Otaviano Costa relembra cirurgia cardíaca e cardiologista explica a condição

Otaviano Costa conta que precisou operar o coração por causa de uma malformação congênita; Dr. Raphael Boesche detalha a importância do diagnóstico precoce

Otaviano Costa - Foto: Reprodução / Globo

Otaviano Costa emocionou os fãs ao relembrar, em entrevista, a cirurgia cardíaca de emergência pela qual passou há pouco mais de um ano. O apresentador destacou que a operação não teve relação com maus hábitos ou fatores de risco comuns, mas sim com uma condição congênita. “Foi uma questão mecânica, peças que vieram com defeito de fábrica. Eu nasci com bicúspide, quando o normal seria válvula tricúspide. Isso ocasionou o inchaço da minha aorta. Mas não tinha nada de ruim nos índices dos exames laboratoriais. Digo que a minha cirurgia foi uma correção de peças”, contou.

Para esclarecer a condição, a Caras conversou com o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, que reforçou a seriedade da válvula aórtica bicúspide. “É uma alteração congênita. Enquanto a válvula aórtica normal possui três cúspides, na bicúspide existem apenas duas. Isso gera sobrecarga no funcionamento do coração e pode levar a complicações ao longo do tempo”, explica o médico.

Diagnóstico

Segundo o especialista, muitos pacientes convivem com a alteração sem perceber. “Exames laboratoriais podem estar normais, como no caso de Otaviano, mas isso não significa que não exista um problema. A válvula bicúspide não depende de colesterol ou glicose altos, mas de uma questão anatômica que precisa ser monitorada”, comenta Dr. Raphael.

Ele ressalta que a complicação mais comum é a dilatação da aorta, que pode exigir intervenção cirúrgica. “Quando a aorta está muito dilatada ou a válvula não funciona adequadamente, a cirurgia é indicada para evitar riscos como insuficiência cardíaca ou até morte súbita. É um procedimento que salva vidas”, reforça.

Acompanhamento

Para quem tem a condição, o acompanhamento médico é essencial. “O ideal é realizar exames periódicos, principalmente ecocardiograma, para avaliar a evolução. O diagnóstico precoce pode evitar que o paciente chegue a uma situação de emergência”, orienta o cardiologista.

Mesmo em casos congênitos, Dr. Raphael lembra que manter hábitos saudáveis é fundamental. “Cuidar da alimentação, praticar exercícios e controlar fatores de risco como pressão alta ajuda a proteger o coração como um todo. Esses cuidados são indispensáveis”, conclui.

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Dr. Raphael Boesche Guimarães (CRM: 33565) é médico cardiologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Passo Fundo (2009), concluiu residência em Clínica Médica pela UFCSPA (2012) e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (2014), onde também obteve o título de mestre na área (2017) e atualmente cursa doutorado. Atua como pesquisador clínico em estudos internacionais e como médico intensivista no Instituto de Cardiologia do RS. É preceptor da residência médica em Cardiologia, além de integrar comissões científicas e ter vasta produção acadêmica publicada em periódicos nacionais e internacionais.