Poucos imóveis ligados a celebridades carregam uma história tão marcada por luxo, polêmicas e disputas quanto a mansão que pertenceu a Clodovil Hernandes. Localizada em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, a residência permanece praticamente intocada desde a morte do estilista, apresentador e ex-deputado federal, em março de 2009. O que um dia foi um dos maiores símbolos do sucesso do comunicador hoje chama atenção pelo cenário de abandono, cercado pela vegetação e por um impasse judicial que atravessa mais de uma década.
Projetada para ser um refúgio longe da rotina intensa da televisão e da moda, a propriedade foi construída em um dos pontos mais privilegiados da cidade, entre as praias do Meio e do Léo, com vista para o mar e cercada pela Mata Atlântica. Ao longo dos anos, a natureza passou a ocupar os espaços antes destinados ao lazer, enquanto a estrutura sofreu os efeitos do tempo e da falta de manutenção.
Mesmo após tantos anos, a mansão continua despertando curiosidade entre fãs de Clodovil e visitantes que passam pela região. Vídeos gravados por exploradores urbanos e curiosos ajudam a mostrar como está o imóvel atualmente, revelando ambientes deteriorados e jardins tomados pela vegetação.
Uma mansão construída para impressionar
Quando estava em pleno funcionamento, a residência refletia o estilo sofisticado de Clodovil. O imóvel possui aproximadamente 4,3 mil metros quadrados, distribuídos em cerca de 20 cômodos, incluindo suítes, piscina, sauna, lago, capela particular, hidromassagem e amplas áreas de convivência voltadas para o mar. Um dos detalhes mais curiosos era a existência de uma passagem que ligava a propriedade à Rodovia Rio-Santos, além de um paisagismo planejado com participação direta do próprio apresentador.
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A casa também era conhecida por receber amigos e personalidades em momentos de descanso. Durante muitos anos, tornou-se uma das propriedades mais emblemáticas do litoral paulista, reunindo arquitetura de alto padrão e uma localização considerada privilegiada.
Hoje, porém, o cenário é bastante diferente. Telhados danificados, paredes desgastadas e áreas externas tomadas pelo mato contrastam com as imagens registradas quando Clodovil ainda vivia no local. A deterioração transformou a mansão em um dos imóveis abandonados mais conhecidos do estado de São Paulo.

Leilão, disputa judicial e questionamentos ambientais
Após a morte de Clodovil, o imóvel passou a integrar o espólio deixado pelo apresentador. Como parte das dívidas precisou ser quitada, a Justiça autorizou que a mansão fosse levada a leilão. Avaliada inicialmente em cerca de R$ 1,6 milhão, a propriedade acabou sendo arrematada em 2018 por aproximadamente R$ 750 mil, depois de tentativas anteriores sem sucesso.
O que parecia ser o fim da história acabou dando início a um novo capítulo. A compradora alegou que o edital não deixava claro que o imóvel estava inserido em uma área com restrições ambientais e buscou anular a compra na Justiça. Paralelamente, o Ministério Público questionou a permanência da construção por supostos impactos ambientais, já que parte da residência estaria localizada em área de preservação. O impasse impediu a transferência definitiva do imóvel e fez com que a mansão continuasse sem qualquer destinação prática.

Morte de Clodovil marcou o fim de um capítulo e início de outro para a propriedade
A história da mansão mudou completamente em 17 de março de 2009, quando Clodovil Hernandes morreu aos 71 anos. O apresentador foi encontrado desacordado em seu apartamento, em Brasília, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Ele chegou a ser internado, mas não resistiu às complicações provocadas pelo quadro. À época, Clodovil exercia o mandato de deputado federal e seguia conciliando a vida política com projetos ligados à televisão e à moda.
Sem herdeiros diretos, o patrimônio deixado pelo estilista passou a integrar um longo processo de inventário. Ao longo dos anos, diferentes disputas envolvendo bens, credores e questões judiciais fizeram com que imóveis ligados ao apresentador permanecessem sem uma definição definitiva.
A mansão de Ubatuba acabou se tornando o principal símbolo desse processo. Enquanto a discussão sobre o futuro da propriedade se arrastava na Justiça, o imóvel permaneceu fechado, sem moradores e sem manutenção. O resultado é um cenário bastante diferente daquele idealizado por Clodovil quando decidiu construir sua casa de frente para o mar.
Nos últimos anos, imagens divulgadas por visitantes e exploradores urbanos passaram a circular nas redes sociais, despertando novamente a curiosidade do público. O estado da residência, com sinais evidentes da ação do tempo, fez com que a propriedade voltasse ao noticiário e se transformasse em assunto entre admiradores do apresentador.

Mesmo deteriorada, a mansão continua chamando atenção pela localização privilegiada e pela imponência da construção. A combinação entre arquitetura, natureza e uma longa batalha judicial faz com que o imóvel permaneça cercado de dúvidas sobre seu futuro.
Enquanto não há uma solução definitiva para o caso, a residência segue como um retrato silencioso da trajetória de uma das personalidades mais marcantes da televisão brasileira. Conhecido pelo talento na moda, pelas opiniões contundentes e pelo estilo inconfundível, Clodovil deixou um legado que ainda desperta interesse do público. A casa construída para ser um refúgio particular acabou ganhando outro significado ao longo dos anos e, hoje, permanece como um dos imóveis mais comentados do litoral paulista, não pelo luxo que um dia exibiu, mas pela história que continua carregando.
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