Mudança radical de Tiago Abravanel chama atenção: ‘É preciso perder…’
Para CARAS Brasil, especialista analisa a mudança radical de Tiago Abravanel e alerta sobre riscos e falta de acompanhamento médico

Tiago Abravanel voltou aos holofotes ao explicar seu recente processo de transformação. O artista contou que eliminou 23 quilos em menos de seis meses, destacando que não seguiu dietas restritivas e que sua mudança veio do equilíbrio entre corpo e mente – um caminho guiado pela terapia. O ator reforçou que passou a colocar o autocuidado no centro da sua rotina, algo que melhorou desde o sono até a forma como lida com o próprio cotidiano.
Para entender a relevância dessa mudança, a CARAS Brasil ouviu o médico Dr. João Branco, especialista em emagrecimento e performance física, que analisou o caso e destacou lições importantes para quem deseja seguir o mesmo caminho.
A importância do autocuidado e mudança de hábitos
Segundo o especialista, o processo vivido por Tiago tem impacto direto na qualidade de vida:
“O exemplo do Thiago Abravanel é muito importante, primeiramente, pela informação. Ele tem a informação de que, se continuasse no caminho da obesidade em que estava, isso geraria prejuízo à qualidade de vida dele, ainda mais porque mostrou interesse em ampliar a família, ter filhos. Então passa a ser também uma conscientização de, no futuro, você poder criar seu filho e não dar trabalho para as pessoas que você ama. E o importante não é só focar na perda de peso na balança, e sim no quanto e na qualidade do peso que você perde. Não importa perder qualquer peso; tem que perder gordura.”
O médico reforça que a relação com a comida precisa ser compreendida e transformada sem radicalismos.
“A comida tem relação com prazer, mas nunca devemos associar a mudança de estilo de vida de uma maneira radical em que você não possa estar com os amigos, com os familiares, comemorando. O principal é a conscientização, a mudança do tipo de hábito, entender onde você erra por pequenas coisas durante a semana inteira e parar de colocar a culpa somente nos finais de semana. Os estudos mostram que isso não é verdade. São os pequenos erros durante o dia que impedem que a qualidade de vida venha. Então, se você economizar, entre aspas, durante a semana, de vez em quando, no final de semana, pode extrapolar um pouco, mas não pode deixar de correr atrás desse prejuízo.”
O papel da terapia e da constância
O especialista aponta que o equilíbrio emocional é tão importante quanto a alimentação.
“A primeira coisa é fazer um processo de mudança de hábitos e estilo de vida que seja duradouro, não muito radical. E, principalmente, a terapia faz com que você reconheça o mecanismo de compensação de prazer que você possa estar levando da boca ao prazer no cérebro. Esse mecanismo, essa autofomentação do prazer relacionado à comida, aos transtornos de ansiedade e à compulsão alimentar, precisa ser entendido e trabalhado com psicoterapia para que você não volte a reincidir nesse erro.”
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Para ele, o chamado ‘emagrecimento natural’ tem exigências claras: “O emagrecimento, entre aspas, natural, é um emagrecimento que gera algum tipo de desconforto fisiológico no corpo. O que é natural? É quando você amplia a atividade física e diminui a ingestão daquilo que não é saudável. Isso é natural e é a melhor maneira de fazer. Mas, se você tiver algum outro problema — no caso, um problema orgânico, hormonal, alguma limitação de atividade física, algum transtorno do sono, por exemplo — isso não vai permitir que você tenha uma resposta adequada e vai gerar mais sofrimento. Mas, se for de forma natural, temos que colocar sempre no cálculo uma balança calórica negativa: gastar mais e ingerir menos daquilo que não presta.”
Saúde em primeiro lugar
Para o Dr. Branco, profissionais da saúde precisam ser protagonistas na orientação de quem busca emagrecer:
“Na verdade, os profissionais de saúde deveriam ser os principais incentivadores desse método, principalmente porque muitas pessoas que não querem fazer esforço procuram soluções imediatistas, dietas radicais, uso de medicamentos da moda, que podem prejudicar se forem usados inadequadamente, sem orientação médica, ou até mesmo gerar perda de massa muscular. Então a classe médica e os profissionais de saúde deveriam ser os maiores difusores dessas técnicas. O que extrapola essa técnica é o fato de que existem pessoas que são obesas de maneira crônica e que precisam do apoio profissional, com intervenção ou não de remédios. O profissional de saúde e a equipe multidisciplinar são indispensáveis nesse processo.”
O alerta é reforçado: “O cuidado que devemos ter é o seguinte: tentar ir pelo caminho mais educacional é importante; mudar de vida e hábitos é a forma mais sustentável. Mas não podemos deixar de fazer o check-up, descartar alterações hormonais e descartar problemas orgânicos que possam impedir que esse processo natural seja eficaz. Principalmente quando há alguma síndrome metabólica envolvida, doenças crônicas não transmissíveis, doenças adquiridas. Pessoas que já têm diabetes e não sabem querem implementar algo que seja, entre aspas, natural, e acabam dispensando medicações que fazem com que a doença tenha controle. É isso que devemos alertar: se você tem a doença, precisa cuidar dela e, além disso, sempre procurar hábitos que representem mudanças reais.”
Por fim, ele reforça a importância da prevenção: “É sempre importante procurar aquilo que é mais educacional, com mudanças gradativas e constantes para gerar saúde, mas sem abandonar o check-up, a revisão médica e a equipe multidisciplinar para evitar a progressão de doenças, mesmo quando você acha que não tem nenhuma, porque muitas dessas doenças são assintomáticas.”
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