Médico destaca importância do diagnóstico precoce da doença de Milton Nascimento: ‘Qualidade de vida’
Milton Nascimento foi diagnosticado com demência; a CARAS Brasil conversou com um neurologista para entender a importância do diagnóstico precoce

Na última quinta-feira, 2 de outubro, Augusto Nascimento, filho de Milton Nascimento, deu uma entrevista para a revista Piauí e contou que o pai foi diagnosticado com demência por corpos de Lewy (DCL).
Augusto disse que a doença foi diagnosticada após uma viagem dos dois para os Estados Unidos. A investigação para descobrir o diagnóstico se iniciou em abril deste ano, assim que Augusto notou mudanças no comportamento do pai, incluindo lapso de memória, falta de apetite, e repetição de histórias em intervalos curtos.
“Quando vi que o meu pai apresentava uma piora brusca no quadro cognitivo, perguntei ao médico se seria uma loucura fazer uma viagem de motorhome com ele pelos Estados Unidos. Meu pai sempre viajou do meu lado, como co-piloto”.
Sintomas da Demência por Corpos de Lewy
A CARAS Brasil conversou com o neurologista Dr. Saulo Nader para entender um pouco mais sobre a doença. Segundo o especialista, a condição tem uma mistura de sintomas que podem confundir o diagnóstico. Os principais podem incluir:
- Oscilações cognitivas: a lucidez varia muito ao longo do dia ou de um dia para o outro. É como se a cognição “desligasse e religasse” ao longo do dia;
- Alucinações visuais: muito comuns e acontecem logo no início. A pessoa vê coisas que não estão ali: animais, crianças, pessoas, etc;
- Sintomas motores tipo Parkinson: lentidão, rigidez muscular e alterações no caminhar;
- Distúrbios do sono REM: a pessoa pode “teatralizar” os sonhos e falar, gritar, se mexer muito dormindo. Às vezes, isso começa anos antes de qualquer sintoma de demência;
- Sensibilidade a medicamentos: principalmente a antipsicóticos, que podem piorar muito os sintomas.
“Esses sintomas podem aparecer de forma sutil no início, e vão se intensificando ao longo dos anos”, esclarece o médico.
O Dr. Saulo diz que há alguns fatores de risco para a doença, como idade avançada, sexo masculino e possuir distúrbios do sono REM (o famoso “teatralizar os sonhos”). “Mas vale lembrar: ter fator de risco não significa que a pessoa vai desenvolver a doença”.
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Como reduzir o risco de demência e detectar sinais precocemente?
O médico explica que não há uma forma definitiva de prevenir a doença. Porém, existem maneiras de reduzir a chance de ser diagnosticado com ela. São elas:
- Sono de qualidade;
- Atividade física regular;
- Alimentação equilibrada (como a dieta mediterrânea);
- Estimulação cognitiva;
- Controle de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e colesterol.
“E o mais importante: se surgirem mudanças no comportamento, alucinações visuais, confusão intermitente ou sintomas motores, procure um neurologista. Quanto antes o diagnóstico for feito, melhor podemos cuidar e oferecer qualidade de vida ao paciente e à família. Cuidar do cérebro, é cuidar da nossa história”, completa.
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