Menoupausa aos 25: Caso de Duda Riedel expõe risco grave após tratamento de câncer, aponta especialista

Influenciadora Duda Riedel expôs os impactos físicos e emocionais da menopausa precoce após tratar doença grave

Menoupausa aos 25: Caso de Duda Riedel expõe risco grave após tratamento de câncer, aponta especialista - Foto: Instagram

A influenciadora Duda Riedel, que entrou em menopausa precoce aos 25 anos após tratar um câncer, voltou a levantar um alerta importante sobre os efeitos a longo prazo dos tratamentos oncológicos em mulheres jovens. Ela só descobriu a gravidade do quadro ao fraturar o fêmur e ser informada de que seus ossos estavam severamente fragilizados.

A história de Duda Riedel começou em 2019, quando ela tinha 24 anos e começou a apresentar sintomas persistentes, como sinusite recorrente, fraqueza, febre e hematomas inexplicáveis — sinais que a levaram a procurar atendimento médico e, finalmente, a fazer um hemograma que revelou uma contagem de plaquetas muito baixa. A partir daí, exames mais detalhados culminaram no diagnóstico de leucemia mieloide aguda, um tipo agressivo de câncer no sangue que requer tratamento intensivo e imediato.

Duda iniciou logo um ciclo de quimioterapia de alta dose, seguido por um transplante de medula óssea no final de 2019, procedimentos comuns para combater leucemia, mas que também têm forte impacto em tecidos e órgãos saudáveis. Ela mesma relatou que nunca imaginou que os efeitos colaterais do tratamento poderiam levá-la à menopausa tão jovem: “Em nenhum momento passou pela minha cabeça que os efeitos colaterais e as sequelas do tratamento de um câncer poderiam me levar a entrar na menopausa.”

Logo após o transplante, uma conversa com uma amiga que havia passado por experiência semelhante foi um choque: Duda ouviu que a colega já não menstruava há anos devido ao tratamento, o que a levou a buscar confirmação médica e a descobrir que, de fato, um ovário estava praticamente inativo e o outro muito pequeno, tornando a gravidez quase impossível.

Como o tratamento oncológico pode levar à falência ovariana

Segundo o ginecologista Dr. Igor Padovesi, a quimioterapia e a radioterapia direcionada ao abdômen podem afetar diretamente a função ovariana. Ele explica que “a quimioterapia e a radioterapia realizada no abdômen podem sim levar à falência ovariana e menopausa precoce”, destacando que isso varia conforme o tipo de medicação e o número de sessões. O médico acrescenta que “por vezes pode levar a uma perda temporária da função ovariana que se recupera depois e por vezes isso pode ser definitivo”, reforçando que o risco é amplamente reconhecido pela medicina.

Padovesi lembra que a menopausa tão cedo traz consequências sérias para a saúde a longo prazo. Ele afirma que “a mulher que tem menopausa precoce tem mais risco de mortalidade por várias causas, principalmente por causa cardiovascular” e que a reposição hormonal “é considerada obrigatória nesses casos”.

Por que Duda fraturou o fêmur

A perda acelerada de densidade óssea foi a primeira grande consequência do quadro, e o Dr. Padovesi explica que isso acontece porque “uma das principais consequências da menopausa é a perda de densidade mineral óssea”. Ele acrescenta que o impacto é ainda maior quando a menopausa ocorre cedo, já que “quem entrou na menopausa com 25 anos não chegou a fazer o pico de massa óssea”, o que aumenta muito o risco de fraturas.

O médico ressalta também que a reposição hormonal é uma das principais formas de proteção, lembrando que “a falta do estrogênio leva sempre à perda de densidade dos ossos, que se manifesta como enfraquecimento e maior predisposição a fraturas”.

Acompanhamento e cuidados necessários

Para mulheres que enfrentam a menopausa precoce, o acompanhamento deve ser rigoroso. Padovesi destaca que “o primeiro tratamento é a terapia hormonal, que protege o coração e ajuda a preservar a massa óssea”. No entanto, ele reforça que isso não é suficiente sozinho, afirmando que “ela precisa também de medicamentos modernos para osteoporose, capazes de recuperar um pouco da densidade mineral óssea”.

O ginecologista explica que a reposição hormonal apenas desacelera a perda, e não recupera o que já foi perdido. Por isso, mulheres como Duda precisam de tratamento combinado, consultas frequentes, exames de densidade óssea e acompanhamento cardiovascular contínuo.

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Dr. Igor Padovesi (CRM 134933) é médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. Instagram: @dr.igorpadovesi