Médica alerta após Robbie Williams falar sobre cegueira com canetas emagrecedoras: ‘Efeito tóxico’

Declaração do cantor Robbie Williams levantou dúvidas sobre medicamentos como Ozempic e Mounjaro; nutróloga esclarece o que se sabe

Robbie Williams - Reprodução: Instagram

A recente fala de Robbie Williams, afirmando que estaria “ficando cego” após usar medicamentos para emagrecer, viralizou no mundo todo e reacendeu o debate sobre os efeitos colaterais das chamadas canetas emagrecedoras — que incluem fármacos como a semaglutida (presente em Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (presente em Mounjaro). Apesar da repercussão, especialistas reforçam que ainda não há comprovação de uma relação direta entre esses medicamentos e perda de visão.

Para esclarecer o que a ciência sabe até agora, a CARAS Brasil ouviu a nutróloga Dra. Ana Luisa Vilela, que detalha efeitos esperados, riscos raros e sinais de alerta.

Efeitos colaterais mais comuns: o que realmente acontece com quem usa semaglutida ou tirzepatida

De acordo com a especialista, os dois medicamentos fazem parte da mesma família de análogos do GLP-1 (e, no caso da tirzepatida, GLP-1/GIP). Eles reduzem o apetite, melhoram a resistência à insulina e contribuem para o emagrecimento — mas trazem efeitos previsíveis.

Segundo a médica, os sintomas mais comuns incluem “náuseas, refluxo, enjoos, prisão de ventre ou diarreia, sensação de estufamento e queda de apetite”. Ela acrescenta que também podem ocorrer efeitos menos frequentes, como desidratação, alterações de humor, aumento da frequência cardíaca, hipoglicemia em diabéticos e perda de massa magra.

A especialista reforça que “nada disso, porém, envolve diretamente o olho — pelo menos não de forma comprovada até agora”.

Há risco ocular comprovado?

Segundo a nutróloga, não existe evidência científica de que Ozempic, Wegovy, Mounjaro ou similares causem cegueira.

Ela explica que, em diabéticos, alguns estudos identificaram um fenômeno específico: a semaglutida pode acelerar temporariamente a retinopatia diabética em pessoas que já tinham a doença e perderam peso muito rapidamente ou tiveram queda brusca da glicemia.

A especialista reforça que “isso não é um efeito tóxico do remédio, mas sim uma resposta do organismo a mudanças muito rápidas”.

Já em pessoas sem diabetes, ela afirma que “não existem estudos relacionando semaglutida ou tirzepatida a doenças oculares graves, sendo que não há ligação direta com cegueira”. Sobre relatos como o de Robbie Williams, a médica destaca que “são não conclusivos”.

Entretanto, alguns sintomas visuais podem aparecer por mecanismos indiretos: desidratação, oscilação glicêmica ou perda de peso muito rápida, que pode afetar a pressão ocular.

A CARAS Brasil já havia ouvido um oftalmologista sobre o caso. Leia a análise completa aqui: Robbie Williams diz que está ficando cego: oftalmologista explica riscos dos remédios para emagrecer.

Sinais de alerta

A nutróloga recomenda que qualquer paciente em uso desses medicamentos fique atento a:

  • visão embaçada persistente

  • surgimento de manchas escuras ou “moscas volantes”

  • dor ocular

  • perda súbita da visão

  • enxaquecas acompanhadas de alterações visuais

  • tontura e sinais de desidratação intensa

Ela reforça que a visão é um órgão sensível e não deve ser negligenciada, mesmo quando não há prova de relação com o remédio.

Como usar os medicamentos com segurança 

Segundo a médica, o uso seguro depende de três pilares:

1) Acompanhamento médico regular

Isso inclui ajuste das doses, controle da velocidade de perda de peso e prevenção de déficits nutricionais.

2) Exames quando necessário

Avaliação oftalmológica é especialmente importante para quem já tem predisposição, histórico familiar ou doenças prévias.

3) Ritmo adequado de emagrecimento

Perder peso rápido demais aumenta os riscos de desidratação, falta de micronutrientes e queda brusca da glicose — fatores que podem afetar a visão.

Hábitos que reduzem riscos e tornam o tratamento mais seguro

A nutróloga destaca que combinar o uso das medicações com hábitos saudáveis faz diferença real.

Entre as medidas que reduzem riscos, estão:

  • hidratação adequada

  • ingestão de proteína suficiente

  • suplementação quando necessária

  • exercícios para preservar massa magra

  • sono regular

  • acompanhamento nutricional para correção de deficiências como ômega-3, zinco e vitaminas do complexo B e A

Ela reforça que “o remédio não é solução isolada; ele faz parte de um tratamento que envolve hábitos, supervisão e educação alimentar”.

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Dra. Ana Luisa Vilela é médica (CRM 125.207 SP) formada em Cirurgia Geral e Gastroenterologia pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, especialista em Nutrologia pelo Instituto Garrido Endocrinologia e Hospital das Clínicas da USP e especialista em Nutrição Clínica e Metabólica pelo GANEP. Ex-obesa mórbida, eliminou 60 kg e transformou sua história na missão de cuidar de cada paciente com ciência, escuta e empatia. Referência em emagrecimento, longevidade e saúde integrativa, exerce a medicina que trata o corpo e acolhe a alma. Atualmente atende em clínica própria. Já atendeu mais de 5 mil pacientes totalizando a perda de 60 toneladas de peso transformando suas vidas com saúde.