Bem-estar e Saúde / Alerta silencioso

Virginia Fonseca assusta ao mostrar feridas no rosto; especialista explica o que pode estar por trás

Virginia Fonseca relatou desconforto e exibiu feridas nos lábios durante viagem; especialista analisa possíveis causas

Virginia Fonseca
Virginia Fonseca - FOTO: Reprodução/Instagram

A influenciadora e apresentadora Virginia Fonseca voltou a chamar atenção nas redes sociais ao expor sinais físicos de uma batalha silenciosa que atinge milhões de mulheres: a ansiedade. Durante uma temporada em Dubai, onde cumpre compromissos profissionais, ela surgiu nos Stories mostrando feridas visíveis nos lábios, o que rapidamente gerou preocupação entre seguidores. Segundo a própria Virginia, os machucados surgiram em meio a um período de forte estresse emocional, intensificado por imprevistos na viagem e mudanças repentinas de planos.

Nos registros publicados, Virginia apareceu visivelmente incomodada ao explicar a origem do problema. “Sabe o que é isso? Ansiedade… e está ardendo tanto”, relata, ao mostrar os lábios feridos, diz. Poucos dias antes, a influenciadora havia contado que precisou cancelar o voo de retorno ao Brasil por um contratempo logístico, situação que a deixou emocionalmente abalada e aumentou a tensão durante a estadia fora do país.

O episódio reacendeu o debate sobre como questões emocionais podem ultrapassar o campo psicológico e se manifestar de forma concreta no corpo. Para esclarecer esse tipo de reação, CARAS Brasil ouviu a psiquiatra Dra. Luana Carvalho, especialista em saúde mental materna, que explica que a ansiedade nem sempre se limita a pensamentos acelerados ou sensação de preocupação constante.

Quando a ansiedade deixa marcas visíveis no corpo

De acordo com a especialista, o organismo reage de forma automática diante de situações interpretadas como ameaçadoras, mesmo quando elas são emocionais. “A ansiedade não é apenas um sentimento de preocupação”, explica Dra. Luana. “Ela ativa o sistema de alerta do corpo, elevando hormônios do estresse como o cortisol e a adrenalina. Isso pode desencadear reações físicas variadas, desde batimentos cardíacos acelerados e tensão muscular até dores ou comportamentos repetitivos involuntários”, explica.

A médica destaca que, em momentos de estresse intenso, algumas pessoas desenvolvem comportamentos automáticos sem perceber. “Esse tipo de resposta é uma forma que o corpo encontra para ‘gastar’ a tensão acumulada. Não é raro, principalmente em pessoas que já têm tendência a sentimentos intensos”, detalha a especialista, explica.

Entre essas reações estão hábitos como morder os lábios, roer unhas, ranger os dentes durante o sono e até ferir a própria pele de forma involuntária. No caso de Virginia, a combinação de pressão profissional, mudança de fuso horário e frustração com alterações na agenda pode ter contribuído para o quadro, segundo avaliação clínica.

Por que o estresse emocional se transforma em sintomas físicos

A Dra. Luana esclarece que o cérebro humano nem sempre distingue ameaças reais de pressões emocionais. “Quando nosso organismo está em estado de alerta constante, o sistema nervoso simpático fica ativado. Isso pode resultar em suor excessivo, tensão masculina e, sim, manifestações como as que a Virginia mostrou”, diz.

Ela reforça que esses sinais muitas vezes são subestimados ou confundidos com problemas superficiais. “Mas são manifestações reais de um estado psicológico profundo que afeta diretamente o corpo”, completa, explica. Segundo a especialista, é comum que pacientes procurem inicialmente dermatologistas ou clínicos gerais antes de perceberem que a origem do problema está ligada à saúde mental.

Apesar de ser uma reação comum, a psiquiatra alerta que a ansiedade não deve ser ignorada quando começa a interferir na rotina. “Quando percebemos que a ansiedade começa a interferir nas atividades diárias ou se manifesta de forma física intensa, como feridas, dores musculares ou comportamentos compulsivos, é importante buscar apoio profissional”, orienta.

Ela ainda reforça que ansiedade não é sinal de fraqueza emocional. “Falar sobre o que sentimos, entender nossos gatilhos e aprender estratégias de regulação emocional são passos fundamentais para resgatar o bem-estar”, afirma, explica.

Como forma de prevenção e cuidado, a médica recomenda algumas práticas simples que ajudam a reduzir os impactos do estresse no corpo, como exercícios de respiração consciente ao longo do dia, manutenção de uma rotina regular de sono e alimentação, além da prática de atividades físicas leves ou moderadas. “A ansiedade tem uma função biológica de nos preparar para situações desafiadoras, mas quando ultrapassa certos limites, ela merece atenção e cuidado”, conclui a especialista, conclui.

Dra. Luana Carvalho (CRM-MG 64935) é médica formada em 2014 pela FASEH e construiu uma trajetória sólida e humanizada dentro da prática clínica. Atuou por três anos na Medicina de Família, experiência que consolidou sua visão integral do cuidado em saúde e ampliou sua habilidade de compreender o paciente em sua complexidade biológica, emocional e social. Antes de se dedicar exclusivamente à Psiquiatria — área em que possui duas pós-graduações, incluindo formação pela escola do psiquiatra Ítalo Marsili — trabalhou em importantes serviços da rede pública de Minas Gerais. Teve atuação em unidades de alta relevância como o Hospital Júlia Kubitschek, o Hospital Eduardo de Menezes, o Hospital Odilon Behrens e o Hospital João XXIII, vivências que enriqueceram sua experiência clínica e ampliaram seu repertório técnico.