Morando no México, Karla Klemente brilha como musa da União da Ilha e avalia Carnaval: ‘O Brasil é sempre casa’
Após brilhar na Marquês de Sapucaí homenageando a própria avó, Karla Klemente detalha para CARAS Brasil sua rotina intensa e celebra o impacto do nosso Carnaval no mundo

O Carnaval de 2026 chegou ao fim, mas os ecos da folia continuam rendendo frutos. Com uma trajetória de peso na televisão, incluindo passagens como bailarina do Domingão do Faustão e coreógrafa em produções da Record e Globo, Karla Klemente retornou ao Rio de Janeiro com uma missão especial: brilhar como musa da União da Ilha.
Atualmente morando no México, onde construiu uma sólida carreira divulgando a cultura brasileira em musicais, programas de TV (como o Venga la Alegría) e à frente de seu próprio atelier de fantasias, a artista encontrou tempo em sua agenda disputada para viver a cartomante Eulália na Marquês de Sapucaí.
Em entrevista exclusiva para CARAS Brasil, Karla detalha o processo de preparação física, os desafios de empreender internacionalmente e a emoção de se reconectar com suas raízes.
O chamado da Avenida
Mesmo com uma agenda internacional lotada, o chamado do samba foi irresistível. Para Karla, retornar ao Brasil para representar a União da Ilha é, antes de tudo, um reencontro com sua própria essência.
“Ser musa do Carnaval na União da Ilha me motiva profundamente como artista. É incrível atuar na maior expressão da cultura brasileira, rever minhas raízes, me reconectar com a minha história e me inspirar na minha própria cultura para que essa repercussão seja internacional.”
A paixão pela festa é evidente em cada palavra da artista: “Eu amo participar do maior espetáculo da Terra.”
Apesar do sucesso no desfile, a ponte aérea faz parte de quem ela é hoje. Sobre seus próximos passos, a musa é direta: “A ideia é retornar ao México após o Carnaval, justamente para continuar divulgando e levando a arte brasileira a outros países. Mas o Brasil é sempre casa, e deixo meu caminho aberto para novas oportunidades aqui e também em outros países.”
Essa conexão profunda com a escola também ditou suas expectativas para o desfile, unindo desejos coletivos e metas pessoais na Sapucaí: “Espero ver a União da Ilha do Governador de volta ao Grupo Especial. É uma escola tradicional, de muito sucesso, com uma comunidade maravilhosa e uma história linda no Carnaval.”
“No aspecto pessoal, quero entregar a minha melhor versão na Avenida, com muita interpretação, beleza e, claro, muito samba no pé.”
Emoção na Marquês de Sapucaí
O ápice do Carnaval 2026 de Karla foi a homenagem emocional que ela levou para a Avenida. Vestindo uma fantasia caprichosamente confeccionada pelo Atelier Delfim, ela honrou a memória da própria avó. O resultado foi arrebatador.
“Desfilar como musa da União da Ilha foi uma experiência profundamente emocionante e inesquecível. Dar vida à personagem da cigana e cartomante Eulália foi mais do que interpretar um papel — foi sentir a energia, a força e a ancestralidade, atravessadas pela memória da minha avó e artista Alzira Maggioli, com sua cigana Esmeralda.”
O cuidado com o visual ajudou na imersão da personagem: “Minha fantasia, criada com tanto cuidado pelo Atelier Delfim, me fez sentir ainda mais conectada com essa personagem tão simbólica.”
A resposta do público e da crítica especializada coroou o esforço da bailarina: “Além disso, tive a honra de desfilar à frente da ala de passistas. Ao chegar em casa e ler um texto publicado em um site de Carnaval, descrevendo que conduzi o espetáculo com carisma, elegância e domínio na avenida, arrancando aplausos a cada sequência de samba, meu coração transbordou.”
“Tive a certeza de que todo o amor, respeito e dedicação colocados desde o dia em que recebi a notícia de que seria musa dessa ala se transformaram em harmonia, presença e emoção compartilhadas com o público.”
Sempre torcendo pela agremiação que a acolheu, ela finaliza o balanço da festa com otimismo: “A Ilha fez um desfile lindíssimo, e sigo vibrando para que volte ao Grupo Especial. Pra cima, Ilha! Vamos fazer história vivendo intensamente o nosso presente.”
Preparação de Musa
O glamour visto nas arquibancadas exige meses de dedicação. A preparação da coreógrafa envolveu uma força-tarefa de profissionais: “Desfilar como musa exige uma preparação intensa e muito consciente. Tenho acompanhamento com nutricionista, pois com a rotina pesada de ensaios acabo perdendo peso; por isso, o foco é ganhar massa magra e manter o corpo forte e saudável.”
O treino na academia foi desenhado estrategicamente para a Avenida: “Faço treinamento físico com meu personal, especialmente voltado para os membros inferiores, com ênfase no bumbum, buscando volume, firmeza e proporções equilibradas. Também realizo tratamentos estéticos para cuidar da pele, prevenir a celulite e valorizar ainda mais o contorno do corpo.”
Leia também: Aos 57 anos, Carla Marins faz rara aparição com o marido de 46 anos no Carnaval
E o samba no pé, claro, não ficou de fora. A técnica precisou se alinhar ao peso e à grandiosidade da fantasia: “Paralelamente, mantenho uma rotina intensa de aulas de samba, focadas na criação coreográfica, na resistência física e no fôlego para o grande dia. Minha preparadora, Dandan Firmo, tem utilizado peso nas aulas para que eu me acostume com o impacto da fantasia no desfile.”
“Também participo dos ensaios de rua, fundamentais para sentir a energia da Avenida, testar movimentos e chegar totalmente preparada para o grande momento.”
Os cuidados não pararam no corpo. Para que a maquiagem fosse impecável, a dermatologia foi uma aliada essencial, como ela mesma ressalta: “Sempre tive um cuidado muito especial com a minha pele. Desde a adolescência, fiz tratamentos para acne, o que me ensinou a importância desse acompanhamento ao longo da vida.”
“Para o Carnaval deste ano, junto com a minha dermatologista, Dra. Sandra Nahal, escolhi um tratamento específico para preencher pontualmente as cicatrizes de acne com ácido hialurônico e também realizei botox preventivo, pensando em leveza, naturalidade e qualidade da pele.”
Afinal, na Sapucaí, cada detalhe conta para a construção do espetáculo: “A maquiagem é essencial para a construção da personagem na Avenida, e nada melhor do que chegar ao desfile com a pele bem cuidada, uniforme e luminosa, para que todo o visual tenha ainda mais impacto.”

Uma carreira sem fronteiras
Morando no México, Karla construiu um império criativo. Ela atua em musicais, produz shows e fundou o Atelier Kle, focado em figurinos. Equilibrar tantas funções exige foco:
“Aqui, neste momento, meu foco é totalmente o Carnaval. No México, a rotina é intensa. Muitas vezes, dentro de um mesmo projeto, acabo exercendo várias funções diferentes.”
A lista de projetos apenas no último ano impressiona: “Este ano no México, participei de um reality show, de um filme, gravei uma série como atriz e produzi mais de cinco videoclipes. Com o Atelier Kle, vesti modelos para o programa Venga la Alegría, da TV Azteca, e para o desfile Teen Universe Ciudad de México.”
“Além disso, sigo à frente da produção de shows brasileiros em eventos e desfiles de Carnaval por todo o país.”
Mas como dar conta de tudo isso? A musa revela seu segredo de produtividade: “Para equilibrar tudo isso, procuro focar em um projeto de cada vez. Quando a agenda fica mais tranquila, coloco a mão na massa, crio coisas novas e penso nos próximos passos. Aos poucos, venho formando uma equipe e construindo parcerias que me apoiam, mas no início o processo é muito individual: é ir lá e fazer o melhor possível.”
Valor do Brasil no exterior
A vivência lá fora mudou drasticamente a percepção de Karla sobre a cultura nacional: “Já trabalhei na Alemanha, na China e no México, e essa vivência internacional mudou completamente a forma como enxergo minha carreira e o próprio Carnaval.”
Ela continua: “Essa troca cultural proporciona um crescimento enorme e me fez valorizar ainda mais a nossa cultura, a nossa forma de trabalhar, a nossa alegria e a energia com que lidamos com tudo, além da nossa capacidade de criar soluções diante dos desafios.”
Para ela, o país vive um momento de grande aceitação global: “A cultura brasileira é extremamente bem recebida e amada no mundo todo. Hoje se fala muito que o Brasil está ‘na moda’, e isso faz todo sentido: somos um país de diversidade, criativo e riquíssimo culturalmente.”
“É lindo reconhecer que sabemos criar as melhores festas e que o maior espetáculo da Terra está aqui, no Brasil.”
No México, especificamente, a receptividade é calorosa e despertou nela um senso de missão: “O México é um país lindo e extremamente receptivo à cultura brasileira. Eles amam uma batucada, a nossa dança, a nossa energia.”
“Morar no México me levou a questionar, de forma mais consciente, como eu poderia levar para fora do país o melhor e o mais atual da cultura brasileira. Ao mesmo tempo, viver em um país estrangeiro me colocou em contato direto com a minha essência brasileira.”
Ela declara: “Quando estamos fora, começamos a enxergar com mais clareza quem somos, o que nos diferencia e onde está a nossa autenticidade. Foi assim que passei a valorizar ainda mais as minhas raízes, a minha cultura e a força da dança brasileira como linguagem universal.”
Superando bloqueios e o legado da dança
Chegar ao topo exige enfrentar batalhas internas. O brilho seguro que a estrela exibe hoje é resultado de um longo processo de amadurecimento contra bloqueios profissionais.
“Ao longo da minha carreira, enfrentei muitos desafios e momentos de insegurança. No início, eu era extremamente disciplinada nos estudos, mas tinha muito medo dos palcos. Eu me cobrava demais, ficava nervosa em provas de dança e audições, e muitas vezes não conseguia entregar a minha melhor versão.”
Para virar o jogo, a artista desenvolveu táticas próprias antes de entrar em cena: “Com o tempo, comecei a desenvolver estratégias internas para ganhar segurança. Antes de entrar em cena, me imaginava dentro de uma ‘caixinha’ protegida, onde tudo podia acontecer, e focava na luz à minha frente — na iluminação do palco, sem direcionar a atenção para o público.”
“Também criei rituais pessoais e passei a repetir frases de empoderamento, reprogramando minha mente para sustentar fisicamente e emocionalmente o que eu precisava entregar.”
E para driblar o perfeccionismo que paralisa, ela adotou um novo lema: “Sempre fui muito perfeccionista, até que adotei uma frase que mudou a minha relação com o trabalho: ‘antes feito do que perfeito’. A disciplina, a resiliência e a constância fazem toda a diferença ao longo da vida.”
Nem mesmo a competitividade do meio artístico a desanimou: “Por ser um meio de muito ego e competição, também apareceram pessoas que quiseram me prejudicar profissionalmente, mas depois que eu superei isso, vieram oportunidades muito melhores na minha carreira, e isso aconteceu mais de uma vez.”
Olhando para o futuro, Karla tem clareza sobre o legado que deseja deixar por onde passa: “Acredito que o meu legado seja mostrar que a dança e a cultura são uma linguagem universal, capazes de transformar o mundo para melhor.”
Inspirada por grandes nomes da dança, ela resume sua jornada artística através de uma citação da lendária Pina Bausch: “Gosto muito de um pensamento da coreógrafa Pina Bausch: ‘Certas coisas se podem dizer com palavras, e outras, com movimentos. Há instantes, porém, em que perdemos totalmente a fala, em que ficamos totalmente pasmos e perplexos, sem saber para onde ir. É aí que tem início a dança, e por razões inteiramente outras, não por razões de vaidade.'”
E conclui, com a certeza de quem encontrou seu propósito: “Esse pensamento é muito real e especial para mim. Em muitos momentos da minha vida, eu realmente não sabia para onde ir — e foi a dança que me conduziu.”
CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS:
Ver essa foto no Instagram




