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Médico alerta sobre diagnóstico do ator Silvio Pozatto: ‘Compromete os neurônios’

Especialista explica como a doença afeta o cérebro e pacientes como o ator Silvio Pozatto, que morreu aos 68 anos nesta semana

Silvio Pozatto morava no Retiro dos Artistas
Silvio Pozatto morava no Retiro dos Artistas - Foto: Reprodução/Instagram

O ator Silvio Pozatto (68), que morava no Retiro dos Artistas, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, morreu na segunda-feira, 30. A causa da morte não foi revelada, mas ele convivia há anos com a Doença de Parkinson. Nesta terça, famosos como Patrícia Pillar (61) e Marcos Oliveira (69) marcaram presença no velório do intérprete, no Cemitério Memorial do Carmo.

Para entender o diagnóstico que afetava Pozatto, CARAS Brasil conversou com o Dr. Wandyk Alisson, médico especialista em medicina integrativa, que explicou que se trata de uma doença neurodegenerativa progressiva, que afeta a parte motora do corpo humano.

“A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva, que compromete os neurônios dopaminérgicos da substância no cérebro, afetando diretamente o controle motor e, em fases mais avançadas, também funções cognitivas, emocionais e autonômicas”, detalha o especialista.

Segundo o médico, a causa da doença é multifatorial e ainda não completamente esclarecida, mas há mecanismos já reconhecidos. “Os principais envolvem a degeneração dos neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta, resultando em déficit de dopamina nos gânglios da base. Além disso, há o acúmulo de corpos de Lewy — formações intracelulares de alfa-sinucleína mal dobrada — que levam à disfunção mitocondrial, estresse oxidativo, inflamação e morte celular”, explica.

“Existe ainda a hipótese de Braak, que aponta uma possível origem no trato gastrointestinal, com migração da doença pelo nervo vago até o cérebro”, acrescenta.

Entre os fatores de risco mais conhecidos estão a idade avançada, principalmente após os 60 anos, o sexo masculino, predisposição genética e exposição a substâncias tóxicas. “Também se destacam mutações em genes como LRRK2PARK7PINK1PRKN e SNCA, além de histórico de trauma craniano, sedentarismo e distúrbios do sono REM. Curiosamente, o tabagismo e o consumo moderado de cafeína estão associados a risco reduzido — embora não recomendados como prevenção”, esclarece.

O tratamento inclui abordagens medicamentosas, intervenções cirúrgicas e terapias complementares. “Em casos mais avançados, indicamos a estimulação cerebral profunda (DBS), especialmente para pacientes com boa resposta à levodopa. Também são fundamentais fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte nutricional e psicológico”, afirma o médico.

A rotina e o comportamento do paciente também impactam diretamente na evolução da doença. “Exercício físico regular melhora o desempenho motor, reduz a progressão e aumenta a neuroplasticidade. Já o envolvimento social e cognitivo, como arte, música e leitura, retarda o declínio cognitivo”, explica.

“Gestão do estresse, sono de qualidade e suporte emocional também fazem a diferença. A neuroplasticidade depende fortemente da prática constante de bons hábitos. O paciente não é só um receptor de remédios, mas um agente ativo no seu prognóstico”, finaliza o médico.

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Dr. Wandyk Allison é médico (CRM 38475) especialista em reposição hormonal e medicina integrativa. É formado em Medicina pela Universidade do Vale do itajai - Univali e Pós-graduado em Endocrinologia , Metabologia, Nutrição Clínica e Fisiologia do Exercício.