Médico comenta os riscos de remédio usado por Leonardo: ‘Acompanhado de perto’

O cantor Leonardo chamou a atenção ao revelar que toma o ‘azulzinho’; a CARAS Brasil conversou com cardiologista para entender os riscos do medicamento

Médico comenta os riscos de remédio usado por Leonardo: ‘Acompanhado de perto’
Médico comenta os riscos de remédio usado por Leonardo: ‘Acompanhado de perto’ - Reprodução/Instagram

Leonardo, de 62 anos, chamou atenção ao revelar, durante uma entrevista descontraída com o influenciador Rafael Cunha, que faz uso diário do comprimido popularmente conhecido como “azulzinho”, medicamento utilizado no tratamento da disfunção erétil. O sertanejo afirmou: “Já! Todo dia eu tomo meio [comprimido]”.

A declaração, que viralizou, reacendeu o debate sobre os cuidados com a saúde sexual e cardiovascular dos homens após os 60 anos. Para compreender os riscos e cuidados necessários nesse tipo de uso, a CARAS Brasil conversou com o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães.

“Os remédios para disfunção erétil atuam por meio da vasodilatação e têm impacto direto no sistema cardiovascular”, explica o médico. “Embora sejam seguros quando prescritos corretamente, o uso diário sem supervisão pode representar riscos importantes, especialmente para quem já tem doenças cardíacas, hipertensão, tabagismo ou vive uma rotina de estresse intenso”.

Segundo o especialista, o uso contínuo exige cautela redobrada em pacientes mais velhos. “Em homens com mais de 60 anos, como o Leonardo, o coração e os vasos sanguíneos já passaram por anos de esforço. Qualquer medicamento que interfira na circulação precisa ser acompanhado de perto por um cardiologista”, orienta.

Efeitos colaterais

Dr. Raphael destaca que o uso indiscriminado pode provocar quedas de pressão, tontura, desmaios e, em casos mais graves, arritmias ou infarto.

“Existem relatos de pacientes que não sabiam que tinham placas nas artérias e sofreram complicações sérias após o uso. Por isso, a avaliação médica é fundamental, não só para liberar o medicamento, mas para entender o estado geral do coração”, afirma.

Nos últimos meses, Leonardo apareceu em vídeos publicados pela esposa, Poliana Rocha, realizando exames cardíacos e falando sobre a importância de manter o check-up anual em dia. Para o Dr. Raphael, essa atitude é um bom exemplo a ser seguido.

“O Leonardo faz certo ao manter o acompanhamento regular. A disfunção erétil pode ser um sinal precoce de problemas vasculares, então cuidar do coração é cuidar também da saúde sexual”, pontua.

Além da questão cardiovascular, o médico reforça que a disfunção erétil tem aspectos multifatoriais, que envolvem a saúde mental e urológica.

“Estresse, ansiedade, depressão, tabagismo, sedentarismo e problemas hormonais também interferem no desempenho sexual. Não adianta buscar soluções rápidas se o corpo e a mente não estão bem. O tratamento deve ser completo e individualizado”, explica.

Leia também: Poliana Rocha ‘arrasta’ Leonardo para fazer check-up anual e destaca importância do cuidado com a saúde masculina

Novembro Azul

Em alusão ao Novembro Azul, mês de conscientização sobre a saúde masculina, Dr. Raphael faz uma analogia simbólica.

“O ‘azulzinho’ pode até representar confiança momentânea, mas o verdadeiro azul que o homem precisa abraçar é o da prevenção. Fazer exames, cuidar do coração, da próstata e da mente é o que garante vitalidade e desempenho real, sem riscos”, afirma.

O cardiologista conclui lembrando que o autocuidado é o principal aliado da longevidade. “O coração não é apenas o motor do corpo, ele é o reflexo de como vivemos. Cuidar dele é cuidar de tudo: da energia, da autoestima e até da vida íntima. É isso que mantém o homem saudável e pleno em todas as fases da vida”.

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Dr. Raphael Boesche Guimarães (CRM: 33565) é médico cardiologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Passo Fundo (2009), concluiu residência em Clínica Médica pela UFCSPA (2012) e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (2014), onde também obteve o título de mestre na área (2017) e atualmente cursa doutorado. Atua como pesquisador clínico em estudos internacionais e como médico intensivista no Instituto de Cardiologia do RS. É preceptor da residência médica em Cardiologia, além de integrar comissões científicas e ter vasta produção acadêmica publicada em periódicos nacionais e internacionais.