o cenário dos últimos momentos do artista, falecido em 2001. A pedido do próprio cantor, seu corpo foi sepultado no cemitério local de Piedade, cidade onde escolheu fincar suas raízes em definitivo.
Hoje, o som da viola caipira tocado pelas novas gerações sob o teto do antigo galpão garante que a memória do artista permaneça pulsando. O refúgio de Pardinho no interior paulista segue cumprindo o seu papel mais nobre: reunir quem ele amava ao redor do fogo, da boa música e das tradições do campo.


Comentários
O que você achou dessa matéria?
Participe da conversa
Entre ou crie sua conta para deixar um comentário.