Viviane Araújo quebra silêncio sobre críticas e médica aponta: ‘Ninguém consegue nos mudar’

Após Viviane Araújo desabafar sobre críticas, a geriatra e psiquiatra Roberta França explica como se fortalecer e encarar situação de forma saudável e livre de julgamentos

Viviane Araújo - Foto: Instagram

Envelhecer é um privilégio, mas nas redes sociais, o processo natural da vida tem se tornado alvo de ataques. Recentemente, a atriz Viviane Araújo quebrou o silêncio e desabafou sobre o etarismo – o preconceito contra a idade – que vem sofrendo na internet. O ponto mais doloroso? A constatação de que grande parte dos comentários negativos sobre sua aparência parte justamente de outras mulheres.

Viviane, no entanto, se mantém firme: ela defende que não teme o passar do tempo, pois seu maior desejo é viver muitos anos para acompanhar o crescimento do filho e curtir a família.

Para aprofundar esse debate urgente, a CARAS Brasil conversou com a geriatra e psiquiatra Dra. Roberta França. A especialista analisa o impacto desse julgamento na saúde mental feminina e ensina o caminho para construir uma autoimagem inabalável.

A autoestima como escudo

Questionada sobre como o preconceito afeta a qualidade de vida da mulher, a médica é categórica: a defesa começa de dentro para fora.

“Acho que a melhor forma de combater o preconceito é olharmos no espelho todos os dias e reconhecermos quem somos de verdade. Quando você está bem com você mesma, quando acredita no seu propósito, quando se enxerga como uma pessoa plena e completa, o pensamento ou julgamento do outro não te atinge. Ele só tem força quando você está insegura, angustiada, quando não consegue se sentir bem com a figura que vê refletida ali no espelho.”

A médica reforça que o segredo para atravessar essa fase com coragem é o cultivo diário do amor-próprio.

“Por isso, acredito que o autoconhecimento, o amor-próprio, o senso de valor pessoal e as críticas positivas, no sentido de pensar ‘o que posso fazer para me tornar um ser humano melhor a cada dia?’, são o caminho para termos força e coragem de passar por tudo isso de maneira honrada, alegre, responsável e amorosa. Quando falo de amorosa, me refiro ao amor-próprio mesmo: é se olhar no espelho e dizer ‘estou feliz com o que estou vendo’. E quando a gente está feliz com o que vê, não existe ninguém, nem nada, que consiga nos mudar, nos diminuir ou nos fazer sentir pequenos diante da grandeza daquilo que enxergamos em nós mesmas.”

Filtro mental é necessário

Ao abordar como combater o etarismo coletivamente e apoiar quem sofre ataques online, a especialista destaca a dualidade do ambiente digital.

Leia também: Viviane Araújo posa em clima de romance com o marido: ‘Vitamina D e amor’

“As redes sociais, eu costumo dizer, são anjos e demônios. De um lado, oferecem um espaço valioso de busca por informação, de discussões sociais importantes, de levantar bandeiras fundamentais. Mas, por outro, também são um território onde impera a crítica pesada — aquela que machuca, que destrói, que não tem nenhuma intenção de construir algo positivo. Por isso, é fundamental estarmos inteiros, firmes em nós mesmos. Precisamos estar muito bem com quem somos para conseguir olhar para esse ambiente e filtrar o que realmente vale a pena, o que nos acrescenta, nos ajuda, nos melhora e descarta aquilo que não nos serve em nada.”

Envelhecer é a única opção para viver

Por fim, a Dra. Roberta França traz uma reflexão poderosa sobre a inevitabilidade do tempo e a liberdade de escolha sobre o próprio corpo.

“Nesse contexto, acho que a grande discussão atual é entendermos o envelhecimento como um processo natural da vida. Todos nós, se quisermos viver muito tempo, teremos que passar por ele. Antes de sermos preconceituosos, desrespeitosos ou agressivos com o outro por causa do envelhecimento, precisamos nos olhar no espelho e refletir sobre o nosso próprio processo. O envelhecimento é, talvez, a condição mais democrática e universal que existe. A única forma de viver muito tempo é envelhecendo, o contrário disso é morrer. E aqueles que morreram jovens simplesmente não passarão por esse processo.”

A médica finaliza com um conselho essencial para todas as mulheres que buscam viver essa fase com mais saúde e autoconfiança:

“Se é, então, uma condição inevitável para todos, que possamos vivê-la de forma positiva e respeitosa. É importante entender que limitações podem surgir, que o corpo físico vai mudar, que as rugas vão aparecer, que os cabelos brancos virão e que você pode aceitá-los ou não, mantê-los ou não. Mas que qualquer escolha relacionada à sua aparência seja feita por você, pelo seu sentir, pelo seu desejo, pela sua vontade e não para agradar aqueles que, no fim das contas, não acrescentam absolutamente nada à sua vida.”

CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DA CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por CARAS (@carasbrasil)

Dra. Roberta França é médica geriatra e psiquiatra (CRM: 52744859), com 22 anos de formação pela Universidade Gama Filho. É pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Estácio de Sá e em Psiquiatria. Membro da Comissão de Direito da Pessoa Idosa (OAB/RJ), integra também a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica. Professora da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) e palestrante em temas voltados à medicina geriátrica e psiquiátrica, é idealizadora do projeto social Cantinho da Geriatria, que impacta mais de 250 mil pessoas com conteúdo diário para a terceira idade nas redes sociais. Coautora do livro Estratégia de Vencedores, foi condecorada com a Medalha Pedro Ernesto e homenageada com Moção Honrosa pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelos relevantes serviços prestados aos idosos. Em 2023, foi reconhecida como Medicina Destaque pela mesma instituição.