Morte de Isabelle Marciniak revela fato que pode mascarar doença, aponta especialista
Especialista aponta como fato sobre Isabelle Marciniak pode ter mascarado doença que levou a sua morte; entenda situação e os sinais que não devem ser ignorados

A ex-ginasta Isabelle Marciniak morreu aos 18 anos, nesta quarta-feira, 24, em Curitiba, após complicações causadas por um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. A informação foi confirmada pela Federação Paranaense de Ginástica, que divulgou uma nota oficial lamentando a perda e destacando a trajetória da atleta no Clube Agir.
Considerada um dos grandes nomes da ginástica rítmica brasileira nos últimos anos, Isabelle acumulou conquistas expressivas ao longo da carreira. Ela foi campeã geral do Campeonato Brasileiro de Ginástica Rítmica em 2021 e também conquistou o título nacional com o trio adulto em 2023. Para enfrentar a doença, a atleta interrompeu os treinamentos e contou com o apoio financeiro de familiares e amigos durante o tratamento.
Para esclarecer o que é o linfoma de Hodgkin, seus sintomas e por que o diagnóstico pode demorar, a CARAS Brasil conversou com o Dr. Jorge Abissamra, médico oncologista e especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho.
O que é o linfoma de Hodgkin?
Segundo o especialista, se trata de um câncer que atinge diretamente o sistema responsável pela defesa do organismo:
“O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, que faz parte do nosso sistema imunológico. Ele começa a partir de uma alteração nos linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo, que passam a se multiplicar de forma desordenada”, afirma.
O médico explica que a doença costuma afetar principalmente os gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas:
“A doença costuma afetar principalmente os gânglios linfáticos, mais conhecidos como ínguas, que ficam localizados no pescoço, axilas e virilha, mas também pode atingir o baço, a medula óssea e outros órgãos. É um câncer que, felizmente, apresenta altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente.”
Jovens estão entre os mais afetados
O linfoma de Hodgkin tem maior incidência justamente em jovens e adultos jovens, o que pode dificultar o reconhecimento dos sintomas iniciais:
“Diferente de muitos outros tipos de câncer, o linfoma de Hodgkin tem um pico de incidência justamente em jovens e adultos jovens, especialmente entre 15 e 35 anos. Os sinais mais comuns incluem aumento indolor dos gânglios, cansaço excessivo, febre sem causa aparente, suor noturno intenso e perda de peso inexplicada.”
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De acordo com o oncologista, o diagnóstico muitas vezes é adiado porque os sintomas podem ser confundidos com problemas comuns do dia a dia:
“O diagnóstico muitas vezes demora porque esses sintomas podem ser confundidos com infecções comuns, estresse, viroses ou até excesso de atividades. Como o jovem geralmente se sente saudável, há uma tendência a adiar a investigação médica.”
Rotina intensa pode mascarar sinais da doença
No caso de atletas de alto rendimento, como Isabelle, a rotina de treinos intensos pode atrasar ainda mais a identificação do problema:
“Em atletas, sintomas como cansaço, queda de desempenho, dores no corpo ou perda de peso podem ser atribuídos ao treino intenso ou à rotina competitiva. Isso pode mascarar sinais importantes da doença.”
O especialista reforça que a resistência física dos atletas também pode dificultar a percepção de que algo está errado:
“Além disso, atletas costumam ter uma tolerância maior ao desconforto físico, o que pode atrasar a percepção de que algo não está normal. Por isso, qualquer sintoma persistente ou fora do padrão habitual merece atenção, mesmo em pessoas jovens e aparentemente muito saudáveis.”
Atenção aos sinais e diagnóstico precoce
Por fim, o médico destaca a importância de observar o próprio corpo e buscar ajuda médica diante de sintomas persistentes:
“A principal orientação é conhecer o próprio corpo e respeitar os sinais que ele dá. Nenhum sintoma persistente é “normal”, especialmente quando dura semanas ou meses. Ínguas que não desaparecem, cansaço extremo, febre recorrente ou perda de peso sem explicação precisam ser avaliados.”
Ele reforça que, embora não exista prevenção específica, o diagnóstico precoce salva vidas:
“Não existe uma prevenção específica para o linfoma de Hodgkin, mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento e nas chances de cura. Procurar um médico não é sinal de fragilidade, é um ato de cuidado e responsabilidade com a própria saúde.”
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