O contato com a natureza é cada vez mais valorizado e é um recurso que as celebridades exploram para encontrar a tranquilidade e os benefícios da vida no campo. Tanto que vários famosos vivem em casas de campo quando não estão envolvidos em trabalhos nas grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro.
E é justamente este tipo de estilo de vida que a atriz Cleo Pires, de 43 anos, e seu marido, Leandro D’Lucca, escolheram depois do casamento. Casados desde a pandemia, os dois se dividem entre a rotina no sítio da família no meio das montanhas e a vida na cidade grande.
“Vida na roça é bom demais“, disse ele. E ela completou: “Roça é vida“.



A rotina no campo e a escolha pela agrofloresta
Cleo e Leandro são proprietários de um sítio no meio das montanhas em Minas Gerais. A propriedade tem estilo de vida simples, com casa principal, criação de animais, horta e muito verde ao redor. Inclusive, os dois colocam a mão na massa quando estão no sítio.
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Nas redes sociais, Leandro sempre compartilha vídeos de sua rotina no campo. Ele já mostrou sua ida em busca dos cavalos, que ficam soltos na propriedade, o plantio de sementes para a horta da família e também o início de uma agrofloresta.
Os dois receberam um especialista em agrofloresta no início do ano para iniciarem o projeto na localidade. Nas imagens divulgadas, os dois apareceram recebendo as sementes e estudando o melhor local para colocarem a plantação em busca da harmonia da vegetação do local.
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O casal também recebe a família e os amigos para noites de diversão ao redor da fogueira e admiram a vista deslumbrante da casa para as montanhas.


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O que é uma agrofloresta? Conheça o método que planta comida copiando a natureza
Em um momento em que o mundo busca soluções urgentes para conciliar a produção de alimentos com a preservação ambiental, o conceito de agrofloresta ganha papel de destaque no debate global. Longe de ser apenas uma tendência sustentável recente, a agricultura sintrópica ou sistema agroflorestal representa uma quebra total no modelo tradicional de cultivo. O método baseia-se em uma lógica simples, mas revolucionária: em vez de derrubar a mata para plantar uma única cultura, o produtor planta a lavoura recriando a estrutura de uma floresta nativa.
Diferente da monocultura convencional, que foca em apenas um produto e esgota os nutrientes da terra rapidamente, os sistemas agroflorestais reúnem dezenas de espécies diferentes no mesmo espaço. Em uma agrofloresta, árvores de grande porte, arbustos, hortaliças e grãos crescem juntos em perfeita harmonia. Cada planta ocupa uma camada de altura e cumpre uma função estratégica para o ecossistema.
A grande magia do processo está na cooperação. Árvores mais altas oferecem a sombra necessária para plantas delicadas que não suportam o sol forte, enquanto as espécies de crescimento rápido são podadas constantemente. As folhas e galhos dessa poda são depositados diretamente sobre o chão, criando uma camada rica de matéria orgânica. Essa cobertura protege a terra contra a erosão, mantém a umidade por muito mais tempo e funciona como um adubo natural, eliminando a necessidade de fertilizantes químicos.
Alimento em abundância e o retorno da biodiversidade
Uma das maiores vantagens da agrofloresta é a sua alta produtividade por metro quadrado. No mesmo pedaço de terra, o agricultor consegue colher rabanete e alface nas primeiras semanas, milho e feijão em poucos meses, banana e mamão em um ano, e ainda garantir a produção de café, cacau e madeira nobre a longo prazo. Essa diversidade traz segurança financeira para quem planta, garantindo colheitas e renda o ano inteiro.
O impacto ecológico na região é imediato. Ao recriar o ambiente florestal, os animais nativos ganham novos corredores ecológicos. Pássaros, abelhas e outros polinizadores retornam para a área, ajudando no controle natural de pragas e dispensando o uso de agrotóxicos. Além disso, o solo enriquecido ganha a capacidade de reter água, alimentando lençóis freáticos e ajudando a trazer de volta nascentes que antes estavam secas devido ao desmatamento.
Da herança indígena ao pioneirismo de Ernst Götsch no Brasil
A prática de plantar em sistemas integrados faz parte da sabedoria ancestral das comunidades indígenas de diversas partes do mundo há milhares de anos. No entanto, o conceito ganhou termos científicos e bases técnicas modernas nas últimas décadas, tendo o Brasil como um dos principais palcos de desenvolvimento graças ao agricultor e pesquisador suíço Ernst Götsch.
Radicado na Bahia desde a década de 1980, Götsch desenvolveu a chamada agricultura sintrópica. Ele transformou uma fazenda completamente degradada e de terra seca em uma floresta altamente produtiva e rica em recursos hídricos. Seus ensinamentos servem de base para pequenos produtores familiares e também para grandes fazendas que decidiram migrar para o modelo regenerativo, provando que a produção em larga escala pode andar de mãos dadas com a regeneração do planeta.
Os pilares fundamentais de uma agrofloresta de sucesso
- Estratificação: Organização das plantas por andares de altura para que todas aproveitem a luz solar de acordo com sua necessidade específica.
- Sucessão natural: Entendimento de como a floresta cresce e evolui ao longo do tempo, plantando espécies que preparam o solo para as próximas gerações de árvores.
- Poda drástica: Ação de cortar galhos e folhas para acelerar o metabolismo das plantas e produzir adubo orgânico diretamente na área cultivada.
- Cobertura constante: Manter o solo sempre protegido e coberto com palhada para reter a água da chuva e alimentar os micro-organismos da terra.
Com as discussões sobre sustentabilidade e segurança alimentar cada vez mais urgentes, a agrofloresta deixa de ser uma alternativa isolada para se transformar em uma tecnologia indispensável. Ao provar que é possível recuperar áreas degradadas produzindo alimentos saudáveis e de alta qualidade, o método ensina que o futuro da agricultura depende da nossa capacidade de trabalhar a favor da natureza, e nunca contra ela.
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