Uma das figuras mais emblemáticas e queridas da história da comunicação brasileira, o radialista, cantor e sanfoneiro Zé Béttio (1926-2018) marcou gerações ao acordar o país com seu estilo humilde, bordões inesquecíveis e um amor genuíno pelas tradições sertanejas. No entanto, longe dos microfones e das cabines de rádio da capital paulista, o artista encontrava na vida rural a sua verdadeira essência. Dono de um patrimônio imobiliário expressivo no agronegócio, o comunicador concentrou seus maiores investimentos rurais no município de Rinópolis, localizado na região Oeste do estado de São Paulo.
Adquiridas para servirem como um porto seguro de tranquilidade ao lado dos familiares, as propriedades rurais, com destaque para as históricas Fazenda Santa Rosa e Fazenda Leonilda, somavam milhares de hectares de terras férteis. O espaço foi cuidadosamente planejado para garantir privacidade total ao locutor, permitindo que ele se desligasse da rotina intensa dos programas ao vivo e desfrutasse do sossego do campo. Contudo, o local ia muito além do lazer, abrigando uma estrutura agrícola e pecuária altamente produtiva que funcionava de forma contínua no interior paulista.
Produção de mel, apicultura e criação de gado no interior de SP
A estrutura da fazenda em Rinópolis destacava se pela diversificação de atividades produtivas e pelo contato íntimo de Zé Béttio com o trabalho na terra. A propriedade contava com extensas áreas de pastagens voltadas para a criação de gado de corte, cultivos agrícolas tradicionais e um setor dedicado exclusivamente à apicultura para a produção de mel puro de altíssima qualidade.
O carinho do radialista pelo mel produzido em suas terras era tanto que ele fazia questão de enviar potes frescos aos amigos e colegas de profissão, sempre acompanhados de seus famosos conselhos de saúde. O envolvimento do artista com os detalhes da produção mostrava seu lado empresário no agronegócio.
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O som da natureza levado diretamente para os estúdios de rádio
Outra peculiaridade marcante da fazenda era a sua utilização como extensão de seu trabalho na comunicação. Amante dos sons da roça, o próprio Zé Béttio caminhava pelas matas e lagoas da propriedade com um gravador em mãos para registrar o cricrilar dos grilos, o cantado dos pássaros e o coaxar dos sapos durante a noite.
De volta aos estúdios de rádio em São Paulo, ele inseria essas sonoplastias reais ao vivo durante suas transmissões matinais, transportando milhões de ouvintes diretamente para o ambiente rústico de sua fazenda. Essa autenticidade tornou suas transmissões inesquecíveis e estreitou ainda mais seu laço com o público do interior.
O adeus em 2018 e o legado inesquecível mantido pela família
Além da vertente produtiva, o complexo contava com uma ampla casa sede, vilas de moradores para os funcionários da propriedade, capela histórica e áreas arborizadas que preservavam a vegetação nativa do Oeste Paulista. A fazenda serviu de refúgio absoluto para o artista após a sua aposentadoria dos microfones, permitindo que ele vivesse seus últimos anos com tranquilidade longe dos holofotes.
O inesquecível comunicador faleceu em 27 de agosto de 2018, aos 92 anos de idade, na cidade de São Paulo, de causas naturais enquanto dormia em sua residência no bairro do Horto Florestal, após complicações resultantes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em 2016. Seu sepultamento foi realizado de forma discreta pela família.
Apesar de sua partida, o legado de Zé Béttio permanece vivo na memória afetiva do rádio e na história do agronegócio paulista. As fazendas mantidas por sua família em Rinópolis continuam sendo o maior símbolo de sua ligação com a terra, representando a simplicidade, o trabalho árduo e a paixão genuína pelo interior do Brasil.


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