Bem-estar e Saúde / COMO TRATAR E PREVENIR

Médica alerta para diagnóstico grave da cantora Ana Cañas: ‘Impacto direto’

Cantora Ana Cañas recebeu diagnóstico grave após enfrentar um momento delicado

Ana Cañas
Ana Cañas - Foto: Reprodução/Instagram

A cantora de MPB Ana Cañas chocou os fãs em 2018 ao revelar diagnóstico de bulimia. Segundo a artista, o problema foi engatilhado por um caso de assédio que sofreu quando era adolescente. Ela passou por acompanhamento médico durante anos para se livrar do transtorno que pode ser fatal. 

“Eu tive bulimia. Durante muitos anos eu comia e vomitava. Quando eu olho para essa menina da foto eu vejo uma dor profunda e velada. Eu sofri um assédio muito jovem e, durante muitos meses, não consegui contar para ninguém. No meu silenciamento, passei a colocar pra fora os alimentos que ingeria. Não foi uma bulimia pelo peso, por emagrecimento. Foi emocional. Ser mulher ainda é ter que lidar com violência. Com abusos, assédios, estupro”, contou. 

CARAS Brasil entrevista a médica nutróloga Dra. Cibele Spinelli, que explica os motivos que levam alguém a desenvolver a bulimia. “Diversos fatores se entrelaçam: emocionais (como ansiedade, depressão e traumas), sociais (pressões estéticas, bullying) e fisiológicos (como alterações em neurotransmissores e no eixo dopaminérgico). A busca por um corpo “ideal” imposto por padrões inatingíveis segue sendo um dos gatilhos mais frequentes”, afirma. 

A médica destaca que uma pessoa com esse transtorno pode sofrer consequências graves. “Distúrbios hidroeletrolíticos (como deficiência de potássio), arritmias cardíacas, inflamações esofágicas, ruptura gástrica, infertilidade. A indução de vômitos e o uso de laxantes afetam diretamente o equilíbrio ácido-base do organismo e a saúde intestinal”, alerta. 

E sobre as carências nutricionais, ela diz: “Comportamentos purgativos e dietas restritivas frequentemente levam à deficiência de potássio, zinco, ferro, vitaminas do complexo B e vitamina D, com impacto direto na imunidade, humor e metabolismo.”

O diagnóstico é clínico, feito por profissionais especializados. Muitos pacientes negam o problema ou demoram a procurar ajuda, mesmo com sintomas intensos, por isso o acolhimento é essencial. Já o tratamento é multidisciplinar. 

“Exige uma abordagem multidisciplinar, com psicoterapia (especialmente terapia cognitivo-comportamental), acompanhamento médico, suporte nutricional e, muitas vezes, o uso de medicamentos. A fluoxetina, por exemplo, é um antidepressivo que pode ser usado para bulimia, com boa resposta em casos moderados a graves”, conta. 

Com tratamento adequado, a recuperação é possível. O tempo varia conforme a gravidade, adesão e suporte familiar, mas muitas pessoas conseguem uma vida plena e saudável após o transtorno. “Recaídas podem acontecer, por isso o acompanhamento deve ser contínuo”, orienta a nutróloga. 

Ao falar publicamente sobre o seu diagnóstico, a cantora consegue reunir forças para prevenir a bulimia e ajudar outros pessoas. “Falar abertamente sobre imagem corporal, autoestima, alimentação saudável sem restrições extremas e buscar ajuda precoce são formas importantes de prevenção. O ambiente familiar que valoriza o corpo funcional e a saúde, e não apenas a estética, é fundamental, especialmente na infância e adolescência”, destaca. 

“As redes sociais ampliaram a exposição a imagens corporais idealizadas e dietas extremas, especialmente entre adolescentes. A comparação constante e a busca por validação podem agravar a relação com a comida e com o próprio corpo, favorecendo distúrbios alimentares”, finaliza com um alerta. 

Dra. Cibele Spinelli é Médica nutróloga, com Residência em Clínica Médica pelo HRPP e Estágio de Nutrologia pela USP Ribeirão Preto; Pós graduação em Nutrologia pela ABRAN Título de especialista em nutrologia; Coordenadora Pós graduação em Saúde da mulher. CRM 139.680/RQE 79.239