Priscila Fantin expõe fadiga extrema no climatério e médico explica: ‘Inquestionáveis’
Atriz Priscila Fantin relatou dores, exaustão e falta de disposição no início da transição hormonal; ginecologista explica sintomas

A experiência de Priscila Fantin no início do climatério trouxe à tona um tema pouco discutido: a fadiga crônica que muitas mulheres enfrentam nessa fase. A atriz, que relatou dores, exaustão intensa e falta de disposição, colocou luz sobre como a transição menopausal pode impactar a rotina de forma abrupta — e por que tantos sintomas são confundidos com coisa da idade.
Para entender o que está por trás desse cansaço quase incapacitante, conversamos com Dr. Igor Padovesi, ginecologista, que explica como o climatério pode derrubar a energia e quando é necessário investigar outras causas.
Segundo o especialista, quando uma paciente descreve algo como um cansaço esmagador, o primeiro passo é não assumir que tudo é culpa do climatério. Ele aponta que, apesar de ser frequente, o sintoma precisa ser investigado.
De acordo com ele, “é sempre necessário fazer pelo menos exames básicos para descartar as outras causas, como condições endocrinológicas, hematológicas, autoimunes”. O médico explica que, na prática, isso inclui avaliar função tireoidiana, metabolismo (como glicemia e insulina), hemograma completo, ferro, vitamina B12, ácido fólico e marcadores inflamatórios.
Ainda segundo Padovesi, essa triagem evita um erro comum: “colocar a culpa no climatério por sintomas que podem eventualmente ter outra causa tratável”. Muitas vezes, porém, tudo vem normal — e aí, sim, o fator hormonal ganha força.
Ajuste hormonal
Embora muitas pacientes busquem alternativas menos óbvias, o ginecologista é direto: o alívio real costuma vir de ajustes cuidadosos na terapia hormonal.
Ele explica que, especialmente na perimenopausa, os hormônios naturais oscilam muito, o que dificulta a estabilização. “Não existe intervenção ginecológica menos óbvia. A resposta é o ajuste da terapia hormonal do climatério mesmo”, afirma.
A progesterona, por exemplo, exige personalização. “A dose pode ser bem variável entre as mulheres; a sensibilidade à progesterona pode ter uma variação significativa”. Já o estrogênio vaginal pode ser um complemento para quem ainda sente sintomas locais, sem relação com aumento de riscos.
Histórico reprodutivo
Apesar de muitas mulheres acreditarem que abortos, número de gestações ou uso prolongado de contraceptivos influenciam a chegada da menopausa, o médico esclarece que essa associação é mínima.
Ele ressalta que “o número de abortos, gestações, uso prolongado de contracepção e até a idade que a mulher começou a menstruar não tem uma relação significativa com a idade da menopausa”. O que realmente pesa são cirurgias ovarianas ou retirada de útero, que podem antecipar o processo.
Terapia hormonal parcial
Para casos em que a paciente melhora apenas parcialmente, o médico avalia dose, absorção e fatores externos como sono, ferro, estresse e tireoide. “Existem doses médias, padrão, mas não existe formalmente um limite máximo de dose que possa ser utilizada”, destaca. Cada corpo responde de um jeito.
Ele reforça que outras terapias — como atividade física, nutrição, rotina de sono e manejo de estresse — são essenciais. Sobre riscos e incertezas, é categórico: “os benefícios a longo prazo são muito consistentes na literatura, inquestionáveis”.
Para ele, a medicina já acumula evidências robustas de que a terapia hormonal traz benefícios reais para longevidade, redução de doenças cardiovasculares e prevenção de fraturas.
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