Sabrina Sato fala sobre diagnóstico de TDAH e médico comenta: ‘Impacto funcional’
Recentemente, a apresentadora Sabrina Sato divulgou que foi diagnosticada com TDAH; a CARAS Brasil conversou com neurologista para entender mais sobre a condição

Recentemente, Sabrina Sato revelou como lida com sua rotina após ser diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A apresentadora do programa Sua Maravilhosa, no GNT, destacou que precisa ser meticulosa com os detalhes de sua vida. “Eu sou muito cuidadosa comigo porque pago um preço alto”, revelou ela em entrevista ao jornal O Globo.
Ela também destacou que, para não se atrapalhar nas tarefas da rotina, precisou estabelecer uma organização rigorosa com a ajuda de seu marido, o ator Nicolas Prattes. “Ele dorme no mesmo horário da Zoe, às 21h, 22h. Eu acordo às 5h30 para começar o dia com ela. Tenho pessoas que me ajudam, que ficam me lembrando de dez em dez minutos o que tenho que fazer. Porque, além de a agenda ser intensa, eu tenho TDAH. Mas nem tudo sai como planejado, e eu também não sou essa pessoa tão regrada”, destacou ela.
Entendendo o TDAH
Para entender sobre o diagnóstico da condição de saúde, a CARAS Brasil conversou com o médico neurologista Dr. Matheus Trilico, que disse que muitos adultos chegam ao consultório carregando anos de autocrítica e uma sensação persistente de que “nunca conseguem alcançar seu potencial”.
“É comum ouvirem que sempre foram ‘o distraído da família’ ou ‘aquele que deixa tudo para última hora’, mas jamais imaginaram que isso pudesse ter uma base neurobiológica”, conta.
Segundo o especialista, os sinais que mais passam despercebidos incluem dificuldade crônica de manter foco em tarefas que exigem esforço mental prolongado, procrastinação incontrolável e desorganização que vai além do simples desleixo.
“Outros sintomas menos óbvios: inquietação mental constante, sensação de estar cronicamente atrasado com a vida, impulsividade nas decisões e dificuldade em regular emoções. Muitos desenvolvem estratégias compensatórias sofisticadas — trabalhar até tarde, usar múltiplos alarmes, depender de outras pessoas — que mascaram o transtorno até que as demandas aumentem e essas estratégias colapsem”, explica.
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Distração comum x TDAH
“Todo mundo se distrai às vezes. A diferença fundamental está na intensidade, persistência e, principalmente, no prejuízo funcional que os sintomas causam”, explica o Dr. Trilico. No TDAH, os sintomas são crônicos — presentes desde a infância, manifestam-se em múltiplos contextos e causam impacto real na qualidade de vida.
O médico esclarece que o diagnóstico segue critérios do DSM-5-TR: para adultos, é necessário que pelo menos cinco sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade estejam presentes por no mínimo seis meses, com início antes dos 12 anos, e comprometam significativamente o funcionamento em pelo menos dois contextos.
“O ponto-chave é o impacto funcional. Perguntamos: esses sintomas estão prejudicando seu trabalho? Seus relacionamentos? Se a resposta é sim, de forma consistente, estamos diante de algo além da distração comum”, ressalta o neurologista.
A avaliação também exige exclusão de outras causas — ansiedade, depressão, problemas de tireoide, uso de substâncias — e pode incluir testagem neuropsicológica e histórico escolar detalhado.
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