Mulher arrastada na Marginal Tietê choca a TV brasileira; médico detalha gravidade das sequelas

Mulher arrastada na Marginal Tietê, em São Paulo, passa por cirurgias e tem as pernas amputadas

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Homem que atropelou e arrastou mulher fo preso (Foto: Reprodução/Instagram)

Os últimos dias foram marcados pela tentativa de feminicídio contra Tainara Souza Santos, que no sábado, 20, foi atropelada e arrastada por quase um quilômetro pelo motorista Douglas Alves da Silva (26) na Marginal Tietê, em São Paulo. O caso ganhou grande repercussão nacional e se tornou destaque em telejornais como o Jornal Nacional e o Jornal Hoje, reforçando a gravidade do episódio e ampliando o debate sobre violência contra a mulher.

Segundo informações do G1, Tainara segue em coma induzido após passar por duas cirurgias para amputação das pernas e colocação de pinos no quadril. Ela também foi submetida a procedimentos de enxerto de pele e tem outra cirurgia ainda sem data marcada no Hospital Municipal Vereador José Storopolli. O homem foi preso. 

Médico explica gravidade dos ferimentos

Em entrevista à CARAS Brasil, o Dr. Yuri Castro Santos, médico emergencista, explica que a situação da vítima de tentativa de feminicídio é extremamente delicada. “Uma pessoa que sofre um acidente de arrastamento por um carro, resultando na amputação das pernas, pode enfrentar uma série de complicações médicas graves, traumas físicos e sequelas psicológicas a curto e longo prazo”, diz.

“Entre as principais consequências físicas imediatas e a longo prazo estão o risco de choque hemorrágico e morte, já que a perda massiva de sangue causada pelos ferimentos graves e pela amputação pode levar rapidamente a um estado crítico sem intervenção médica urgente. O arrastamento também provoca lesões traumáticas extensas, como abrasões severas, lacerações profundas, fraturas múltiplas e esmagamento de tecidos, além de infecções graves devido ao contato das feridas abertas com solo ou asfalto, aumentando o risco de sepse e a necessidade de novas cirurgias reconstrutivas ou de desbridamento”, complementa.

Segundo o médico, o pós-recuperação de Tainara também deve apresentar sintomas decorrentes da gravidade desse acidente.

Consequências emocionais e sociais do trauma

“Além disso, a vítima pode enfrentar dor crônica intensa e até dor fantasma no membro amputado, somadas a problemas de mobilidade decorrentes da perda dos membros inferiores. Isso normalmente exige o uso permanente de cadeira de rodas, muletas ou próteses e envolve um longo processo de reabilitação física e fisioterapia”, finaliza.

A violência extrema sofrida pela vítima não deixa apenas marcas físicas profundas, mas desencadeia um processo de recuperação emocional e social igualmente complexo. As consequências desse tipo de trauma vão muito além das cirurgias e da reabilitação física, afetando diretamente a saúde mental, a autoestima e a capacidade de retomar a rotina e a autonomia.

“Do ponto de vista psicológico e social, as repercussões são devastadoras. Um evento tão brutal pode desencadear Transtorno de Estresse Pós-Traumático, com pesadelos, flashbacks, ansiedade severa e medo constante. Além disso, a perda permanente dos membros, a mudança radical no estilo de vida e a dor crônica frequentemente resultam em depressão e ansiedade. A vítima também enfrenta desafios para retornar ao trabalho, o que impacta sua renda e independência, enquanto alterações na imagem corporal afetam a autoestima e a forma de se relacionar socialmente. Todo esse processo exige uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais”, finaliza. 

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