Por que beber álcool no Qatar é permitido, mas quase proibido na prática
Turistas e residentes não muçulmanos podem consumir bebidas alcoólicas apenas em locais autorizados e licenciados pelo governo

Embora não seja oficialmente um país “seco”, o Qatar tem uma das legislações mais rígidas do mundo quando o assunto é bebida alcoólica. Na teoria, o consumo é permitido; na prática, porém, ele é cercado por tantas regras, restrições e custos que acaba funcionando quase como uma proibição velada — especialmente para quem vem de países como o Brasil, onde o acesso ao álcool é amplo e culturalmente integrado ao cotidiano.
País islâmico, o Qatar adota leis fortemente influenciadas pela interpretação local do Islã e do Alcorão, que considera o consumo de álcool um hábito indesejável. Por isso, a venda e o consumo não são totalmente proibidos, mas severamente controlados pelo Estado.
Onde é permitido beber e onde não é
Turistas e residentes não muçulmanos podem consumir bebidas alcoólicas apenas em locais autorizados e licenciados pelo governo, como bares, clubes e restaurantes localizados dentro de hotéis internacionais. Restaurantes comuns, de rua ou em shoppings, não podem servir álcool, e supermercados não vendem bebidas alcoólicas.
Para turistas, basta apresentar o passaporte para consumir em locais autorizados, desde que tenham mais de 21 anos. Já residentes estrangeiros que desejam comprar álcool para consumo doméstico precisam obter uma licença governamental, passar por um processo burocrático e respeitar um teto mensal de gastos.
Confira a publicação de um restaurante para turistas com venda de álcool permitida no Qatar:
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Levar bebida alcoólica na mala também não é permitido: qualquer quantidade será retida no aeroporto e só poderá ser recuperada na saída do país. Além disso, estar embriagado em público é crime, passível de multa e até prisão. Mesmo quem compra legalmente deve consumir em ambientes privados e longe de olhares públicos. Reuniões para beber fora das zonas autorizadas também podem gerar punições.

O que tem para beber no Qatar?
No Qatar é possível encontrar cerveja long neck dentro destes locais específicos, bem como drinks em locais para turistas, tanto como garrafas de destilados, uísques, gins, tequilas e champanhes, todos apenas para quem tem permissão legal. Para quem não abre mão de “beber algo”, o país oferece também versões sem álcool de marcas conhecidas, vendidas legalmente em supermercados e estádios.

Copa do Mundo expôs contradições e provocou recuo histórico
A Copa do Mundo de 2022 escancarou ao mundo as contradições da política do álcool no Qatar. Às vésperas do torneio, as autoridades anunciaram que não haveria venda de cerveja nos arredores dos estádios — contrariando acordos prévios com a FIFA e patrocinadores, o que gerou repercussão internacional e irritação entre torcedores.
Ao mesmo tempo, o governo abriu exceções estratégicas. Em camarotes VIP e áreas de hospitalidade, torcedores com ingressos de alto valor tinham acesso liberado a cerveja, vinho, champanhe e destilados premium — alguns deles com vista direta para o campo. Já o torcedor comum ficou restrito a áreas específicas, como a Fan Festival, onde a única cerveja disponível custava cerca de R$ 75 o copo.
Houve ainda flexibilizações temporárias para jornalistas e credenciados, que passaram a ter acesso facilitado ao Qatar Distribution Center (QDC), único ponto de venda de álcool para consumo doméstico no país. Durante a Copa, limites de compra foram ampliados e a burocracia, reduzida. O episódio evidenciou um recuo pragmático do Qatar diante de um evento global.

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